Por Poliana Souto
A J&F anunciou nesta semana a integração de seus negócios de gás natural e energia no Brasil, com comando de Eduardo Antonello. O grupo passa a consolidar uma capacidade instalada de 6,3 GW no setor elétrico brasileiro.
A integração abrangerá também as áreas de suprimento de gás natural, comercialização de energia elétrica e gás, além de 59 usinas de geração de energia no Brasil. O portfólio também inclui um terminal de gás natural liquefeito (GNL) e uma estrutura de distribuição de GNL e gás natural comprimido (GNC).
“Isso nos garante um posicionamento único, principalmente nas regiões Sul e Sudeste do Brasil, aumentando a segurança de suprimento dos clientes da nossa comercializadora”, diz trecho do comunicado.
Eduardo Antonello é fundador da Golar Power, empresa de energia e gás natural, vendida em 2021 para a New Fortress Energy. Ele também participou da criação da Macaw Energies no Brasil e presidiu a Golar Power entre 2015 e 2020. Atualmente, ele é managing Partner da MGas Comercializadora, do grupo J&F.
Atualmente, a J&F detém em seu portfólio a Âmbar Energia, braço de geração, distribuição e comercialização de energia. A Âmbar possui duas distribuidoras e 59 usinas hidrelétricas, solares, a biomassa, a biogás e térmicas a gás natural, entre outras, além de 645 quilômetros de gasodutos e 68% de participação na Eletronuclear, empresa controlada pela Empresa Brasileira de Participações em Energia Nuclear e Binacional (ENBPar).
A Âmbar Energia acumula uma capacidade de geração de mais de 6,3 GW e está presente em dez estados do Brasil.
A J&F também é responsável pela Fluxus, compra em 2023 e após a compra, pela Fluxus, de ativos em produção na Argentina.
O grupo também comercializa gás natural nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul, por meio da MGas Comercializadora de Gás Natural.
Nesta semana, o diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) Willamy Frota, enviou ofício aos vencedores do leilão de reserva de capacidade em forma de potência, realizado em 18 de março, solicitando manifestação sobre os recursos apresentados pela Âmbar Energia.
As manifestações devem abordar os fatos alegados pela Âmbar e o conteúdo das notas técnicas da agência reguladora. Após o prazo, com ou sem contribuições, os recursos serão encaminhados para decisão final da diretoria colegiada da autarquia.
No início de abril, a área técnica da Aneel negou os recursos apresentados pela Âmbar contra o resultado do certame e contra o enquadramento de usinas no certame. Assim, os processos foram encaminhados para análise pela diretoria colegiada da agência.
A empresa pediu a revisão de resultados, com possibilidade de reenquadramento de usinas, reabertura de rodadas ou anulação de produtos do certame.
No caso da UTE Araucária II, a empresa alegou que o projeto, considerado novo, foi enquadrado como usina existente, o que reduziu o preço-teto aplicável e o prazo contratual. Segundo o recurso, isso teria ocorrido sem indicação prévia e sem possibilidade de defesa.
Já em relação à UTE Santa Cruz, a companhia questionou o bloqueio para ofertar energia no produto de 2027 após ter contratado parcela da usina no produto de 2026, alegando ausência de vedação no edital para participação em mais de um produto.