Por Sofia Schuck
Um dos mercados mais promissores para data centers mais sustentáveis, o Brasil traz projeções animadoras de investimentos que podem chegar a até R$ 100 bilhões nos próximos quatro anos.
Impulsionado pela expansão da inteligência artificial e computação em nuvem, o setor vive um momento de forte expansão e vê na matriz energética brasileira renovável uma oportunidade para triplicar o consumo de energia de data centers no país até 2030.
Por outro lado, há um gargalo: a escassez de profissionais qualificados para atuar neste mercado, um reflexo do crescimento acelerado da infraestrutura digital.
É nesse contexto que uma coalizão global inédita foi lançada no Brasil para formar talentos e conectar profissionais a oportunidades no setor.
Liderada pela Equinix Foundation, braço filantrópico da Equinix, a iniciativa reúne empresas de tecnologias como Cisco, ODATA e Vertiv, além da organização sem fins lucrativos Generation.
No pilar social, a coalizão tem como um de seus principais pilares a inclusão econômica. O programa prioriza a formação de jovens e adultos de comunidades historicamente marginalizadas, ampliando o acesso a empregos qualificados em um setor de alta demanda e complexidade.
A proposta vai além da capacitação técnica. Os participantes recebem suporte para inserção no mercado de trabalho, conectando formação profissional a oportunidades reais de carreira, em um diferencial relevante em iniciativas de impacto.
“As formações em data centers não apenas respondem a uma demanda do mercado, mas também criam caminhos concretos de mobilidade social”, afirma Andrea Matsui, CEO da Generation Brasil.
As duas primeiras turmas estão previstas para 2026 e devem formar cerca de 50 profissionais para funções como técnico de operações, com apoio direto para empregabilidade.
A iniciativa também representa um novo modelo de governança. Além de financiar os treinamentos, as empresas da coalizão ajudam a desenhar os currículos com base nas demandas reais do mercado e se comprometem a contratar os profissionais formados.
O processo colaborativo busca reduzir o descompasso entre qualificação e empregabilidade, um dos principais entraves. Segundo as gigantes de tecnologia, a formação de mão de obra passa a ser um desafio que nenhuma empresa consegue resolver de forma isolada.
O avanço dos data centers no Brasil também traz implicações relevantes para a agenda climática, especialmente no pilar ambiental. Essas infraestruturas demandam grandes volumes de energia para operar, o que aumenta a pressão por eficiência energética e redução de emissões.
Ao mesmo tempo, o país desponta como uma oportunidade estratégica para operações mais sustentáveis. A matriz elétrica brasileira, majoritariamente renovável e forte presença de fontes hidrelétrica, eólica e solar, é vista como um diferencial competitivo em um setor globalmente pressionado a reduzir sua pegada de carbono.
As vantagens naturais posicionam o Brasil como um hub relevante para data centers mais sustentáveis, alinhando crescimento econômico e transição energética.
Além de atender à demanda local, a coalizão nasce com ambição internacional e deve ser expandida para outros países a partir de 2026, com o objetivo de criar uma rede global de formação de talentos para infraestrutura digital.
A iniciativa também abre espaço para novos parceiros, reforçando a colaboração entre empresas como estratégia para enfrentar desafios estruturais do setor.
Para a coalizão, a mudança desponta para a certeza de que a economia digital cada vez mais dependerá de investimentos coordenados em capital humano e inclusão social.