Se nada for feito, nem geração centralizada dará conta, alerta assessora do ONS

Se nada for feito, nem geração centralizada dará conta, alerta assessora do ONS
27 de junho de 2025

Se nada for feito, nem geração centralizada dará conta, alerta assessora do ONS

Executiva afirma que curtailment é um problema energético e que a solução passa pela participação de todos os agentes do setor

A assessora executiva da Diretoria de Planejamento do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico), Sumara Ticom, fez um alerta contundente nesta quarta-feira (25) durante o Greener Summit 2025: “a situação hoje não é sustentável”.

Segundo ela, o avanço dos cortes na geração de energia, conhecido como curtailment, não é mais um problema relacionado à transmissão — como muitos profissionais do setor acreditam —, mas sim a um fenômeno energético que tende a se agravar.

“Mesmo que a transmissão fosse infinita, o curtailment energético aconteceria. O último relatório que ONS emitiu mostra exatamente essa evolução ao longo dos anos até 2029”, disse.

Segundo Sumara, a transmissão foi um gargalo crítico logo após o blecaute que deixou mais de um terço dos brasileiros sem acesso à energia elétrica em agosto de 2023, mas ressaltou que esse problema já foi mitigado com a entrada de novas obras no SIN (Sistema Interligado Nacional).

“O que temos hoje é um corte predominantemente energético, que só cresce ano após ano, enquanto os cortes por confiabilidade estão reduzindo”, destacou ela.

A profissional também rebateu críticas de que o ONS estaria tentando frear o avanço da geração distribuída no país. “Isso não tem nada a ver com geração distribuída. Nosso olhar é exclusivamente operacional”.

A executiva salientou que se nada for feito, chegará um momento em que o país terá que cortar toda a geração centralizada para não perder o controle da frequência do sistema. “Se não tivermos uma equalização desse curtailment em todas as fontes, não vai adiantar cortar toda a geração centralizada, porque não vai ser suficiente. O risco é de blackouts”, disse ela.

Segundo Sumara, é importante que o setor de geração distribuída entenda os fenômenos elétricos e operacionais para que possa contribuir com o Operador. “A geração distribuída faz parte do sistema, e isso precisa ser entendido. O sistema é todo interligado, não tem como separar”.

Entre as alternativas tecnológicas, ela destaca o papel dos sistemas de armazenamento em baterias. “O BESS tem uma função muito ativa. Ele ajuda no portfólio energético, no atendimento à ponta e até na melhoria da dinâmica da rede. Mas também existem outras soluções, como usinas reversíveis e tecnologias de controle da transmissão”.

Atualmente, o avanço dessas soluções esbarra em questões regulatórias. Segundo ela, o Leilão de Reserva de Capacidade é o primeiro passo para destravar o uso do BESS no Brasil.  Paralelamente, o ONS trabalha na definição dos requisitos técnicos necessários para a operação segura dessas tecnologias no SIN (Sistema Interligado Nacional).

Sobre o diálogo com os reguladores, Sumara ressaltou ainda que as conversas com a ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) são constantes e produtivas. “Estamos trabalhando juntos. A ANEEL participa dos projetos e nós colaboramos oferecendo os insumos técnicos para que eles avancem na regulação”.

O recado final da representante do ONS foi claro: sem colaboração e sem evolução conjunta, nem mesmo a geração centralizada dará conta dos desafios que estão por vir no sistema elétrico brasileiro.

Fonte: Canal Solar.
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