Guerra no Oriente Médio faz preço da ureia disparar e segue pressionando custos de fertilizantes no agronegócio

Guerra no Oriente Médio faz preço da ureia disparar e segue pressionando custos de fertilizantes no agronegócio
23 de abril de 2026

 Por Keila Andrade

O agronegócio brasileiro enfrenta um novo e severo desafio vindo do cenário internacional. A escalada dos conflitos no Oriente Médio, iniciada no primeiro trimestre de 2026, gerou um efeito dominó que atingiu em cheio o mercado de insumos.

preço da ureia, principal fertilizante nitrogenado utilizado nas lavouras, registrou uma alta expressiva, acompanhando a valorização do petróleo e as incertezas logísticas em rotas estratégicas.

Segundo análises recentes de consultorias especializadas e do Itaú BBA, o mercado global de fertilizantes opera sob forte pressão.

  • Fertilizantes estão cada vez mais escassos e caros no mundo por causa da guerra, e a Indonésia negocia a exportação de 1 milhão de toneladas para o Brasil, a Índia, a Tailândia e as Filipinas para tentar aliviar uma crise que já pressiona o agronegócio global
  • Mulher toca granja sozinha por anos, enfrenta rotina extrema com 30 mil aves, dorme no aviário para salvar pintinhos, até que filho assume em 2023 e dispara produtividade com gestão técnica moderna
  • Cada grau a mais na temperatura global reduz em 6% a produção de milho, arroz, soja e trigo, e um relatório da ONU alerta que o calor extremo já está reescrevendo o que os agricultores podem plantar, quando podem colher e se ainda conseguem trabalhar
  • Um tipo de solo que ocupa apenas 3% da Terra pode liberar mais carbono que todas as florestas do planeta, e cientistas alertam que a degradação das turfeiras pode transformar esse reservatório silencioso em uma bomba climática global

A combinação de oferta restrita em grandes polos produtores e o aumento vertiginoso nos custos de energia (especialmente o gás natural) criou um ambiente de alta volatilidade que preocupa produtores de soja, milho e cana-de-açúcar no Brasil.

Guerra no Oriente Médio faz preço da ureia disparar e segue pressionando custos de fertilizantes no agronegócio.

Por que a ureia lidera as altas no mercado de insumos?

A ureia é um dos fertilizantes mais sensíveis às crises geopolíticas que envolvem combustíveis fósseis. Isso ocorre porque o gás natural é a principal matéria-prima para a produção de amônia, que por sua vez é a base da ureia.

Contudo, com o preço do petróleo flertando com os US$ 100 e o gás natural em alta devido ao risco de interrupção de fornecimento no Golfo Pérsico, o custo de produção disparou.

No Brasil, os reflexos foram imediatos:

  • Preço por Tonelada: A ureia atingiu o patamar de aproximadamente US$ 760 por tonelada (CFR) em meados de abril.
  • Fator Risco: A aversão ao risco no cenário internacional faz com que fornecedores segurem estoques, diminuindo a oferta disponível para importação.
  • Logística: O encarecimento dos seguros marítimos e a necessidade de rotas mais longas para evitar áreas de conflito elevam o preço final que chega ao produtor brasileiro.

Fertilizantes fosfatados também sentem o impacto

Não foi apenas a ureia que subiu. Os fertilizantes fosfatados também registram forte pressão de alta. O principal motivo é a valorização do enxofre, um insumo essencial para o processamento desses nutrientes a todos os agricultores no geral.

De acordo com dados do mercado doméstico, os fosfatados como o MAP (Fosfato Monoamônico) avançaram cerca de 7% recentemente, atingindo o valor de US$ 890 por tonelada (CFR).

Embora a demanda agrícola no Brasil ainda seja gradual nesta época do ano, o medo de que os preços subam ainda mais tem antecipado algumas negociações por parte de grandes grupos agrícolas que buscam garantir o plantio da próxima safra.

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O papel do Oriente Médio na produção global

O Golfo Pérsico é um dos maiores hubs de exportação de fertilizantes do mundo. Países daquela região são responsáveis por uma fatia considerável da ureia e de outros derivados nitrogenados consumidos globalmente.

  1. Restrições de Oferta: Com o agravamento das tensões navais, as fábricas da região enfrentam dificuldades logísticas para escoar a produção.
  2. Custo de Energia Local: Mesmo os produtores do Oriente Médio sofrem com a realocação estratégica de recursos energéticos para fins militares ou de segurança nacional, reduzindo a eficiência industrial.
  3. Incerteza nas Rotas: O transporte por navios petroleiros e cargueiros de insumos tornou-se uma operação de alto risco, elevando o valor do frete internacional de forma generalizada.

Potássicos: O cenário de relativa estabilidade

Em contraste com os nitrogenados e fosfatados, o mercado de fertilizantes potássicos apresenta uma estabilidade maior, embora não esteja imune à crise.

A oferta global de potássio segue mais equilibrada, com grandes produtores como Rússia e Belarus mantendo seus fluxos comerciais, apesar das sanções e tensões em outras frentes.

No entanto, o agronegócio monitora de perto os custos logísticos!

Mesmo que o produto esteja disponível, o custo para trazê-lo até o interior do Brasil é impactado pela alta do diesel e das tarifas portuárias globais, o que pode refletir em altas residuais nos próximos meses.

Consequências para o produtor brasileiro e a inflação de alimentos

O aumento nos custos de produção é um “fantasma” que ronda o campo. Quando o fertilizante encarece, o produtor tem duas opções: reduzir a tecnologia (e consequentemente a produtividade) ou manter o investimento e repassar o custo para o preço final do grão.

  • Custos de Produção: Estima-se que os fertilizantes representem até 35% dos custos totais de uma safra de grãos.
  • Segurança Alimentar: A alta sustentada da ureia pode pressionar os preços do milho e do trigo, bases para a ração animal e para a indústria de panificação, gerando inflação nos supermercados.

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A estratégia de importação do Brasil frente à crise

O Brasil é altamente dependente de importações para suprir sua necessidade de fertilizantes (cerca de 85% do que é consumido vem de fora) portanto, o cenário de guerra no Oriente Médio expõe essa vulnerabilidade estrutural para a nossa terra.

Especialistas defendem que o país precisa acelerar projetos internos de produção nacional, como os previstos no Plano Nacional de Fertilizantes (PNF), para reduzir a exposição aos humores da geopolítica internacional.

Enquanto isso não ocorre, a solução tem sido a diversificação de fornecedores, buscando parcerias no Norte da África e na América do Norte para mitigar o risco do Oriente Médio.

Perspectivas para o segundo semestre de 2026

Para os próximos meses, a expectativa é de um mercado ainda ajustado. Se o conflito em Ormuz e em outras regiões do Oriente Médio persistir, os preços não devem ceder tão cedo.

Sendo assim, a tendência é que os preços se sustentem em patamares elevados, com volatilidade ditada por cada novo desdobramento militar na região.

Logo, o que o produtor deve fazer? Consultores sugerem cautela. O monitoramento diário das cotações e a estratégia de “compras escalonadas” podem ajudar a evitar os picos de preços.

Além disso, a otimização do uso de insumos através da agricultura de precisão torna-se ainda mais essencial para garantir a rentabilidade em tempos de insumos caros.

Fonte: Click Petróleo e Gás.
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