Por Poliana Souto
O grupo J&F iniciou o processo para comprar seis termelétricas do grupo Bolognesi, em uma movimentação que pode reforçar sua presença no segmento de geração de energia. O portfólio reúne usinas movidas a óleo combustível e diesel, além de projetos ainda em desenvolvimento, totalizando 1.115,03 MW de capacidade instalada.
O acordo prevê a aquisição da totalidade das ações das Sociedades de Propósito Específico (SPEs) Borborema Energética (169,08 MW), Maracanaú Geradora de Energia (168 MW), Central Energética Palmeiras (175,56 MW), Termelétrica Pernambuco III (200,79 MW) e das termelétricas Termopower V e VI (200,8 MW cada), atualmente controladas pelo grupo Bolognesi.
A operação foi submetida à análise do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e também deverá ser comunicada à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) após o fechamento da transação. Até o momento, o valor da operação não foi divulgado.
Para o órgão antitruste, a J&F afirmou que a negociação representa uma oportunidade de expansão de suas atividades no setor de geração de energia.
Já o grupo Bolognesi, destacou que a operação proposta está em linha com o processo de reorganização de seus negócios, focado no mercado de energia renovável que marcou o início da sua trajetória do setor elétrico.
Em nota enviada à MegaWhat, o grupo confirmou que celebrou acordo para a venda de ativos de geração termelétrica, operação que permanece sujeita às condições precedentes usuais para esse tipo de transação. O acordo foi assinado em março de
“A operação integra processo regular de gestão e reciclagem de ativos, e faz parte de uma estratégia do grupo de reposicionamento de portfólio em geração de energia limpa. A companhia permanece comprometida com o desenvolvimento de seus empreendimentos e com a ampliação de sua atuação no mercado de geração de energia elétrica”, diz trecho da nota.
Atualmente, a companhia tem uma hidrelétrica em desenvolvimento, sete PCHs no Rio Grande do Sul e dois parques eólicos no Rio Grande do Norte. A MegaWhat apurou que a venda faz parte da estratégia da companhia de direcionar investimentos para novos projetos, incluindo possíveis participações nos leilões de PCHs e de baterias, que podem ser integradas aos parques eólicos da empresa.
Situada em Campina Grande, no estado da Paraíba, a UTE Borborema Energética teve operação comercial suspensa pela Aneel em abril após a companhia declarar o projeto como indisponível, em 2025, por “restrição operativa e manutenção”, mantendo-se fora dos despachos do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).
A usina, que usa óleo combustível especial OCB1, tem autorização até dezembro de 2042.
Em fevereiro, a Aneel suspendeu a operação da UTE Maracanaú, que utiliza óleo combustível e está localizada na Cidade de Maracanaú, no Ceará. A usina não possui contratos de comercialização de energia no ambiente regulado (CCEARs) após o encerramento dos contratos em 31 de dezembro de 2024, nem custo variável unitário (CVU) válido. A usina tem autorização para operar até dezembro de 2042.
Na Cidade de Palmeiras de Goiás, no estado de Goiás, a Central Energética Palmeiras (Cepasa) usa óleo diesel para gerar energia, tem autorização até setembro de 2042 e não está operando.
Na cidade de Igarassu, no Pernambuco, a UTE Pernambuco III usa óleo combustível especial OCB1, tem autorização até Julho de 2044 e está em operação comercial.
Todas essas usinas foram cadastradas para disputar o Leilão de Reserva de Capacidade (LRCap), realizado em março, mas nenhuma saiu vencedora do certame.
As termelétricas Termopower V e VI ficaram de fora da disputa e estão em fase de desenvolvimento. De acordo com informações da J&F, os empreendimentos estão localizados no Pernambuco e na Paraíba e usam óleo para gerar energia.
A holding dos irmãos Batista atua no setor elétrico por meio da Âmbar Energia.
No mercado de geração termelétrica, o grupo possui usinas em diferentes regiões do país, incluindo ativos no Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Paraná, Santa Catarina, Rio de Janeiro, Goiás, Amazonas e Acre. Entre os principais empreendimentos, estão as termelétricas de Uruguaiana (639,9 MW), Cuiabá (529,2 MW), Candiota (350 MW), Araucária (484,15 MW) e Santa Cruz (500 MW), além de conjuntos de 12 usinas no Amazonas, que somam 1.559,50 MW.
O grupo também possui participação acionária na Eletronuclear, responsável pelas usinas nucleares Angra 1, Angra 2 e Angra 3, que somam 3.340 MW de potência outorgada, além de uma termelétrica de 826,78 MW localizada em Macaé, no Rio de Janeiro.
Neste momento, encontra-se sob análise do Cade a aquisição das termelétricas Distrito, Floresta, Monte Cristo Sucuba e Monte Cristo, localizadas no estado de Roraima e com potência outorgada de 305 MW. As usinas estão dentro do “pacote” de compra, pela J&F, da distribuidora Roraima Energia, que pertence à Oliveira Energia.
Na última semana, o Cade aprovou a aquisição da totalidade de ações de emissão da Roraima Energia pela J&F. Atualmente, a Oliveira Energia detém 99,99% do capital social da distribuidora enquanto 0,01% restante pertence a empregados e ex-colaboradores da companhia.
Pelo acordo, a Oliveira Energia irá adquirir essa participação minoritária antes do fechamento da operação, permitindo que a J&F assuma 100% do controle da Roraima Energia.