Indústria pressiona por leilão de eólicas offshore ainda em 2026

Indústria pressiona por leilão de eólicas offshore ainda em 2026
16 de junho de 2026

Demora na regulamentação trava estudos ambientais e investimentos em projetos de energia eólica offshore no Brasil

Indústria cobra decreto para garantir primeiro leilão de áreas para eólicas offshore em 2026.Concorrência é necessária para iniciar estudos e viabilizar futuros parques no mar.

Representantes da indústria eólica cobraram nesta terça (16/6) a publicação do decreto que completa a regulamentação da geração de energia offshore para viabilizar o primeiro leilão de áreas ainda em 2026. Prometido pelo governo para maio, o decreto está atrasado e o setor conta com as regras — e a definição da concorrência na costa brasileira — para planejar investimentos e dar o pontapé nessa tecnologia que já soma 92,5 GW instalados em 19 países.

“Esse leilão vai permitir que os investidores estudem as áreas para daqui a três anos terem uma licença ambiental, para depois terem um contrato e começarem a construir um parque eólico offshore”, explica Elbia Gannoum, presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica).

Durante audiência pública na Comissão de Infraestrutura do Senado nesta tarde, a executiva defendeu o desenvolvimento do setor como um vetor para industrializar o país, aproveitando sua vocação para energias renováveis.

Citando o Sistema Interligado Nacional (SIN) majoritariamente abastecido por renováveis, Gannoum afirma que as eólicas offshore irão contribuir para manter a renovabilidade da matriz elétrica, ao mesmo tempo em que garantem flexibilidade — já que as turbinas tendem a gerar mais energia à noite, quando há baixa na fotovoltaica.

“Nós estamos no momento certo, talvez até um pouquinho atrasados, para começar essa indústria que leva mais ou menos dez anos para amadurecer. E lá, nós teremos um outro Brasil”, diz.

“O Brasil precisa se industrializar e há muitos anos ele não encontra uma possibilidade tão grande de fazê-lo como agora”, completa.

134 GW no modo espera

À espera do decreto e do primeiro leilão de cessão de áreas, há mais de 134 GW em projetos com pedidos de licenciamento no Ibama, a maioria (62 GW) no Nordeste. Muitos deles já disputam uma mesma área.

“Tínhamos anteriormente 104 projetos solicitando licença ao Ibama. Atualmente temos 59. Isso não é porque o Ibama está demorando a dar a licença ou atrasando o processo. O Ibama rapidamente se prontificou, fez um termo de referência, abriu e os projetos estão solicitando licença. O que falta é o decreto”, pontua Roberta Cox, diretora presidente da Coalizão Eólica Marinha (CEM).

Lançada em abril deste ano, a CEM é uma coalizão de empresas do setor eólico offshore que assumiu como missão destravar a regulação para as cessões de área no Brasil. Também durante a audiência no Senado nesta terça, Cox cobrou a publicação das regras para cessão de área, inclusive para que as empresas possam fazer os estudos ambientais e de viabilidade e, consequentemente, destravar o licenciamento ambiental.

“Quando o empreendedor tiver a área, ele vai poder começar a levantar os dados, começar a estudar para poder fazer um documento e entregar para o Ibama”, afirma. “Precisamos do decreto, precisamos da cessão de área para ter os dados”, cobra presidente da CEM.

A coalizão tem entre os fundadores a associação internacional Global Wind Energy Council (GWEC), e as empresas Ocean Winds (OW), Mingyang, Windar e Ocêanica e busca conectar também governos estaduais, ONGs e universidades em torno da pauta. Nesta terça, a CEM anunciou a entrada do World Forum Offshore Wind (WFO), com objetivo de aproximar o país das experiências dos mercados mais maduros em eólica offshore.

No mundo, instalações perdem ritmo

Em 2025, 9,3 GW de nova capacidade eólica offshore foram conectados à rede em todo o mundo – o terceiro maior número de novas instalações, de acordo com o GWEC. A China segue na liderança pelo oitavo ano consecutivo, com 6,6 GW entrando em operação, enquanto a Europa comissionou quase 2 GW.

O levantamento do GWEC mostra que o mercado global da tecnologia cresceu em média 10% ao ano na última década, elevando o total de instalações para 92,5 GW, o que representou 7,1% da capacidade eólica global total no final de 2025. No entanto, o setor não está mais batendo recordes.

“Os obstáculos macroeconômicos (inflação, aumento das taxas de juros, restrições na cadeia de suprimentos e incerteza política) têm desacelerado a implantação justamente no momento em que ela precisa acelerar”, alerta a organização.

Curtas

E32 no CNPE. O Ministério de Minas e Energia convocou para 24 de junho a reunião do Comitê Nacional de Política Energética (CNPE) que vai debater o aumento na mistura de etanol à gasolina para 32%. O MME calcula que o E32 pode reduzir a necessidade de importação de gasolina em 454 milhões de litros.

Feito no Brasil. Petrobras e Finep lançaram, nesta terça-feira (16/6), um edital para o desenvolvimento nacional de um eletrolisador industrial para converter água em hidrogênio. O edital prevê um mínimo de 50% de conteúdo nacional e tem o objetivo de baixar os custos, além de desenvolver tecnologia inovadora em relação aos eletrolisadores produzidos fora do país.

Cooperação com Países Baixos. MME e Ministério de Assuntos Econômicos e Política Climática dos Países Baixos assinaram o plano de trabalho 2026-2028 definindo entre as ações prioritárias para a cooperação bilateral o desenvolvimento de setores como combustível sustentável de aviação e hidrogênio. Estão previstas missões internacionais sobre biorrefinarias.

Bônus de Itaipu. A diretoria da Aneel aprovou, nesta terça-feira (16/6), a mudança da distribuição do bônus de Itaipu Binacional para agosto. Até então o valor era distribuído em julho. A mudança não altera a metodologia central da tarifa nem dos valores de repasse.

Equinor recua em renováveis. O grupo norueguês de petróleo e gás reduziu ainda mais suas ambições em relação à energia renovável, abandonando a meta de capacidade instalada para 2030 e cortando os planos de investimento, segundo uma atualização de estratégia divulgada na terça-feira. (Reuters)

Expostas ao clima. Quase metade das crianças e adolescentes do mundo, o equivalente a 1,1 bilhão de indivíduos, está exposta a pelo menos três riscos climáticos, que ameaçam a sua saúde, educação e sobrevivência. Relatório do Unicef calcula que quase todas as crianças no mundo enfrentam pelo menos um risco climático, enquanto mais de 4 milhões podem sofrer até seis ameaças diferentes. (Agência Brasil)

Rede sustentável na Bahia. A Agência de Cooperação Internacional do Japão (JICA) assinou contrato de financiamento com a Neoenergia Coelba no valor de R$ 764 milhões para modernização da rede de distribuição de energia elétrica no estado. Foi o primeiro empréstimo da JICA no mundo vinculado a indicadores de desempenho de Sustentabilidade (Sustainability-Linked Loan-SLL).

Fonte: Eixos.com.
Voltar