Linha de Transmissão Manaus–Boa Vista integra Roraima ao sistema elétrico nacional

Linha de Transmissão Manaus–Boa Vista integra Roraima ao sistema elétrico nacional
14 de dezembro de 2025

A conclusão da Linha de Transmissão 500 kV Manaus–Boa Vista marca um capítulo histórico para a infraestrutura brasileira: o fim do isolamento energético de Roraima, único estado que ainda não era integrado ao Sistema Interligado Nacional (SIN) e agora passa a contar com energia limpa, estável e econômica. A obra, com participação das empresas Alubar, Brametal e Tabocas, atravessa 724 km na Floresta Amazônica com 1.390 torres de transmissão, estabelecendo um feito inédito tanto em complexidade técnica quanto em responsabilidade socioambiental.

Após 18 meses de execução, a linha vai gerar uma economia anual de R$ 600 milhões ao sistema elétrico e a redução de 1,5 milhão de toneladas de CO₂ por ano. “Esse projeto mostrou que é possível vencer a floresta sem danificá-la. É um marco para o desenvolvimento do Brasil e para a forma como podemos levar progresso e oportunidade econômica a qualquer região do país”, afirma Maurício Gouvea dos Santos, CEO do Grupo Alubar.

Inovação para preservar

O principal desafio do projeto foi executar uma obra dessa magnitude sem desmatamento. Para isso, as três empresas desenvolveram soluções inéditas que aliaram engenharia e sustentabilidade. A Alubar, responsável pelo fornecimento dos cabos de transmissão, criou um modelo de cabo de alumínio mais leve e resistente, capaz de reduzir a carga sobre as torres e, assim, minimizar o impacto na floresta. “Produzimos e transportamos 17.600 toneladas de cabos elétricos, em um esforço logístico que percorreu dias de navegação pelos rios amazônicos até os pontos de instalação”, conta Santos.

Já a Brametal, a maior fabricante de torres treliçadas para transmissão, distribuição e geração de energia das Américas, também inovou. Considerando as condições climáticas locais, a empresa aplicou uma proteção anticorrosiva especial às estruturas, por meio de um processo de galvanização por imersão a quente, garantindo maior resistência e durabilidade às torres. “Foram mais de 12 meses para a produção de 1.390 torres, que foram transportadas por balsas e carretas. Um desafio de logística e sinergia entre equipes”, comenta Alexandre Schmidt, CEO da Brametal. Segundo o executivo, as torres da Brametal são fabricadas em aço 100% reciclável, o que reduz o impacto ambiental e assegura que, no futuro, essas estruturas possam ser reaproveitadas integralmente, em uma engenharia pensada para durar e preservar.

Para a Tabocas, responsável pela execução de 551 km da obra, o principal desafio do projeto foi o trecho de 126 km dentro da Terra Indígena Waimiri-Atroari. Com foco em garantir o mínimo impacto ambiental, a empresa desenvolveu soluções inéditas de engenharia e operação. “Para não desmatar e evitar tocar na copa das árvores, elevamos à altura das torres para 100 metros/média. Também usamos drones de carga, capazes de transportar até 40 quilos, para lançar os cabos sem tocar na vegetação, algo nunca feito nessas proporções. Esse projeto é um marco técnico e ambiental que no passado era inimaginável”, destaca Caio Barra, CEO da Tabocas.

No total, foram 10 mil toneladas de estruturas metálicas montadas sob rigoroso controle socioambiental. Entre as soluções sustentáveis, a empresa também instalou uma estação de tratamento de afluentes em que todos os resíduos da obra eram tratados e reaproveitados no próprio canteiro.

Legado sustentável

Para a população de Roraima, o impacto econômico do projeto é imediato. “Estamos falando de hospitais, escolas e indústrias, que agora terão energia estável e limpa para a geração atual e as futuras. Esse é um exemplo do que o Brasil pode realizar quando une competência técnica e propósito”, ressalta Schmidt. “É um orgulho participar de um projeto que liga o último estado brasileiro ao sistema nacional, em uma obra emblemática que é a única do mundo a cruzar os dois hemisférios”, acrescenta Barra.

O registro dessa jornada foi retratado no documentário “LT Manaus-Boa Vista: A Última Fronteira do Desenvolvimento Energético”, disponível nos canais do YouTube de Alubar, Brametal e Tabocas.

Fonte: Valor Econômico.
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