O setor de saneamento no Brasil deve começar o ano de 2026 bastante aquecido, à medida que grandes empresas do segmento devem acessar o mercado de capitais para importantes operações.
A assembleia legislativa do estado de Minas Gerais aprovou, nesta semana, de forma definitiva o processo de privatização da Copasa, uma das maiores empresas do setor no país.
Com a aprovação, o governo do estado de Minas Gerais poderá vender o controle da empresa, mas será obrigado a manter a chamada golden share, ação com poder de veto sobre decisões estratégicas. Além disso, os deputados determinaram que a venda de ações da Copasa deverá ser realizada de forma diluída, evitando que um determinado acionista concentre grande poder decisório na empresa.
Com a aprovação da assembleia, o governo do estado deverá contratar mais bancos para auxiliar no processo de estruturação da oferta de ações, uma vez que já contratou o Banco BTG Pactual para liderar o processo.
Agora, o governo vai analisar o formato da oferta de ações.
“Vamos discutir com os bancos agora qual seria uma participação acionária adequada nossa na empresa”, disse Mateus Simões, vice-governador de Minas Gerais, à BNamericas. O governo do estado planeja realizar a oferta de ações da empresa ainda no primeiro trimestre de 2026, segundo o vice-governador.
A Copasa é uma das maiores empresas de saneamento do Brasil. Segundo os números mais recentes, referentes ao terceiro trimestre, a Copasa atende 11,6 milhões de pessoas com serviços de água e 8,7 milhões com esgoto. A receita da empresa atingiu R$15,3 bilhões (bi) (US$2.78bi) no trimestre, uma redução de 5,3% em relação ao ano anterior.
A privatização da empresa tem atraído o interesse de grandes players do setor, como a Sabesp e a Aegea, além dos fundos de investimento como Perfin e Pátria, disseram à BNamericas executivos envolvidos na avaliação do ativo.
Outras operações
Além da privatização da Copasa, outras duas operações envolvendo empresas de saneamento devem movimentar o mercado de capitais brasileiro nos primeiros meses do próximo ano.
A BRK Ambiental pediu registro neste mês à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para realizar a venda de ações, por meio de uma oferta pública inicial (IPO), no mercado brasileiro.
“A oferta [de ações] está sujeita às condições dos mercados de capitais nacional e internacional, às devidas aprovações societárias aplicáveis referentes ao aumento de capital e à precificação, bem como aos registros pertinentes junto à CVM e à B3”, disse a empresa em comunicado.
A Brookfield Business Partners detém 70% da BRK, enquanto o FI-FGTS, fundo de investimento administrado pelo banco estatal Caixa Econômica Federal, controla o restante. A BRK atualmente está presente em 13 estados do país e em mais de 100 municípios, operando por meio de contratos de concessões e parcerias público-privadas (PPPs).
Segundo analistas de mercado consultados pela BNamericas, a oferta de ações da BRK Ambiental pode totalizar R$2,5bi, com parte dos recursos sendo embolsada pelos acionistas existentes e outra parte destinada a dar fôlego à empresa para participar de futuros contratos de PPPs e concessões de saneamento a serem oferecidos no país.
Paralelamente, a Aegea, uma das maiores empresas de saneamento do país, também está em processo de contratação de bancos na tentativa de realizar seu IPO no próximo ano. A empresa já contratou BTG Pactual, Morgan Stanley e Itaú BBA para coordenar o processo.
A Aegea, atualmente controlada pelo grupo Equipav (53%), pelo fundo soberano de Singapura GIC (34%) e pela holding Itaúsa (13%), quer levantar recursos no mercado de capitais para continuar com sua rápida expansão. A empresa tem sido, nos últimos anos, uma das mais agressivas na conquista de novos contratos de concessões e PPPs.
Atualmente, a empresa está presente em 892 cidades de 15 estados brasileiros, atendendo mais de 39 milhões de pessoas.
As ofertas de ações planejadas pelas empresas de saneamento também podem encerrar um período prolongado sem companhias acessarem o mercado local de renda variável.
Nos últimos anos, esse acesso tem sido dificultado pela elevada taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 15% por ano. Economistas projetam, para o próximo ano, uma queda dos juros para níveis próximos de 12%, à medida que a inflação no Brasil dá sinais de arrefecimento.
Investimentos
O setor de saneamento brasileiro é um dos segmentos com maior volume de investimentos, cenário que deve permanecer ao longo dos próximos anos.
O motor para esse cenário são os efeitos de uma regulação aprovada em 2020, que obrigou estados e municípios a atingirem até 2033 a universalização dos serviços de água e esgoto, sob pena de ficarem impedidos de acessar recursos do governo federal.
Diante dessas obrigações, muitos governos locais optaram por acelerar suas agendas de privatizações, concessões e PPPs para se adequarem às metas estabelecidas em lei, mas mesmo empresas estatais têm aumentado os investimentos para cumprir as exigências.
O conselho da Sanepar, empresa controlada pelo governo do estado do Paraná, aprovou essa semana um plano de investimentos de R$13bi para o período entre 2026 e 2030. Desse valor, R$6,75bi serão destinados à expansão e modernização dos sistemas de esgotamento sanitário, e o restante a iniciativas voltadas ao abastecimento de água, disse a empresa em comunicado.
Para 2026, o plano de investimentos da Sanepar totalizará R$2,62bi, comparado com um total projetado de R$2,36bi a serem realizados em 2025.
(A versão original deste conteúdo foi redigida em português)