Reciclagem de painéis solares no Brasil pode gerar retorno de R$ 3,18 para cada R$ 1 investido

Reciclagem de painéis solares no Brasil pode gerar retorno de R$ 3,18 para cada R$ 1 investido
3 de junho de 2026

Avaliação é de multinacional norueguesa que anunciou reciclagem integral de módulos solares danificados em usina no país

Por Antonio Carlos Sil

A multinacional norueguesa Scatec informou o mercado que passará a reaproveitar integralmente os materiais contidos em paíneis solares danificados durante a construção de seus projetos no Brasil, ampliando uma iniciativa que a companhia considera estratégica para a futura economia circular fotovoltaica.

O novo modelo será adotado na usina Rio Urucuia, empreendimento de 142,31 MWp em construção em Minas Gerais e previsto para entrar em operação ainda este ano.

Segundo a empresa, todos os painéis eventualmente avariados durante o transporte ou instalação serão encaminhados para um processo especializado capaz de recuperar 100% dos materiais presentes nos equipamentos.

A iniciativa representa um avanço em relação ao projeto desenvolvido pela companhia em 2025, quando cerca de 4.700 painéis foram reciclados com índice de reaproveitamento de 85%.

Materiais mais complexos

Até recentemente, os processos de reciclagem concentravam-se principalmente na recuperação de componentes mais simples, como vidro e metais.

Agora, a empresa afirma ter ampliado o escopo para incluir materiais tradicionalmente mais difíceis de reaproveitar. Entre eles estão plásticos, borrachas e outros componentes que normalmente representam um desafio adicional para a cadeia de reciclagem.

Segundo Ledjane Oliveira, coordenadora de Relações com Comunidades da Scatec e mestre em Engenharia de Materiais, a evolução tecnológica permitiu ampliar significativamente o aproveitamento dos resíduos gerados durante a construção das usinas.

A experiência acumulada em projetos anteriores, especialmente nas usinas de Mendubim, no Rio Grande do Norte, e Quixeré, no Ceará, foi utilizada como base para o desenvolvimento da nova etapa do programa.

Demanda futura

Embora o volume atual de painéis descartados seja relativamente pequeno, a companhia avalia que a questão ganhará relevância à medida que os primeiros grandes parques solares instalados no país se aproximarem do fim de sua vida útil.

A avaliação da empresa é que os aprendizados obtidos agora poderão ser importantes quando centenas de milhares de módulos precisarem ser substituídos nas próximas décadas.

Nesse sentido, a reciclagem deixa de ser apenas uma solução para resíduos ocasionais e passa a integrar o planejamento de longo prazo da cadeia fotovoltaica. A iniciativa também está alinhada à meta global da Scatec de alcançar emissões líquidas zero até 2040.

Benefícios ambientais

Os resultados obtidos na etapa anterior ajudam a dimensionar os potenciais ganhos ambientais da reciclagem.

De acordo com a companhia, a destinação dos módulos utilizados nas usinas de Mendubim e Quixeré evitou que mais de 420 metros cúbicos de resíduos fossem encaminhados a aterros sanitários.

Além disso, o processo impediu a emissão de 84,72 toneladas de dióxido de carbono equivalente. Para viabilizar a operação, os equipamentos foram transportados do Rio Grande do Norte para Minas Gerais, onde passaram por tratamento especializado.

Os materiais recuperados receberam diferentes destinações. Os metais seguiram para fundições, enquanto o vidro passou a ser utilizado na fabricação de produtos como tintas asfálticas e vidros temperados.

Economia circular

Um dos pontos destacados pela empresa envolve o reaproveitamento dos metais presentes na estrutura dos módulos solares, especialmente componentes que contêm chumbo, estanho, cobre e prata.

A retirada e recuperação desses materiais, aponta a empresa, reduz significativamente os riscos ambientais associados ao descarte inadequado dos equipamentos.

O chumbo recuperado, por exemplo, pode retornar à cadeia produtiva na fabricação de novos conectores ou ser utilizado em baterias automotivas. Já outros metais seguem para processos industriais diversos.

A empresa também destaca o potencial econômico da atividade. Dados indicam que cada real investido em reciclagem no setor fotovoltaico pode gerar retorno estimado de R$ 3,18.

Outro indicador aponta que, para cada 39 metros cúbicos de materiais reciclados, aproximadamente 13 toneladas de CO₂ equivalente deixam de ser emitidas.

Com cerca de 201 mil painéis previstos para a usina Rio Urucuia, a companhia vê a reciclagem integral dos módulos avariados como uma antecipação de um tema que tende a ganhar importância crescente à medida que a geração solar amadurece no Brasil e no mundo.

Fonte: Canal Solar.
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