Mais um ano de menor crescimento para a geração solar à frente

Mais um ano de menor crescimento para a geração solar à frente
11 de dezembro de 2025

Absolar prevê segundo ano seguido de queda nos investimentos em 2026

Por Gabriela Ruddy

NESTA EDIÇÃO. Geração solar fotovoltaica deve viver mais um ano de redução nos investimentos. União Europeia vê em acordo com o Mercosul oportunidade para garantir o acesso a minerais críticos. EUA tem primeiro leilão de áreas para exploração e produção no Golfo do México do governo Trump.

Mais um ano de menor crescimento para a geração solar à frente

Antes fonte de grande dinamismo para o sistema elétrico no Brasil, a solar fotovoltaica deve viver em 2026 o segundo ano seguido de redução nos investimentos.

  • A Absolar prevê que a instalação de novos projetos fotovoltaicos, tanto nas grandes usinas quanto nos sistemas de geração própria, vai cair 7% em 2026 em comparação com o 2025. Mas a desaceleração é puxada, sobretudo, pelos projetos de geração centralizada.
  • Ao todo, a fonte deve adicionar 10,6 gigawatts (GW) de potência instalada ao sistema, ante os 11,4 GW adicionados em 2025. Como comparação, em 2024 a expansão chegou a 15 GW.

Os projetos de geração solar centralizada vivem uma “tempestade perfeita” nos últimos anos, com o aumento de impostos para a importação de equipamentos e dificuldades ligadas à infraestrutura do sistema elétrico brasileiro, que persistem.

  • Um dos principais motivos para o menor apetite dos investidores são os cortes de geração (curtailment) nas grandes usinas, devido à baixa demanda e à falta de infraestrutura para o escoamento.
  • No caso dos sistemas de geração distribuída, a Absolar fala que as dificuldades de conexão dos projetos também têm prejudicado a expansão, em meio às discussões sobre incapacidade das redes e inversão de fluxo de potência.
  • Contribuem negativamente ainda o cenário macroenômico, com juros altos e volatilidade do dólar.
  • Relembre: Futuro nublado para geração solar no Brasil

O cenário indica uma espiral negativa, já que os menores investimentos também vão levar a uma redução na geração de empregos e na arrecadação associada aos sistemas de geração solar.

  • Se em 2025 foram registrados 396,5 mil novos postos de trabalho no setor, em 2026 o total deve cair para 319,9 mil.
  • Já a arrecadação do próximo ano está prevista em R$ 10,5 bilhões.

Apesar das dificuldades, os números seguem expressivos: os investimentos na fonte solar em 2026 devem chegar a R$ 31,8 bilhões.

E, mesmo que num ritmo menor, a expansão é contínua: a expectativa é que até o fim do próximo ano a fonte atinja 75,9 GW de potência no país.

  • Em novembro, apenas projetos de geração solar entraram em operação no Sistema Interligado Nacional (SIN).
  • Desde 2023, a fonte é a segunda maior em potência na matriz elétrica brasileira, atrás apenas das hidrelétricas.

Vale lembrar também que o cenário ainda pode ser revertido: uma das soluções para resolver o curtailment e viabilizar a continuidade da expansão da renováveis, a maior adoção de baterias no sistema pode ganhar tração a partir do próximo ano.

Orçamento da CDE em consulta. A Aneel abriu a consulta pública sobre o orçamento da Conta de Desenvolvimento Energético para 2026, inicialmente previsto em R$ 52,7 bilhões. O valor é 7% maior que os R$ 49,2 bilhões de 2025.

  • O aumento foi influenciado principalmente pela ampliação em 87,4% do subsídio à micro e minigeração distribuída.

Tarifa horária. A agência reguladora também abriu uma consulta pública sobre a aplicação automática da tarifa horária para os consumidores de baixa tensão com consumo mensal igual ou superior a 1 MWh. A proposta prevê implementação até o fim de 2026. Novos problemas em SP. A capital paulista registrou na quarta (10) problemas de falta de energia em cerca de 972 mil imóveis, que representam 12,9% das unidades atendidas pela Enel. A região foi afetada por fortes rajadas de vento desde a madrugada, com a entrada de um ciclone extratropical pelo Sul do país.

