Por Sofia Schuck
Enquanto o Brasil recicla apenas entre 4% e 8% dos cerca de 90 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos gerados por ano, operações industriais automatizadas começam a ganhar protagonismo na tentativa de ampliar a eficiência da cadeia de reciclagem no país.
No embalo do Dia Mundial da Reciclagem, celebrado em 17 de maio, e da sanção recente da Lei 15.088/2024 que proíbe a importação de resíduos sólidos e rejeitos, empresas do setor vêm acelerando investimentos em tecnologia para fortalecer a capacidade nacional de reaproveitamento de materiais.
É nesse cenário que a Flacipel, braço de reciclagem, logística reversa e economia circular do Grupo Multilixo, vem ampliando sua operação em Guarulhos, na Grande São Paulo.
Considerada a maior planta de reciclagem da América Latina, a unidade ocupa uma área de mais de 20 mil metros quadrados e tem capacidade para processar até 8 mil toneladas de resíduos por mês.
Na prática, a operação funciona como uma linha industrial de triagem em larga escala. Sensores ópticos, lasers de precisão, separadores mecânicos e sistemas de inteligência artificial identificam e classificam mais de 130 tipos de materiais recicláveis, entre eles papel, plástico, vidro e metais ferrosos e não ferrosos. As linhas automatizadas conseguem atingir até 350 toneladas processadas por turno.
Segundo a empresa, o papel e o papelão representam a maior parte do volume reciclado diariamente, respondendo por cerca de 65% das toneladas processadas. Os plásticos somam aproximadamente 24%, enquanto os metais correspondem a cerca de 9% e o vidro representa outros 2%.
Parte dos resíduos restantes é transformada em Combustível Derivado de Resíduos (CDR), utilizado para abastecer a indústria cimenteira com energia renovável.
A expectativa do setor é que a nova legislação impulsione ainda mais a demanda por recicláveis nacionais. Ao restringir a importação de resíduos, a medida tende a estimular a busca por matéria-prima dentro do próprio mercado brasileiro, aumentando a valorização dos materiais reaproveitados e fortalecendo a cadeia da reciclagem.
“Reforçamos nossa posição como um ator chave para o avanço de uma economia circular sustentável”, afirma Silvio Urias, sócio-diretor do Grupo Multilixo.
Apesar do avanço tecnológico, especialistas apontam que o Brasil ainda enfrenta gargalos importantes para ampliar os índices de reciclagem, como baixa cobertura de coleta seletiva, desafios logísticos e falta de infraestrutura em diferentes regiões do país.
Além disso, grande parte da cadeia é sustentada pelo trabalho de catadores e cooperativas, que historicamente sustentam a atividade em condições muitas vezes precárias e informais.
No contexto nacional, operações automatizadas vêm sendo vistas como parte da estratégia para aumentar escala, rastreabilidade e eficiência no reaproveitamento de resíduos.