Oferta global de petróleo vai crescer 2,5 milhões de barris/dia em 2026, quase o triplo da demanda, indica IEA

Oferta global de petróleo vai crescer 2,5 milhões de barris/dia em 2026, quase o triplo da demanda, indica IEA
22 de janeiro de 2026

Agência Internacional de Energia confirma expectativa de sobreoferta de petróleo para 2026

Por Gabriela Ruddy

NESTA EDIÇÃO. Relatório mensal da IEA mantém projeção de sobreoferta de petróleo, mas barril tem alta com tensões entre EUA e Europa.  EUA precisam dobrar produção de energia para abastecer data centers e fábricas ligadas à IA, diz Trump.  Ibama nega pedido de licenciamento da UTE São Paulo e encerra processo. Iconic adota corredor a biometano entre Rio e São Paulo para descarbonizar a logística rodoviária.

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Oferta global de petróleo vai crescer 2,5 milhões de barris/dia em 2026, quase o triplo da demanda, indica IEA

Com um crescimento da oferta global de petróleo previsto para 2,5 milhões de barris/dia em 2026 e uma expectativa de expansão da demanda em 930 mil barris/dia, a Agência Internacional de Energia (IEA, em inglês) manteve a expectativa de uma sobreoferta no mercado este ano.  A desaceleração do consumo de gasolina é um dos motivos que ajuda a manter a demanda pressionada, segundo o Oil Market Report da agência, divulgado na terça (21/1).

  • A demanda da indústria petroquímica tem previsão de crescimento, mas essa expansão não será suficiente para compensar a queda da gasolina.

Do lado da oferta, a IEA destaca que o excedente global é sustentado pelo forte crescimento da produção desde o início de 2025, sobretudo em países de fora da Opep, que responderam por 60% da expansão no ano passado.

  • Em 2025, Brasil, Canadá, Estados Unidos, Guiana e Argentina dominaram o aumento da extração.
  • No Brasil, a Petrobras divulgou na semana passada que superou a meta estabelecida para 2025, com uma produção média de 2,4 milhões de barris/dia no ano.

Para ficar de olho: a agência destaca uma forte recuperação da produção na Rússia em dezembro, apesar de o país ainda estar negociando petróleo e derivados com descontos no mercado internacional devido às sanções pela invasão à Ucrânia. As recentes turbulências geopolíticas na Venezuela e no Irã acrescentam incertezas quanto à capacidade desses países de manterem exportações no futuro.

  • Entretanto, a IEA destaca que os dois países já vinham tendo dificuldades em manter os níveis das exportações nos últimos meses.
  • As vendas do petróleo iraniano no mercado internacional caíram 350 mil barris/dia de outubro para dezembro, finalizando o ano em 1,6 milhão de barris/dia. O país também está sujeito a sanções internacionais.
  • Já a exportação da Venezuela caiu de 800 mil barris/dia em dezembro para 300 mil barris/dia em janeiro, devido ao bloqueio da costa pelos Estados Unidos.

Mesmo com as projeções de sobreoferta, o preço do barril subiu na quarta (21/1), em meio à elevada tensão entre EUA e Europa a respeito da Groenlândia.

  • O Brent para março fechou em alta de 0,49% (US$ 0,32), a US$ 65,24 o barril.
  • Vale a leitura:

Divisão das receitas. O presidente dos EUA, Donald Trump, disse, em discurso no Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça, na quarta-feira (21/9), que a Venezuela aceitou o acordo proposto e que o novo governo em Caracas dividirá a receita do petróleo com os EUA.

Produção da União. A produção de petróleo da União atingiu 174 mil barris/dia em novembro, considerando nove contratos de partilha de produção e os acordos de individualização da produção de Tupi, Atapu, Mero e Jubarte, resultado 3,8% inferior ao de outubro.

  • A queda está ligada ao menor excedente de óleo no campo de Búzios, decorrente de paradas programadas na P-74 e no FPSO Almirante Barroso, além de serviços de manutenção na P-71, do campo de Itapu.

Fundo da Marinha Mercante. O BNDES aprovou o financiamento de R$ 1,981 bilhão para a Bram Offshore construir seis embarcações híbridas de apoio marítimo à produção offshore de petróleo e gás. As unidades serão afretadas pela Petrobras

  • A Bram utilizará recursos do Fundo da Marinha Mercante (FMM) para adquirir, até julho de 2028, seis embarcações a serem construídas.

Cisão do refino. A petrolífera portuguesa Galp focará na ampliação de seu negócio de exploração e produção a partir de campos de petróleo no Brasil e na Namíbia e poderá listar partes de sua recém-formada unidade de refino em alguns anos, disse seu co-diretor-presidente, João Diogo Marques da Silva (Reuters/Valor Econômico)Acordo Mercosul-UE. O Parlamento Europeu decidiu solicitar ao Tribunal de Justiça da União Europeia (UE) um parecer jurídico sobre a conformidade do acordo Mercosul-UE com os tratados do bloco, medida que, na prática, freia o avanço do processo de ratificação, segundo comunicados e documentos oficiais divulgados na quarta (21).Sem licença. O Ibama negou o pedido de licença prévia da Usina Termelétrica São Paulo, em Caçapava (SP), encerrando o processo de licenciamento ambiental. Os documentos apresentados pela empresa foram considerados insuficientes, como a certidão de uso e ocupação do solo vencida

  • O empreendimento da Termelétrica São Paulo Geração de Energia, tinha capacidade de geração prevista em 1,74 megawatts (MW), a partir de gás natural. Seria a maior térmica em funcionamento na América Latina.

Aquisição. A Superintendência-Geral do Cade aprovou, sem restrições, a aquisição pela Eneva da Rio Doce Geração de Energia. O principal ativo da Rio Doce é a titularidade de área e da licença ambiental prévia do projeto da termelétrica TermoLinhares, em Linhares (ES).Eleição na CCEE. A homologação do novo estatuto social da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), aprovado pela Aneel na terça-feira (20/1) e publicada no Diário Oficial da União de quarta (21/1) garante a continuidade do processo de indicação para selecionar os conselheiros de administraçãoVeja como ficou o estatutoAgronegócio. A eletrificação total do agronegócio brasileiro é uma tendência para 2026, com a maior chegada das baterias ao país, além de intensificação da adoção da eletromobilidade.

  • As soluções para o setor incluem utilização de sistemas híbridos com baterias, automação inteligente e eletromobilidade.

Descarbonização da logística rodoviária. Joint-venture entre Ipiranga e Chevron no segmento de lubrificantes, graxas e fluídos, a Iconic deu início a um projeto-piloto para adotar um corredor azul, a biometano, entre Rio de Janeiro e São Paulo.

  • Atualmente, 28% das viagens realizadas entre a região metropolitana de São Paulo e Duque de Caxias (RJ) já são feitas com carretas movidas ao combustível renovável.

Opinião: Tratar o carbono como variável estratégica pode reduzir custos e gerar vantagem competitiva. Quem reagir apenas quando o sistema estiver plenamente ativo tende a pagar mais caro, escreve André Almeida Gonçalvessócio e CEO do Tahech Advogados.

Fonte: Eixos.com.
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