Pesquisadores usam resíduo urbano para produzir diesel verde de coco

Pesquisadores usam resíduo urbano para produzir diesel verde de coco
11 de abril de 2025

Grupo patenteou integração das etapas de decomposição e refino para produção do combustível

FONTE: Eixos.com.

LYON (FR) — Pesquisadores do Núcleo de Estudos em Sistemas Coloidais (Nuesc), vinculado ao Instituto de Tecnologia e Pesquisa (ITP) de Sergipe, estudam a produção de diesel verde a partir de coco verde. A fruta é um grande resíduo urbano na região litorânea do país.

Em Aracaju (SE), estudos mostram que cerca de 190 a 200 toneladas são geradas por semana desse passivo ambiental, segundo o coordenador do núcleo de pesquisa, Cláudio Dariva.

Com um quilo do vegetal é possível produzir aproximadamente meio litro de diesel. A biomassa gera outros coprodutos, como biogás e carvão. O último pode ser utilizado, por exemplo, na agroindústria, e para limpeza de água e purificação de esgoto.

A transformação da fibra do coco no combustível tem duas etapas principais: a decomposição da fruta em bioóleo e o refino para produção de combustíveis e outros derivados. O grupo patenteou, inclusive, a integração das duas etapas através de um reator, que já foi testada em pequena escala.

“São os mesmos combustíveis [que saem de uma refinaria de petróleo], nafta, querosene, diesel, lubrificantes, só que de origem renovável. Por isso que a gente aposta bastante nessa tecnologia como transição energética, porque realmente é uma transição. Nós usamos os mesmos processos, as mesmas coisas, mas estamos trazendo combustível de uma origem diferente da fóssil”, explica Dariva em entrevista à agência eixos.

Apesar de o diesel de coco ainda não ter sido testado em motores, os hidrocarbonetos produzidos são testados no laboratório de acordo com o teste de normas da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para produção de combustíveis, contou Dariva.

Economia circular do diesel verde de coco

Do ponto de vista econômico, a utilização do diesel verde de coco pode contribuir com a economia circular. Se a matéria-prima vier também de comunidades produtoras de coco, esses produtores se tornariam players da cadeia, destaca o coordenador.

Da perspectiva ambiental, ele tem uma intensidade de carbono menor que a do equivalente fóssil, já que o gás carbônico lançado à atmosfera pela queima do combustível foi compensado pela captura realizada pelas plantas durante a fotossíntese.

Viabilidade da comercialização do diesel verde de coco

O projeto ainda está em escala laboratorial, mas Dariva considera que o combustível pode ser viável comercialmente.

“Existe um apoio muito grande com o incentivo do governo que tem programas, como o Combustível do Futuro e o RenovaBio, que fomentam aumentar a escala e as plantas para a produção desses combustíveis a partir de biomassa”, afirmou.

O pesquisador considera que a indústria é “ávida” por processos para minimizar custos e produzir de forma mais sustentável. “Eu enxergo um caminho bom no futuro para nós implementarmos novas tecnologias, a exemplo do que estamos fazendo”, disse.

Diesel verde de algas

O Nuesc também estuda o desenvolvimento de diesel verde a partir de algas. Entre as vantagens da utilização desses organismos para produção de combustível está a possibilidade de produção de grande volume de biomassa em um espaço pequeno.

Além disso, para as algas crescerem, é necessário alimentá-las com nutrientes, que podem ser, por exemplo, oriundos do esgoto, afirmou o coordenador. Desse modo, elas fariam, também, parte da economia circular.

Voltar