“O ano de 2026 deverá se consolidar como o ano de maior investimento ferroviário”, disse Barreto. “E isso só com os investimentos contratados, sem contar renovação de FCA [ Ferrovia Centro-Atlântica, da VLI ], novas autorizações.”
Segundo ele, o aumento das obras é fruto do avanço de contratos firmados nos últimos anos e que começam a ganhar tração, como a renovação antecipada da Malha Paulista, da Rumo, e a da MRS, a construção da Fico (Ferrovia de Integração Centro-Oeste) pela Vale, entre outros.
O cálculo tampouco considera novos projetos que o governo federal planeja licitar neste ano. Para Barreto, há um momento positivo para o setor, com mais destaque a novas iniciativas e melhorias regulatórias.
Durable, reusable plastic pallets for demanding logistics. Stabilize loads and prevent damage in renewable energy, manufacturing, and distribution.
“O governo tentou beber na fonte da regulação do setor de rodovias. É um modelo regulatório mais moderno, pragmático, com mais compartilhamento de riscos e vem com uma diretriz de que, se há uma lacuna de VPL [Valor Presente Líquido, indicador que mensura a viabilidade de um projeto], é preciso aportar recurso público. No passado tentou-se ajustar planilhas para mostrar VPL positivo. Hoje há uma visão mais pragmática”, afirmou Barreto.
Por outro lado, ele também destaca os desafios, como a taxa de juros elevada e a dificuldade para atrair investimentos a projetos novos.
“É difícil falar se os projetos vão sair, mas se dos oito [na carteira federal] saírem dois, três, é um avanço importante.”
Além dos investimentos recordes, o setor ferroviário deverá computar a maior movimentação já registrada, com um total de 408 bilhões de TKU (tonelada por km útil), 2,81% maior do que no ano anterior, segundo balanço da ANTF.
Até então, o maior volume registrado havia sido em 2018, em que 407 bilhões de TKU foram movimentados. “Depois disso, houve uma queda grande pela interrupção de produção da Vale com a tragédia de Brumadinho, o que reduziu os volumes, porque minério é a principal carga da ferrovia. Mas ao longo desse tempo outras cargas têm puxado o crescimento”, disse Barreto.
A celulose representa apenas 2% do total movimentado, porém, com um crescimento grande, de 26,1% em 2025, na comparação com o ano anterior. “É uma carga que vem se consolidando muito no modal ferroviário, e vem crescendo a dois dígitos há 20 anos”, afirmou.
O setor de grãos também vem ganhando participação no modal. Em 2025, a soja respondeu por cerca de 6,5%. Nos granéis sólidos, de modo geral, tiveram aumento de 2,8% de movimentação em trilhos no ano passado, ainda segundo a ANTF. Minério, porém, segue a principal carga, com 67,7% do total.
Apesar dos avanços, tanto em investimentos quanto em movimentação, o setor ferroviário ainda enfrenta dificuldade para ampliar sua participação na logística do país. “O setor cresce 4%, mas o agro cresce 6%. Precisamos ter um ritmo de crescimento superior ao PIB [Produto Interno Bruto] para recuperar fatia de mercado. E fazer isso apenas com recurso público é difícil”, disse Barreto.