Maior planta de reciclagem da América Latina aposta em IA para ganhar escala no Brasil

Maior planta de reciclagem da América Latina aposta em IA para ganhar escala no Brasil
21 de maio de 2026

Em Guarulhos (SP), operação industrial da Flacipel tem capacidade para processar até 8 mil toneladas de resíduos por mês e separar mais de 130 tipos de materiais recicláveis

Por Sofia Schuck

Enquanto o Brasil recicla apenas entre 4% e 8% dos cerca de 90 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos gerados por ano, operações industriais automatizadas começam a ganhar protagonismo na tentativa de ampliar a eficiência da cadeia de reciclagem no país.

No embalo do Dia Mundial da Reciclagem, celebrado em 17 de maio, e da sanção recente da Lei 15.088/2024 que proíbe a importação de resíduos sólidos e rejeitos, empresas do setor vêm acelerando investimentos em tecnologia para fortalecer a capacidade nacional de reaproveitamento de materiais.

É nesse cenário que a Flacipel, braço de reciclagem, logística reversa e economia circular do Grupo Multilixo, vem ampliando sua operação em Guarulhos, na Grande São Paulo.

Considerada a maior planta de reciclagem da América Latina, a unidade ocupa uma área de mais de 20 mil metros quadrados e tem capacidade para processar até 8 mil toneladas de resíduos por mês.

Na prática, a operação funciona como uma linha industrial de triagem em larga escala. Sensores ópticos, lasers de precisão, separadores mecânicos e sistemas de inteligência artificial identificam e classificam mais de 130 tipos de materiais recicláveis, entre eles papel, plástico, vidro e metais ferrosos e não ferrosos. As linhas automatizadas conseguem atingir até 350 toneladas processadas por turno.

Segundo a empresa, o papel e o papelão representam a maior parte do volume reciclado diariamente, respondendo por cerca de 65% das toneladas processadas. Os plásticos somam aproximadamente 24%, enquanto os metais correspondem a cerca de 9% e o vidro representa outros 2%.

Parte dos resíduos restantes é transformada em Combustível Derivado de Resíduos (CDR), utilizado para abastecer a indústria cimenteira com energia renovável. 

A expectativa do setor é que a nova legislação impulsione ainda mais a demanda por recicláveis nacionais. Ao restringir a importação de resíduos, a medida tende a estimular a busca por matéria-prima dentro do próprio mercado brasileiro, aumentando a valorização dos materiais reaproveitados e fortalecendo a cadeia da reciclagem.

“Reforçamos nossa posição como um ator chave para o avanço de uma economia circular  sustentável”, afirma Silvio Urias, sócio-diretor do Grupo Multilixo.

Apesar do avanço tecnológico, especialistas apontam que o Brasil ainda enfrenta gargalos importantes para ampliar os índices de reciclagem, como baixa cobertura de coleta seletiva, desafios logísticos e falta de infraestrutura em diferentes regiões do país.

Além disso, grande parte da cadeia é sustentada pelo trabalho de catadores e cooperativas, que historicamente sustentam a atividade em condições muitas vezes precárias e informais. 

No contexto nacional, operações automatizadas vêm sendo vistas como parte da estratégia para aumentar escala, rastreabilidade e eficiência no reaproveitamento de resíduos.

Fonte: exame.
Voltar