Por Gabriela Ruddy
NESTA EDIÇÃO. Relatório mensal da IEA mantém projeção de sobreoferta de petróleo, mas barril tem alta com tensões entre EUA e Europa. EUA precisam dobrar produção de energia para abastecer data centers e fábricas ligadas à IA, diz Trump. Ibama nega pedido de licenciamento da UTE São Paulo e encerra processo. Iconic adota corredor a biometano entre Rio e São Paulo para descarbonizar a logística rodoviária.
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Com um crescimento da oferta global de petróleo previsto para 2,5 milhões de barris/dia em 2026 e uma expectativa de expansão da demanda em 930 mil barris/dia, a Agência Internacional de Energia (IEA, em inglês) manteve a expectativa de uma sobreoferta no mercado este ano. A desaceleração do consumo de gasolina é um dos motivos que ajuda a manter a demanda pressionada, segundo o Oil Market Report da agência, divulgado na terça (21/1).
Do lado da oferta, a IEA destaca que o excedente global é sustentado pelo forte crescimento da produção desde o início de 2025, sobretudo em países de fora da Opep, que responderam por 60% da expansão no ano passado.
Para ficar de olho: a agência destaca uma forte recuperação da produção na Rússia em dezembro, apesar de o país ainda estar negociando petróleo e derivados com descontos no mercado internacional devido às sanções pela invasão à Ucrânia. As recentes turbulências geopolíticas na Venezuela e no Irã acrescentam incertezas quanto à capacidade desses países de manterem exportações no futuro.
Mesmo com as projeções de sobreoferta, o preço do barril subiu na quarta (21/1), em meio à elevada tensão entre EUA e Europa a respeito da Groenlândia.
Divisão das receitas. O presidente dos EUA, Donald Trump, disse, em discurso no Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça, na quarta-feira (21/9), que a Venezuela aceitou o acordo proposto e que o novo governo em Caracas dividirá a receita do petróleo com os EUA.
Produção da União. A produção de petróleo da União atingiu 174 mil barris/dia em novembro, considerando nove contratos de partilha de produção e os acordos de individualização da produção de Tupi, Atapu, Mero e Jubarte, resultado 3,8% inferior ao de outubro.
Fundo da Marinha Mercante. O BNDES aprovou o financiamento de R$ 1,981 bilhão para a Bram Offshore construir seis embarcações híbridas de apoio marítimo à produção offshore de petróleo e gás. As unidades serão afretadas pela Petrobras
Cisão do refino. A petrolífera portuguesa Galp focará na ampliação de seu negócio de exploração e produção a partir de campos de petróleo no Brasil e na Namíbia e poderá listar partes de sua recém-formada unidade de refino em alguns anos, disse seu co-diretor-presidente, João Diogo Marques da Silva (Reuters/Valor Econômico)Acordo Mercosul-UE. O Parlamento Europeu decidiu solicitar ao Tribunal de Justiça da União Europeia (UE) um parecer jurídico sobre a conformidade do acordo Mercosul-UE com os tratados do bloco, medida que, na prática, freia o avanço do processo de ratificação, segundo comunicados e documentos oficiais divulgados na quarta (21).Sem licença. O Ibama negou o pedido de licença prévia da Usina Termelétrica São Paulo, em Caçapava (SP), encerrando o processo de licenciamento ambiental. Os documentos apresentados pela empresa foram considerados insuficientes, como a certidão de uso e ocupação do solo vencida
Aquisição. A Superintendência-Geral do Cade aprovou, sem restrições, a aquisição pela Eneva da Rio Doce Geração de Energia. O principal ativo da Rio Doce é a titularidade de área e da licença ambiental prévia do projeto da termelétrica TermoLinhares, em Linhares (ES).Eleição na CCEE. A homologação do novo estatuto social da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), aprovado pela Aneel na terça-feira (20/1) e publicada no Diário Oficial da União de quarta (21/1) garante a continuidade do processo de indicação para selecionar os conselheiros de administração. Veja como ficou o estatuto. Agronegócio. A eletrificação total do agronegócio brasileiro é uma tendência para 2026, com a maior chegada das baterias ao país, além de intensificação da adoção da eletromobilidade.
Descarbonização da logística rodoviária. Joint-venture entre Ipiranga e Chevron no segmento de lubrificantes, graxas e fluídos, a Iconic deu início a um projeto-piloto para adotar um corredor azul, a biometano, entre Rio de Janeiro e São Paulo.
Opinião: Tratar o carbono como variável estratégica pode reduzir custos e gerar vantagem competitiva. Quem reagir apenas quando o sistema estiver plenamente ativo tende a pagar mais caro, escreve André Almeida Gonçalves, sócio e CEO do Tahech Advogados.