Por Felipe Dantas
Maior obra de infraestrutura do Brasil na área de energia, o linhão Graça Aranha–Silvânia, estimado em cerca de R$ 20 bilhões, entra no radar internacional com o apoio do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), conhecido como Banco dos BRICS. O empreendimento de transmissão vai ligar os estados de Goiás e Maranhão em um traçado de aproximadamente 1.500 quilômetros, reforçando o sistema elétrico nacional e abrindo espaço para a entrada de novas fontes renováveis na matriz brasileira.
O linhão Graça Aranha–Silvânia é apontado como o maior empreendimento de transmissão de energia já licitado no país, tanto pelo volume de investimentos quanto pela extensão territorial. Com cerca de 1.500 km de linhas, a obra aumenta a capacidade de escoamento de energia entre Norte/Nordeste e Centro-Oeste, regiões com grande potencial eólico e solar.
Além de reforçar fisicamente a rede, o projeto é visto como peça-chave para a expansão de usinas renováveis ainda em planejamento. Ao criar um novo “corredor elétrico”, a infraestrutura reduz gargalos que atrasam a entrada de novos parques de geração e amplia a flexibilidade operacional do Sistema Interligado Nacional.

Imagem ilustrativa da obra Graça Aranha – Silvânia – Foto: Arte/State Grid
O Banco dos BRICS tem ampliado sua atuação no financiamento de projetos estruturantes em países emergentes, com foco em infraestrutura, inovação tecnológica e transição energética. Sob a presidência de Dilma Rousseff, o NDB prioriza iniciativas que combinem desenvolvimento econômico, responsabilidade ambiental e inclusão social.
No Brasil, o linhão Graça Aranha–Silvânia foi destacado por Alexandre Silveira como um dos projetos aprovados pelo banco, ajudando a reduzir o custo médio de financiamento e alongar prazos. Em geral, a participação do NDB se soma a bancos brasileiros, em estruturas conjuntas que repartem riscos e fortalecem a previsibilidade dos investimentos. Veja os detalhes da participação do BRICS:
A reunião em Xangai reforça o alinhamento entre o governo brasileiro e o NDB em torno de uma agenda de investimentos sustentáveis. A transição energética passa a ser tratada como estratégia de competitividade econômica, reduzindo emissões, atraindo indústrias mais eficientes e tornando a matriz elétrica mais diversificada.
Para o governo federal, a prioridade é combinar planejamento de longo prazo, segurança institucional e previsibilidade regulatória. Esse ambiente é essencial para atrair capital internacional disposto a financiar projetos bilionários de infraestrutura limpa, em sinergia com a Política Nacional de Transição Energética.
Com a entrada em operação do maior linhão em implantação no país, espera-se reforço significativo na capacidade de transporte de energia entre regiões, reduzindo riscos de sobrecarga e melhorando a gestão de intercâmbios entre subsistemas. Essa infraestrutura é crucial para sustentar o crescimento do consumo ligado à indústria, ao agronegócio e à urbanização.
No campo socioeconômico, a combinação entre financiamento internacional e foco em infraestrutura limpa tende a gerar efeitos de médio e longo prazo. Municípios atravessados pelo traçado costumam receber investimentos em obras de acesso, serviços e capacitação de mão de obra, estimulando inovação e desenvolvimento regional. Veja como a região deve ser impactada:
ÁreaImpactosSistema elétrico• Reforço da transmissão entre Nordeste e Centro-Oeste/Sudeste • Aumento da confiabilidade e da segurança do SIN • Redução de gargalos e riscos de sobrecarga • Melhor escoamento da geração renovável (especialmente eólica e solar)Economia nacional• Diminuição do custo da energia no médio e longo prazo • Redução do despacho de usinas térmicas mais caras • Maior eficiência na integração entre regiõesEconomias regionais• Estímulo a novos investimentos industriais e do agronegócio • Geração de empregos diretos e indiretos durante obras • Fortalecimento da infraestrutura energética em áreas estratégicasTransição energética• Apoio à expansão de fontes renováveis no Nordeste • Redução de emissões associadas à matriz elétrica • Maior flexibilidade operativa do sistemaCompetitividade• Aumento da atratividade do Brasil para investimentos produtivos • Maior previsibilidade no fornecimento de energia
O linhão dialoga diretamente com novos projetos eólicos e solares, além de iniciativas de modernização de redes e digitalização do setor elétrico. Ao viabilizar a conexão de usinas em áreas remotas, a obra reduz perdas, melhora a qualidade do serviço e aumenta a resiliência do sistema frente a variações climáticas.
A linha integra o sistema nacional como um todo, mas foi desenhada para facilitar o escoamento de novas fontes renováveis nas regiões atendidas. Projetos dessa escala costumam prever possibilidade de reforços futuros, acompanhando o crescimento da geração limpa e da demanda de longo prazo.