Por Henrique Hein
O mercado fotovoltaico passa por uma fase de transformação, com a demanda por sistemas de armazenamento avançando de forma acelerada em diversas regiões do país.
Um estudo divulgado pela Solfácil mostra que o número de projetos de energia solar com baterias cresceu mais de 400% nos últimos dois anos no Brasil. No mesmo período, a procura por sistemas híbridos também registrou forte avanço, com alta de 250%.
O levantamento,com informações da base de dados da companhia, foi apresentado nesta segunda-feira (27), durante o Solfácil Summit.
O evento técnico da empresa, realizado em Fortaleza (CE), reuniu integradores e especialistas para discutir soluções híbridas e sistemas de energia solar com baterias.
De acordo com Eduardo Neubern, COO da Solfácil, o avanço do armazenamento se deve a uma série de fatores combinados, como a capacitação de profissionais.
“Isso contribuiu para o desenvolvimento de um ecossistema mais qualificado, capaz de ofertar soluções de maior valor agregado, com menos pressão por preço e mais foco na proposta técnica”, disse.
Em relação aos consumidores, o executivo destaca “o que vemos na prática é uma mudança no perfil da demanda: o consumidor de híbridos busca, antes de tudo, confiabilidade e autonomia energética, especialmente em regiões com maior instabilidade na rede, e não apenas economia na conta de luz”, pontuou.
Para Neubern, as baterias e sistemas híbridos já estão em uma curva clara de aceleração. “Isso indica um potencial relevante de expansão nos próximos anos”, complementou.
Por ter sido apresentado em Fortaleza (CE), o estudo também trouxe recortes específicos do mercado nordestino. Um dos principais destaques é o avanço no acesso ao crédito.
O mapeamento mostra que o número de sistemas fotovoltaicos financiados na região cresceu 85% entre 2023 e 2025, impulsionado principalmente pela redução nos custos.
No período, o ticket médio dos projetos recuou cerca de 34%, ampliando o acesso à tecnologia. Estados como Bahia e Pernambuco registraram quedas superiores a 35% no valor médio financiado.
Já em Alagoas, Ceará, Paraíba, Maranhão e Sergipe, as retrações ficaram acima de 30%. Mesmo nos estados com menor variação, como Piauí e Rio Grande do Norte, a redução superou os 20%.
O levantamento mostra ainda que o mercado nordestino segue fortemente concentrado no segmento residencial, responsável por cerca de 91,9% dos sistemas instalados em 2025.
O segmento comercial, por sua vez, representa pouco mais de 8%, indicando espaço relevante para expansão nos próximos anos, especialmente com o avanço das soluções com baterias.