NESTA EDIÇÃO. Greve na EPE gera preocupação sobre calendário de leilões do setor elétrico.
O governo está avançando com os trâmites para a realização dos leilões do setor elétrico de 2026, mas a greve entre os trabalhadores da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) é um fator de risco para os cronogramas.
A estatal é responsável pelo cadastro e habilitação dos projetos, além da definição de parâmetros que subsidiam as concorrências.
Os funcionários da EPE entram em estado de greve por tempo indeterminado a partir de segunda (17/11).
As negociações com os trabalhadores estão tendo dificuldades de avançar, depois que o Ministério de Gestão e Inovação indicou que o limite para reajustes de salários e benefícios precisa ser igual para todas as estatais.
Os trabalhadores afirmam que vinham recebendo reajustes abaixo da inflação e menores do que os de outras estatais nos últimos anos.
A agenda de leilões do setor elétrico nos quatro primeiros meses do ano é intensa. Uma das concorrências mais aguardadas é o leilão de reserva de capacidade.
Na quinta (12), a EPE divulgou os preços de combustíveis que vão ser considerados para calcular o custo das usinas termelétricas nessa concorrência.
Esta semana também se encerra o prazo para o envio dos documentos para a habilitação no certame.
Prevista para 2025, a contratação já atrasou, devido à judicialização das regras iniciais.
Também está previsto um novo certame para linhas de transmissão, em março de 2026. O edital da concorrência foi aprovado pela Aneel ontem.
Há, ainda, a expectativa de realização do primeiro leilão de baterias do país, em abril. Esta semana, o MME abriu uma nova consulta pública com as regras propostas.
Vale lembrar que a expansão da transmissão e o armazenamento em baterias são duas das apostas para a redução de um dos principais problemas do setor elétrico no momento, os cortes de geração das usinas eólicas e solares, o curtailment.
Renovação das distribuidoras. A Aneel vai recomendar ao MME a prorrogação do contrato de concessão da Energisa Sergipe. A decisão foi tomada por unanimidade pela diretoria do regulador.
Aumento do consumo de energia. Também em meio ao processo de renovação da concessão, a Light estima que a atração de data centers pode dobrar o consumo de energia elétrica nos próximos cinco anos no Rio de Janeiro. A concessionária estima que a média pode chegar a 6 GW.
Oferta e demanda por petróleo. A Opep reafirmou sua previsão para o crescimento da demanda global pela commodity este ano, em 1,3 milhão de barris/dia. Para 2026, também manteve a projeção de alta na demanda.
Já para a oferta, o cartel elevou a previsão para o aumento da produção entre os países fora do grupo este ano em 100 mil barris por dia
Preço do barril. As estimativas da Opep de equilíbrio entre oferta e demanda em 2026 influenciaram as cotações e o petróleo fechou em queda na quarta (12/12). O movimento também foi influenciado por preocupações com o aumento da oferta global.
Troca de comando. A ANP aprovou a indicação de Marcus Werner para a Superintendência de Produção de Combustíveis (SPC). A área é responsável, entre outros temas, pela fiscalização do refino. Ele conduzirá os processos decorrentes da interdição da Refit.
Reforma tributária. O deputado Mauro Benevides Filho (PDT/CE), relator do segundo projeto de lei de regulamentação da reforma tributária, manifestou à agência eixos a intenção de alterar o texto aprovado pelo Senado e compensações para equilibrar a carga de impostos. As discussões passam pela monofasia da nafta.
Combate ao crime. A movimentação do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos/PB), para promover a agenda da segurança pública desagradou tanto a oposição bolsonarista quanto a base governista.
Mercado livre de gás. A Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de Mato Grosso do Sul (Agems) reduziu o volume mínimo necessário para enquadramento do usuário como consumidor livre de gás natural, de uma média de 10 mil m³/dia para 1 mil m³/dia.
Destaques da COP. Dez países assinaram, na quarta (12/11), uma Declaração sobre a Integridade da Informação sobre Mudanças Climáticas. O documento é inédito e estabelece compromissos internacionais para enfrentamento da desinformação climática e promoção de informações precisas e baseadas em evidências sobre mudanças do clima. Confira mais detalhes no Diálogos da Transição na COP30.
As negociações da conferência começaram sem a inclusão do artigo 9.1, que prevê que países ricos deverão disponibilizar recursos para auxiliar as nações em desenvolvimento na mitigação e adaptação às mudanças do clima. Segundo o diretor de Estratégia e Alinhamento da COP30, Túlio Andrade, o tema precisará ser discutido por mais tempo.
O governador da Califórnia, Gavin Newsom, afirmou na terça (11) durante a COP que a transição energética não é apenas uma questão ambiental, mas uma disputa global por liderança econômica e tecnológica. “Isto não é sobre energia elétrica, é sobre poder econômico”, declarou, durante uma coletiva de imprensa.
As diretoras da CCS Brasil, Nathalia Weber e Isabela Morbach, apontam que a conferência é uma oportunidade para o Brasil observar a experiência internacional e amadurecer sua estratégia de descarbonização. Para as executivas, o país ainda trata de forma tímida a captura e o armazenamento geológico de carbono.
BNDES, Bradesco e Fundo Ecogreen lançaram uma certificadora brasileira de créditos de carbono. Chamada Ecora, a iniciativa busca atender à crescente demanda por créditos de carbono no Brasil, e atuará em todos os biomas integrando o conhecimento das realidades regionais.
A Fortescue concluiu a engenharia do projeto de produção de hidrogênio verde e amônia verde no Porto do Pecém (CE) e está em conversas avançadas com os potenciais “epecistas” para a construção da planta, segundo o presidente da companhia no Brasil, Luis Viga
A agenda do setor privado brasileiro na COP30 está fortemente voltada para soluções baseadas na natureza e os biocombustíveis, afirma o presidente da Sustainable Business COP30 (SB COP), Ricardo Mussa.
Na avaliação do vice-presidente da Rystad Energy, Raphael Faucz, não há expectativas de que os países saiam da COP30 com metas mais ambiciosas de redução do consumo por petróleo e gás natural, que deve seguir resiliente até 2040.
Do lado da energia elétrica, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD/MG), anunciou a liberação de R$ 1,4 bilhão em investimentos para a realização de cerca de 43 mil novos atendimentos por meio do programa Luz para Todos em comunidades remotas e indígenas no Pará.