A pressa virou um fator de risco e, ao mesmo tempo, uma moeda de troca no mercado global de data centers. Segundo a agência Moody’s, como a demanda elevada por esses espaços na corrida da inteligência artificial, alguns grandes inquilinos passaram a assumir riscos que tradicionalmente ficavam com os desenvolvedores, como incertezas na entrega de energia e de serviços públicos essenciais, para acelerar a entrada em operação das novas instalações.
A Moody’s estima que o consumo global de eletricidade dos data centers chegue a 600 TWh em 2026, um salto de 20% em relação a 2024, impulsionado principalmente por IA e computação em nuvem. A maior parte dessa capacidade já nasce pré-alugada para hiperescaladores, o que reduz o risco de vacância, mas aumenta a concentração de crédito em poucas contrapartes.
Outro detalhe é que, apesar do discurso de inovação, o gargalo está em algo bastante concreto: energia e GPUs. A oposição regulatória em algumas regiões, motivada pelo consumo de eletricidade e água, convive com a busca por novas estruturas legais para atrair data centers de IA. Ao mesmo tempo, o custo elevado das GPUs está empurrando desenvolvedores e usuários a buscar fontes alternativas de financiamento, mostrando que, na prática, o crescimento da IA depende tanto de capital intensivo quanto de silício e megawatts.
A estimativa da agência é que o mercado de data centers movimente US$ 3 trilhões em investimento no mundo todo nos próximos cinco anos.