Por Silvia Rosa
A empresa de gestão de resíduos Orizon anunciou a incorporação da Vital Engenharia Ambiental, que pertence ao grupo Queiroz Galvão, na maior aquisição já realizada pela companhia. A operação, antecipada pelo Valor, vai permitir à Orizon dobrar o Ebitda para R$ 1 bilhão, se consolidando como o maior player do setor na América Latina.
A transação será realizada por meio de troca de ações, em que a Orizon vai emitir 41,197 milhões de papéis em um aumento de capital privado. Após a emissão, os controladores da Orizon passarão a ter pouco mais do que os 30% que os Queiroz Galvão vão deter. O novo bloco inclui o CEO Milton Pilão Júnior, o presidente do conselho de administração, Ismar Assaly, e a gestora EB Capital, resultando num free float de 39%.
“Conhecemos a Vital há muitos anos e é a que mais tinha fit cultural com a Orizon no segmento e vai nos trazer uma complementariedade operacional”, disse Pilão, que espera no mínimo manter a taxa de crescimento média dos últimos três anos, de 40% para o Ebitda. A nova companhia nasce com receita líquida de mais de R$ 3 bilhões em 12 meses e lucro líquido acima de R$ 350 milhões.
Além da incorporação de 12 aterros, a aquisição vai permitir à Orizon uma gestão integrada de resíduos da coleta até a destinação final, exigência das PPPs. Serão absorvidos oito contratos de gestão integrada, entre eles com a cidade de São Paulo, o que representa a oportunidade de construir novos contratos com prazos mais longos para os 18 ecoparques atuais, destaca o CEO.
Milton Pilão, CEO da Orizon: Vital é a empresa com maior fit cultural com a Orizon para trazer complementariedade operacional — Foto: Gabriel Reis/Valor
“Essa união é orientada pela geração de sinergias e pelo compromisso com a excelência na prestação de serviços, com foco em um crescimento sólido e sustentável”, complementa André Câncio, responsável pelo portfólio de investimentos da família Queiroz Galvão.
Nos 30 aterros agora, a Orizon será responsável pela gestão de 14 milhões de toneladas de resíduos anuais – um aumento de 61% em relação ao atual – gerados por 40 milhões de pessoas em 15 estados, ou 18% da população brasileira. A Vital ainda tem mais quatro aterros greenfield que serão adicionados ao banco de lixo da Orizon.
A empresa ainda terá capacidade potencial de gerar aproximadamente 2 milhões de metros cúbicos por dia de biometano, se consolidando como maior produtor do gás a partir do lixo no Brasil. Apesar de atuar na coleta de esgoto, o foco das combinadas será produzir biometano, biogás e reciclagem de resíduos, para gerar crédito de carbono.
“A próxima fronteira de crescimento de energia renovável vem da reciclagem de resíduos e o biogás e biometano são grandes motores da transição energética”, diz Pilão. Com um Ebitda de R$ 520 milhões nos últimos 12 meses, a Vital foi avaliada em R$ 2,8 bilhões, com enterprise value de cerca de R$ 3 bilhões somando as dívidas, o que representa um múltiplo de 5,7 vezes.
Com o follow-on de R$ 635 milhões no começo do ano, quando a EB entrou na Orizon, e com a transação agora via troca de ações, sem queima de caixa, a alavancagem deve cair para abaixo de 2 vezes. A companhia não descarta novas aquisições, mas Pilão afirma que o foco agora é no crescimento orgânico e geração de sinergias com a integração das operações.
A consumação da transação está sujeita à obtenção das autorizações do Cade, bem como a aprovação em assembleia geral.