Após um 2025 marcado por forte pressão sobre as ações de empresas de celulose, o Banco Safra identifica sinais de mudança no ciclo do setor. A avaliação da instituição é de “otimismo cauteloso” para 2026, com a expectativa de reversão do desempenho negativo recente, apoiada por uma recuperação gradual dos preços da celulose e por uma leitura mais defensiva do segmento de papel.
Nesse contexto, a Suzano surge como a principal aposta do banco para capturar um eventual novo ciclo de alta, enquanto a Klabin é vista como uma alternativa de proteção caso o mercado de celulose não corresponda às expectativas. Segundo o Safra, 2025 foi impactado por uma combinação desfavorável de dólar mais fraco e preços internacionais pressionados, o que afetou diretamente as cotações do setor. No ano, a Suzano acumulou queda próxima de 17%, a Klabin recuou cerca de 14% e a CMPC registrou desvalorização de aproximadamente 11%.
Apesar do cenário adverso, o banco avalia que “essa tendência se inverta”, sustentando uma visão positiva para o setor até 2026. A leitura é de que o mercado se aproxima de um fundo cíclico, criando espaço para recuperação tanto operacional quanto de valuation.
No mercado de celulose, os analistas observam que, após um ano de elevada volatilidade, os preços permaneceram abaixo de US$ 600 por tonelada durante grande parte de 2025, pressionados por riscos macroeconômicos e pela ausência de paradas programadas relevantes. Atualmente, o preço à vista em torno de US$ 564 por tonelada já tornaria cerca de 10% da capacidade global de celulose branqueada de fibra curta economicamente inviável, o que tende a estimular cortes de oferta, movimento que não se materializou no ano anterior.
“Vemos o mercado próximo de um fundo cíclico”, afirma o Safra, destacando que a demanda chinesa mais firme e as manutenções programadas contribuem para dar sustentação aos preços no curto prazo, em linha com anúncios recentes de reajustes.
Para 2026, o banco projeta uma recuperação gradual, com o preço da celulose branqueada de fibra curta na China estimado em US$ 574 por tonelada e o da celulose branqueada de fibra longa em US$ 701. A expectativa é de um reequilíbrio entre oferta e demanda, à medida que o crescimento da capacidade produtiva desacelera. Ainda assim, o Safra aponta riscos estruturais, como o avanço da integração chinesa e a disponibilidade de cavacos de madeira, que podem limitar uma valorização mais intensa.
Dentro desse cenário, a Suzano permanece como a principal escolha do banco. De acordo com o relatório, a companhia está “mais bem posicionada para um ciclo de alta do setor de celulose e papel”, uma vez que cerca de 85% do seu EBITDA está atrelado à celulose de fibra curta. O Safra também destaca a geração de caixa e os múltiplos atrativos, com a ação negociando abaixo da média histórica.
Com isso, o banco mantém recomendação de desempenho superior, preço-alvo de R$ 68 e retorno total estimado ao acionista de 33%, apoiado por um fluxo de caixa livre médio projetado em torno de 13% entre 2026 e 2028.
A Klabin, por sua vez, ocupa papel complementar na estratégia do Safra. Embora também possa se beneficiar de uma recuperação da celulose, a empresa se diferencia pela diversificação e pela maior resiliência dos negócios de papel e embalagens. O banco reitera recomendação de desempenho superior, com preço-alvo de R$ 23,90 e retorno total estimado de 28%, apoiado pela melhora esperada nos resultados desses segmentos e pela possibilidade de alta nos preços do kraftliner após fechamentos de fábricas nos Estados Unidos.
“A Klabin é nossa opção preferida no setor de Papel e Embalagens para proteção contra quedas caso os preços da celulose não atendam às nossas expectativas”, afirma o Safra.
Já a CMPC, empresa chilena listada na Bolsa de Santiago, é apontada como a menos atrativa entre as companhias cobertas na América Latina. O banco mantém recomendação neutra, citando desafios relacionados à alavancagem, menor retorno esperado e riscos associados a um novo ciclo de investimentos. “Os desafios de alavancagem e o carry relativamente baixo nos impedem de sermos otimistas”, resume o Safra.
Na avaliação do banco, 2026 pode marcar um ponto de virada para o setor de celulose, após um período prolongado de pressão sobre preços e ativos.