Por Silvia Rosa
O processo de venda da Origem Energia, empresa de produção de gás natural e geração de energia controlada pela gestora Prisma Capital, está avançando e a etapa de assinatura de acordos de confidencialidade (NDAs) está prevista para ser concluída até o fim do mês, apurou o Pipeline.
A operação, que pode incluir a totalidade da empresa, é avaliada entre US$ 1,5 bilhão e US$ 2 bilhões e tem assessoria do Bradesco BBI. Alguns grupos nacionais como a Âmbar e Eneva chegaram a olhar o ativo, mas a Eneva já desembarcou, segundo fontes com conhecimento do assunto. Estrangeiros e fundos também negociam.
A empresa é hoje a quarta maior produtora de gás natural do Brasil, com uma produção média diária de gás de 1,45 mil metros cúbicos por dia e de 12,3 mil barris de óleo equivalente no primeiro trimestre. A Origem atua na exploração, estocagem e distribuição de gás liquefeito (LNG), além de geração de energia de energia via usinas termelétricas, com operações nos estados da Bahia, Alagoas, Rio Grande do Norte e Espírito Santo. Em Alagoas, a empresa tem a operação de escoamento conectada à malha da Transportadora Associada de Gás (TAG) e conta com um terminal de exportação em Maceió.
O negócio surgiu em 2016, quando a engenheira Luna Viana adquiriu o campo terrestre de Garça Branca, na Bacia do Espírito Santo. Em seguida, Luiz Felipe Coutinho, atual CEO, entrou como sócio e fez um aporte de capital para desenvolver o projeto. Em 2020, entrou um terceiro sócio, Nathan Biddle, e a gestora Prisma, que hoje controla a companhia com uma participação de 95,86%.
A companhia venceu projetos no leilão de reserva de capacidade (LRCap) e vai construir sete usinas com capacidade de 371 MW na região metropolitana de Maceió, que serão abastecidas com produção própria de gás.
Considerando a energia já contrata para 2029, quando as sete usinas devem estar em operação, a companhia deve atingir US$ 500 milhões a US$ 600 milhões de Ebitda. Em 2025, a Origem entregou um Ebitda de R$ 746,7 milhões, alta de 55% em relação a 2024, com receita líquida de R$ 1,8 bilhão.
O investimento previsto para a construção dessas usinas é de R$ 2 bilhões, que devem gerar um Ebitda anual estimado de US$ 180 milhões quando concluído o investimento.
Já na parte de estocagem, o investimento previsto é de US$ 100 milhões nos próximos três anos, para alcançar uma capacidade de um bilhão de metro cúbico dia de armazenagem.
Procurada, a Origem não comentou.