  • Até a tarde de quarta (10), as equipes da Enel São Paulo estavam trabalhando para restabelecer o fornecimento de energia

Combustíveis com geração solar. O Complexo Solar Irecê I, do grupo Electra Energia, foi autorizado a entrar em operação comercial na Bahia. Toda a energia será destinada à Refinaria de Mataripe, da Acelen, no regime de autoprodução.Etanol com CCS. O BNDES aprovou R$ 384,3 milhões para projeto da FS de captura e armazenamento de carbono (CCS) a partir da produção de etanol de milho em Lucas do Rio Verde (MT).

  • A unidade vai comprimir, injetar e armazenar CO2 nos reservatórios da Bacia dos Parecis, próximos à indústria.

Salto verde na indústria. O Brasil tem potencial de cortar até 60% das emissões de energia e indústria e virar um sumidouro de carbono até 2050. Mas o setor está desacelerando e esbarra em juros altos, incertezas geopolíticas e falta de sinais sobre minerais críticos. Veja os detalhes do estudo sobre a indústria verde brasileira na newsletter diálogos da transiçãoAcordo Mercosul-UE. A União Europeia enxerga o acordo comercial com o Mercosul como uma peça-chave para garantir o acesso a minerais críticos indispensáveis à transição energética, às tecnologias digitais e à autonomia estratégica do bloco.

  • Representantes do Parlamento e da Comissão Europeia destacaram em um webinar que o tratado abre uma janela para reposicionar a relação entre as duas regiões, com o Brasil no centro da estratégia de fornecimento de matérias-primas estratégicas.

Neutralidade climática. A presidência do Conselho Europeu e os representantes do Parlamento chegaram a um acordo provisório sobre a alteração da Lei Europeia do Clima, para introduzir a meta climática intermediária de redução de 90% nas emissões líquidas até 2040. De acordo com comunicado oficial, o acordo define áreas de “flexibilidade”.Regras mais frouxas. Sob pressão interna e externa, a União Europeia decidiu relaxar suas novas regras de sustentabilidade corporativas. Apenas as maiores empresas estarão sujeitas a auditorias em suas cadeias, o que libera cerca de 80% das companhias. A obrigação de apresentar plano de transição climática também caiu. ResetBarril oscila com geopolítica e juros. A cotação do petróleo subiu na quarta-feira (10/12), diante de ponderações sobre a possibilidade de fim do conflito entre Rússia e Ucrânia. Também contribuiu o anúncio de corte de juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano).

  • O Brent para fevereiro teve alta de 0,44% (US$ 0,27), a US$ 62,21 o barril.
  • Influencia o cenário, ainda, a situação dos estoques da commodity, que caíram 1,812 milhão de barris nos EUA na semana passada.

Leilão nos EUA. A BP, a Chevron e a Shell estão entre as principais vencedoras do leilão do governo dos Estados Unidos para direitos de perfuração de petróleo e gás no Golfo do México.

  • O leilão terminou com US$ 279,4 milhões em lances e foi o primeiro após mudanças nas regras propostas pelo presidente dos EUA, Donald Trump. (Valor Econômico/Reuters)

Petroleiros em greve. Os petroleiros do Sistema Petrobras aprovaram o início de uma greve a partir de segunda-feira (15), após a FUP considerar insuficiente a segunda contraproposta para o Acordo Coletivo de Trabalho de 2025. Segundo os sindicatos, a companhia não incluiu três dos pontos principais exigidos. Sobrevida para  a formulação. O relator do PL Antifacção (nº 5582/2025), Alessandro Vieira (MDB/SE), retirou da proposta a regulação da atividade de formulação de combustíveis, atividade suspensa pela ANP, e que esteve no centro das operações que investigam crimes e fraudes fiscais no mercado de combustíveisSessão vazia. A Comissão de Minas e Energia da Câmara avaliou apenas três dos oito itens da pauta. Foram aprovados os relatórios do projeto de lei que cria um programa substituto para o Luz para Todos, além do projeto de lei que exclui a energia nuclear do encargo da Reserva Global de Reversão (RGR), destinado a financiar melhorias do sistema elétrico.

Fonte: Eixos.com.
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