O tamanho do desafio da Petrobras para atingir a meta de autossuficiência no diesel

O tamanho do desafio da Petrobras para atingir a meta de autossuficiência no diesel
5 de novembro de 2026

Redução da dependência de importações de combustível volta à pauta no mundo

Por Gabriela Ruddy

NESTA EDIÇÃO. PDE 2036 expõe o desafio da Petrobras para alcançar a autossuficiência em diesel; busca por segurança no abastecimento de combustíveis também ganha força na Europa, em meio às tensões geopolíticas.

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O tamanho do desafio da Petrobras para atingir a meta de autossuficiência no diesel

O Caderno de Refino e Infraestrutura de Abastecimento do Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE) 2036, publicado na terça (3/11) pela Empresa de Pesquisa Energética, indica parte do tamanho do desafio que a Petrobras terá pela frente para conseguir incluir no plano de negócios 2027-2031 a meta de autossuficiência em diesel, prometida pela presidente da estatal, Magda Chambriard, nos últimos meses.

  • O PDE aponta que a demanda de diesel A no Brasil vai crescer 19% entre 2026 e 2036.
  • Os projetos já previstos para o aumento do processamento no país são suficientes para ampliar a produção doméstica em apenas 13% no período, deixando ainda um saldo de importações líquidas do produto de cerca de 51 mil m³/dia em 2036.

Vale ressaltar que o horizonte do PDE vai até 2036, mas o diretor de Processos Industriais, William França, indicou que a estatal se prepara para a autossuficiência no produto até 2030.

  • Entre os projetos já incluídos no planejamento atual da estatal estão o Trem 2 da Rnest, o Complexo Boaventura e ampliações no atual parque, que devem ajudar a ampliar a produção de diesel em cerca de 330 mil barris/dia até o final da década.
  • Caso o aumento se confirme, já será maior do que o acréscimo que o PDE projeta.

Uma questão que pesa é o nível de utilização dos ativos. A EPE trabalha com fator de utilização de 86% em 2026 (janeiro a maio) e de cerca de 90% a partir de 2033.

O plano de negócios da Petrobras, que está em elaboração, indicará quanto da meta de autossuficiência em diesel se traduz em novos investimentos, projetos e prazos. A expectativa é de divulgação entre o final de novembro e o começo de dezembro.

  • Hoje a Petrobras fornece mais de 70% do diesel consumido no país.
  • A EPE ressalta que a expansão do refino deve ser analisada junto com medidas pelo lado da demanda, como a substituição e a diversificação das fontes de energia.

Logística também é desafio. O PDE alerta que trechos dos oleodutos Opasc, Osbra e Osplan I podem atingir ou se aproximar do limite de capacidade até 2036.

  • O estudo aponta ainda que a substituição gradual do S500 pelo S10, menos poluente, exige investimentos em hidrotratamento, hidroconversão e geração de hidrogênio.

Outros derivados. Entretanto, o PDE já indica que a dependência externa cai em quase todos os demais produtos refinados ao longo da próxima década

  • O Brasil também pode alcançar a autossuficiência em gasolina no médio prazo, devido a uma queda de 12% na demanda, influenciada por fatores como o maior maior uso de veículos elétricos e o aumento do teor de etanol.
  • No querosene de aviação, a dependência, hoje de 16%, deve ser eliminada, com a ampliação da produção nas refinarias nacionais e o mandato de combustível sustentável de aviação (SAF). Já no GLP, as importações caem para cerca de 6% da demanda em 2036.
  • Na nafta, a produção deve crescer cerca de 70%, e a dependência, de 54% para 27%.

Não é só no Brasil. O tema da redução da dependência das importações de combustíveis está retornando com força em todo o mundo, dado o aumento da busca por segurança energética em meio aos conflitos geopolíticos.

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Fonte: Eixos.com.
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