Setor elétrico de olho na decisão do CMSE sobre riscos que pode afetar preços

Setor elétrico de olho na decisão do CMSE sobre riscos que pode afetar preços
11 de maio de 2026

Reunião de quarta (13) pode avançar na discussão sobre critérios de aversão a risco

Por Gabriela Ruddy

 

NESTA EDIÇÃO. CMSE se reúne na quarta (13) e setor tem expectativa de redefinição de critérios de aversão ao risco que vai influenciar preço da energia.  As discussões sobre o espaço para a contratação de baterias após o leilão de reserva de capacidade.  Gasolina puxa inflação ao consumidor em abril.  PPSA adia leilão de óleo da União em meio a turbulência nos preços globais do petróleo.

Setor elétrico de olho na decisão do CMSE sobre riscos que pode afetar preços

O mercado de energia elétrica está de olho na reunião do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) desta semana, que pode definir o nível de aversão ao risco adotado na formação de preços de energia no país em 2027 e reduzir custos para os consumidores.

  • critério de aversão ao risco (Cvar) busca calibrar o despacho de usinas termelétricas e o uso das hidrelétricas, de modo a manter os reservatórios em um nível confortável, independentemente do volume de chuvas ou do consumo de energia.

Parte do setor considera que o atual modelo é muito conservador e defende uma flexibilização.

  • Em 2025 e 2026 foi adotado o parâmetro 15,40, que dá um peso de 40% aos 15% piores cenários hidrológicos.
  • O cálculo influencia a decisão sobre despachar termelétricas mais baratas antecipadamente, para preservar a água das hidrelétricas.

Representantes das comercializadoras e dos consumidores afirmam que é possível flexibilizar sem afetar a segurança do sistema.

  • Eles defendem a adoção do critério 15,30 e afirmam que isso poderia reduzir os preços da energia em 30%.
  • O atual critério gera R$ 5,4 bilhões a mais em gastos com térmicas, segundo cálculo divulgado por representantes de consumidores, comercializadores e geradores eólicos e cogeradores na semana passada.

Por outro lado, as operadoras das hidrelétricas defendem que é mais seguro manter os atuais critérios e que é necessário preservar os reservatórios, sobretudo num momento em que o setor elétrico enfrenta mais dificuldades de prover potência nos picos do consumo.

  • Afirmam que, ao cabo, flexibilizar os critérios pode reduzir os níveis de água das usinas e, em caso de menos chuvas, levar ao acionamento emergencial de termelétricas mais caras, o que representaria mais custos para os consumidores.
  • O assunto apareceu nas falas de diversos executivos do setor em teleconferências de resultados nos últimos dias. (MegaWhat)

O tema ganha os holofotes sobretudo em meio a uma crise no mercado livre de energia, que tem sofrido com flutuações nos preços e judicializações de contratos.  O prazo para a decisão sobre o Cvar vai até junho, mas a discussão pode avançar na reunião de quarta (13/5), depois do encerramento em abril da consulta pública sobre o tema.

  • O CMSE é coordenado pelo Ministério de Minas e Energia (MME) e também conta com a participação da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), além das agências reguladoras Aneel e ANP.

Renovação de concessões. Em evento com o presidente Lula (PT) e o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), 14 distribuidoras de energia elétrica assinaram os contratos de renovação de concessões na sexta-feira (8/5).

  • Outros dois contratos de renovação já tinham sido assinados no início do ano, totalizando R$ 130 bilhões em investimentos para a modernização da distribuição de energia em 13 estados até 2030.
  • Durante o evento, Lula criticou a Enel por não cumprir promessas de melhorias no atendimento a unidades consumidoras em suas áreas de concessão no Brasil.

Sobrou espaço para baterias? A ofensiva articulada no Congresso Nacional, para suspender o 2º Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP) coloca de novo em evidência a disputa por espaço entre termelétricas e baterias, na garantia de potência ao sistema elétrico.

  • O setor de BESS (sigla em inglês para armazenamento de energia por baterias) cobra do governo federal uma definição sobre o primeiro leilão da modalidade, previsto inicialmente para 2026, mas ainda sem data marcada. Entenda a disputa

Preço do barril. O petróleo fechou em alta na sexta (8), apesar de encerrar a semana no negativo, em um mercado atento aos desdobramentos da guerra no Oriente Médio. As cotações reagiram ao aumento da tensão no Estreito de Ormuz, onde Estados Unidos, Irã e Emirados Árabes Unidos trocaram ataques, mesmo sob um cessar-fogo formalmente em vigor.

  • O Brent para julho fechou em alta de 1,23% (US$ 1,23), a US$ 101,29 o barril. Na semana, o Brent caiu 6,36%.
  • No domingo (10/5), o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que a proposta apresentada pelo Irã para o fim do conflito é “totalmente inaceitável”. (G1)

Peso da gasolina. A alta de 3,84% no preço da gasolina puxou a inflação no varejo medida pelo Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) em abril, segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV).

  • O subitem já tinha liderado o ranking de maiores pressões no mês anterior, com avanço de 3,85% em março.

Sindicato condenado. A Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (SG/Cade) recomendou a condenação do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis e Lubrificantes do Distrito Federal (Sindicombustíveis/DF) e de seu presidente, Paulo Roberto Correa Tavares, por indução à uniformização de preços em postos de combustíveis do DF. Leilão da União adiado. A PPSA decidiu postergar o 6º Leilão de Petróleo da União em cerca de um mês, para 26 de agosto, na B3, em São Paulo, na expectativa de que o contexto da indústria global de óleo e gás se acalme, disse o diretor de Finanças e Comercialização da estatal, Samir Awad.  Vantagem competitiva. O imposto de exportação sobre o petróleo bruto, instituído pelo governo federal via medida provisória, corrói a vantagem competitiva do país na atração de investimentos na indústria de óleo e gás, na visão do ex-CEO da Brava Energia e ex-diretor-geral da ANP, Décio Oddone, em entrevista ao estúdio eixos na OTC 2026Judicializações no mercado livre de gás. Justiça libera Eneva de pagar taxa de fiscalização sobre comercialização de gás em São Paulo e abre precedente para novas judicializações sobre a cobrança – inclusive em outros estados. Leia na gas week.  Opinião: Nordeste atrai projetos bilionários em hidrogênio verde, data centers e aço verde, mas gargalos na transmissão e contradições do governo federal sobre geração fóssil preocupam, escreve Darlan Santos, o presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne).

Fonte: Eixos.com.
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