‘Nunca foi tão incerto investir em renovável no Brasil’, diz Araripe, da Casa dos Ventos

‘Nunca foi tão incerto investir em renovável no Brasil’, diz Araripe, da Casa dos Ventos
28 de janeiro de 2026

Mesmo em cenário complexo, companhia vai investir R$ 12 bi nos próximos dois anos

Por Maria Luíza Filgueiras 

Macroeconomia e especificidades setoriais aumentam a complexidade e imprevisibilidade de projetos de energia renovável no país. “Acho que nunca foi tão incerto investir em renováveis no Brasil como hoje”, diz Lucas Araripe, diretor-executivo da Casa dos Ventos.

“A lei nova ainda precisa ser regulamentada, há curtailment, os juros estão muito altos, o volume de capex necessário também é alto. No fim do dia, exige mais retorno dos projetos e isso vai para o preço”, emenda o empresário.

Mas não que isso impeça a companhia de investir. Entre o final do ano passado e o início deste ano, a Casa dos Ventos aprovou 2,1 gigas em novos projetos eólicos e solares, com construção prevista para 2026 e 2027 e início de operação no começo de 2028. O investimento é de R$ 11 bilhões a R$ 12 bilhões ao longo dos próximos dois anos.

Os projetos aprovados incluem 828 megas eólicos no Piauí, 630 megas eólicos no Ceará e 640 megas solar no Mato Grosso do Sul. A meta é atingir 6,4 gigas instalados até 2028 e ultrapassar 10 gigas até 2030, suportando a nova demanda de data centers, o desenvolvimento do produto de hidrogênio e o mercado de PPAs corporativos.

“O principal vetor do setor de energia nos próximos anos são os data centers”, diz Araripe. O país se beneficia da demanda por infraestrutura. “O país tem um grid super robusto, interligado, e na outra ponta, energia renovável, abundante e competitiva.”

A demanda tem sido acima das expectativas iniciais da companhia. A Casa dos Ventos fechou um megacontrato de fornecimento para um data center da ByteDance, dona do TikTok, que quer tratar dados que vêm de fora do país, que o empresário vê como tendência.

Serão cinco data centers no Complexo Industrial e Portuário do Pecém, no Ceará. “O Pecém é como se fosse uma zona franca, se você exporta algum produto ou serviço, então a gente tem ali uma tese interessante de ser um exportados de processamento de dados, de poder atingir outras regiões e países, com dados que chegam de fora e são devolvidos para o exterior”, explica.

Fonte: Pipeline Valor.
Voltar