Ferrogrão: rota alternativa reduz capex e impacto ambiental

Ferrogrão: rota alternativa reduz capex e impacto ambiental
26 de março de 2026

O destino da Ferrogrão finalmente deve chegar a um desfecho após 14 anos de discussões. A ferrovia, um projeto greenfield de 933 km de trilhos entre Sinop (MT) e os portos fluviais do rio Tapajós no distrito de Miritituba, em Itaituba (PA), deverá ter seu edital de licitação em junho e leilão em setembro, conforme novo cronograma disponibilizado pelo Ministério dos Transportes.

De acordo com o Ministério dos Transportes, o capex, ou seja, o custo para a implementação da ferrovia, está estimado em R$33,3 bilhões e o opex, que são as despesas operacionais, é previsto em R$103,8 bilhões. Os trilhos serão de bitola larga, com 1,60 m, e a ferrovia contará com três locomotivas e 170 vagões. O contrato de concessão será de 69 anos. A estimativa do ministério é que a ferrovia, quando estiver em maturidade operacional, transporte por volta de 66 milhões de toneladas por ano.

Desde que veio a público, em 2012, o projeto enfrenta questionamentos sobre viabilidade econômica e impactos socioambientais. Na avaliação do consultor Claudio Frischtak, da Inter.B Consultoria, o sucesso da licitação é algo improvável de se concretizar. “Por várias razões, pode-se questionar a ideia de se construir a Ferrogrão. Existem motivos mais relevantes e que não se discute ainda, como por exemplo o custo muito elevado, a competição com outros modais com base na experiência do país e também no fato dela ser implantada numa região com muitas dificuldades.

Essa combinação de competição com outros modais e a dificuldade da ferrovia competir com os outros modais tem uma implicação muito importante do ponto de vista dela atingir uma taxa interna de retorno que faça sentido para os investidores.

A única forma de fazê-lo é com o governo colocando recursos em escala no projeto da Ferrogrão, cerca de R$30 bilhões de reais. Se isso não ocorrer, não houver recursos em escala, essa ferrovia não se sustenta do ponto de vista financeiro, portanto, a Ferrogrão só seria viável com forte subsídio estatal, mas o governo não tem recursos disponíveis para isso”, diz.

Fonte: Revista OE.
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