Por Gabriela Ruddy
NESTA EDIÇÃO. CMSE se reúne na quarta (13) e setor tem expectativa de redefinição de critérios de aversão ao risco que vai influenciar preço da energia. As discussões sobre o espaço para a contratação de baterias após o leilão de reserva de capacidade. Gasolina puxa inflação ao consumidor em abril. PPSA adia leilão de óleo da União em meio a turbulência nos preços globais do petróleo.
O mercado de energia elétrica está de olho na reunião do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) desta semana, que pode definir o nível de aversão ao risco adotado na formação de preços de energia no país em 2027 e reduzir custos para os consumidores.
Parte do setor considera que o atual modelo é muito conservador e defende uma flexibilização.
Representantes das comercializadoras e dos consumidores afirmam que é possível flexibilizar sem afetar a segurança do sistema.
Por outro lado, as operadoras das hidrelétricas defendem que é mais seguro manter os atuais critérios e que é necessário preservar os reservatórios, sobretudo num momento em que o setor elétrico enfrenta mais dificuldades de prover potência nos picos do consumo.
O tema ganha os holofotes sobretudo em meio a uma crise no mercado livre de energia, que tem sofrido com flutuações nos preços e judicializações de contratos. O prazo para a decisão sobre o Cvar vai até junho, mas a discussão pode avançar na reunião de quarta (13/5), depois do encerramento em abril da consulta pública sobre o tema.
Renovação de concessões. Em evento com o presidente Lula (PT) e o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), 14 distribuidoras de energia elétrica assinaram os contratos de renovação de concessões na sexta-feira (8/5).
Sobrou espaço para baterias? A ofensiva articulada no Congresso Nacional, para suspender o 2º Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP) coloca de novo em evidência a disputa por espaço entre termelétricas e baterias, na garantia de potência ao sistema elétrico.
Preço do barril. O petróleo fechou em alta na sexta (8), apesar de encerrar a semana no negativo, em um mercado atento aos desdobramentos da guerra no Oriente Médio. As cotações reagiram ao aumento da tensão no Estreito de Ormuz, onde Estados Unidos, Irã e Emirados Árabes Unidos trocaram ataques, mesmo sob um cessar-fogo formalmente em vigor.
Peso da gasolina. A alta de 3,84% no preço da gasolina puxou a inflação no varejo medida pelo Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) em abril, segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV).
Sindicato condenado. A Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (SG/Cade) recomendou a condenação do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis e Lubrificantes do Distrito Federal (Sindicombustíveis/DF) e de seu presidente, Paulo Roberto Correa Tavares, por indução à uniformização de preços em postos de combustíveis do DF. Leilão da União adiado. A PPSA decidiu postergar o 6º Leilão de Petróleo da União em cerca de um mês, para 26 de agosto, na B3, em São Paulo, na expectativa de que o contexto da indústria global de óleo e gás se acalme, disse o diretor de Finanças e Comercialização da estatal, Samir Awad. Vantagem competitiva. O imposto de exportação sobre o petróleo bruto, instituído pelo governo federal via medida provisória, corrói a vantagem competitiva do país na atração de investimentos na indústria de óleo e gás, na visão do ex-CEO da Brava Energia e ex-diretor-geral da ANP, Décio Oddone, em entrevista ao estúdio eixos na OTC 2026. Judicializações no mercado livre de gás. Justiça libera Eneva de pagar taxa de fiscalização sobre comercialização de gás em São Paulo e abre precedente para novas judicializações sobre a cobrança – inclusive em outros estados. Leia na gas week. Opinião: Nordeste atrai projetos bilionários em hidrogênio verde, data centers e aço verde, mas gargalos na transmissão e contradições do governo federal sobre geração fóssil preocupam, escreve Darlan Santos, o presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne).