Goldman Sachs reforça alerta sobre escassez global de diesel após ataques a refinarias

Goldman Sachs reforça alerta sobre escassez global de diesel após ataques a refinarias
3 de setembro de 2026

Recentes ações militares no Oriente Médio e na Rússia reduziram a capacidade global de refino, que já estava sobrecarregada, afirmam analistas do banco em relatório

Por Nicholas Lua

Bloomberg — O Goldman Sachs intensificou os alertas sobre uma possível escassez no refino global, impulsionada pelas guerras no Oriente Médio e entre Moscou e Kiev, fazendo o banco mais que dobrar suas projeções de lucros globais com a produção de diesel.

“O aumento dos ataques a refinarias no Oriente Médio e na Rússia restringiu ainda mais a capacidade global de refino, que já se encontrava sobrecarregada, levando as margens dos produtos refinados a novas máximas”, afirmaram analistas, incluindo Yulia Zhestkova Grigsby e Daan Struyven, em um relatório. “O diesel continua sendo o epicentro da alta.”

As paralisações nas refinarias estão 60% acima das médias sazonais, e os estoques de produtos estão diminuindo, apesar da perda de parte da demanda, afirmaram eles.

O lucro com a produção de um barril de diesel em relação ao Brent será, em média, de US$ 63 nos Estados Unidos e US$ 49 na União Europeia no próximo ano, acima das previsões anteriores de US$ 27 e US$ 19.

O mundo enfrenta uma crise global de combustíveis, com os preços dos produtos — incluindo a gasolina — superando em muito os ganhos do petróleo bruto.

A escassez deve se agravar depois que a Rússia prorrogou a proibição de exportação de diesel até setembro e a demanda se recupera no Brasil, o segundo maior importador mundial.

Ao mesmo tempo, a aproximação do inverno no Hemisfério Norte deve impulsionar a demanda por combustível para aquecimento.

No Oriente Médio, embora as exportações de petróleo bruto do Golfo Pérsico provavelmente tenham retornado a 70% a 80% dos níveis pré-guerra, os embarques de derivados permanecem em apenas 40%, afirmaram os analistas do Goldman em nota de 28 de agosto. “Uma recuperação total da produção requer uma redução da tensão geopolítica global”, acrescentaram.

Nos mercados de futuros, o petróleo bruto Brent registrou alta de quase 50% neste ano e foi negociado pela última vez perto de US$ 91 por barril, devido a uma nova onda de agitação no Oriente Médio. Os futuros europeus de gasóleo, por sua vez, mais que dobraram de preço.

O Goldman Sachs tem sinalizado com frequência a escassez nos mercados de derivados nos últimos meses, afirmando em março que a guerra entre o Irã e os EUA deveria ter um impacto muito maior sobre os combustíveis do que sobre o petróleo.

No início deste mês, a instituição voltou a destacar o impacto dos ataques ucranianos à infraestrutura energética russa.

O diretor executivo da Shell, Wael Sawan, afirmou na semana passada que o mercado de produtos estava sendo pressionado pela “tripla ameaça” dos ataques às refinarias russas e dos riscos à navegação no Golfo Pérsico e no Mar Vermelho.

Enquanto isso, Patrick Pouyanne, da TotalEnergies, afirmou que, embora algumas cargas de petróleo bruto estivessem transitando pelo Estreito de Ormuz, nenhum produto refinado estava conseguindo sair.

Fonte: Bloomberg Línea.
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