Por Thereza Martins
Fabricantes chinesas de sistemas de armazenamento de energia, como Jinko ESS e CATL, estão fechando parcerias com empresas brasileiras do segmento para nacionalizar projetos e garantir uma participação maior no leilão inédito para a tecnologia, marcado para dezembro.
A Jinko ESS, do grupo JinkoSolar Holding, anunciou no dia 31 de agosto, um memorando de entendimento com a UCB Power para explorar a nacionalização de sistemas de armazenamento de energia.
A ideia é que os projetos desenvolvidos em parceria possam atender aos requisitos de conteúdo local colocados para uma das duas contratações de baterias para o setor elétrico brasileiro, do dia 2 de dezembro, destinada exclusivamente para baterias “nacionais”. (Folha de S. Paulo – informações da agência Reuters)
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) apresentou, no dia 2 de setembro, no Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), os resultados das condições de atendimento eletroenergético para o horizonte até fevereiro de 2027.
O cenário superior apresenta condições hidrometeorológicas menos favoráveis, principalmente no Sudeste/Centro-Oeste, quando comparado ao estudo anterior. Contudo, a região, assim como o Nordeste, tem perspectiva de início do período úmido dentro da normalidade. No Norte, as vazões têm projeções mais moderadas. Para o subsistema Sul, seguem-se condições favoráveis por conta da precipitação.
O ONS levou previsões sobre os possíveis impactos do El Niño. Pelas projeções, em setembro, a indicação é chuva acima da média nas bacias da região Sul e próximas ao histórico nas regiões Sudeste/Centro-Oeste. As temperaturas podem oscilar entre a normal e acima da média em grande parte do país.
Ainda segundo os resultados apresentados, no cenário menos favorável, observa-se a expectativa de aumento da demanda de carga combinada a condições hidroenergéticas menos favoráveis, especialmente nas regiões Sudeste/Centro-Oeste e Norte. Nesse contexto, há o indicativo de despacho da totalidade dos recursos termelétricos e da necessidade de utilização da reserva de potência operativa já a partir de setembro.
O Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) deve publicar nesta semana três guias com recomendações para a análise de riscos do El Niño em processos de licenciamento ambiental de usinas hidrelétricas, portos e linhas de transmissão.
O fenômeno é caracterizado pelo aquecimento acima da média das águas do oceano Pacífico. A reportagem da Folha de S. Paulo teve acesso aos documentos, que trazem orientações para adaptar os projetos a secas e chuvas extremas esperadas a partir do final do ano.
Os impactos ao setor elétrico e de infraestrutura são conhecidos: menor geração de energia em hidrelétricas, danos em linhas de transmissão e perturbações no transporte de cargas em portos. Mesmo assim, a legislação brasileira não exige que o licenciamento envolva medidas para reduzir os riscos. Empreendedores não serão obrigados a seguir as sugestões dos guias, mas a tendência é que o Ibama aumente a cobrança por ações climáticas em licenças ambientais.
A Taesa, uma das maiores empresas de transmissão de energia do Brasil, diz estar se preparando para o pior quando o assunto é o El Niño e seus impactos no setor elétrico, informa a Folha de S. Paulo.
Com negócios distribuídos em todas as cinco regiões do país, a companhia fez previsões de impacto em suas concessões com base em modelos climáticos. “O Sul é uma região em que, até novembro, nós vamos ter muitas questões de vendavais, tempestades, tornados, onde tem nossas linhas de transmissão. Outro ponto que nos impacta bastante são as regiões Norte e Nordeste com queimadas”, afirma Luis Alves, diretor técnico da Taesa. “Nós temos que estar preparados para o pior”, acrescenta.
A Eneva, a New Fortress Energy (NFE) e a Âmbar, braço de energia da J&F, entraram na disputa para comprar o controle do Terminal de Regaseificação de Suape (TRS), em Pernambuco, segundo fontes com conhecimento das negociações ouvidas pela reportagem da CNN sob condição de anonimato.
O terminal pertence à holding OnCorp, que contratou o Bank of America (BofA) para assessorar a transação, segundo as fontes. Procurada, a OnCorp não quis se manifestar sobre o assunto. Ainda não há uma estimativa para o valor que poderá ser alcançado na negociação, mas o investimento global previsto para o empreendimento é de aproximadamente R$ 3 bilhões.
A reportagem explica que o interesse pelo ativo ganhou força após o LRCap (Leilão de Reserva de Capacidade) de 2026, que contratou cerca de 17 GW de capacidade termelétrica e abriu uma corrida entre os geradores para assegurar o suprimento de gás natural necessário para abastecer as novas usinas. A disputa pelo TRS ocorre em um momento em que a infraestrutura de importação de gás natural liquefeito (GNL) ganhou importância estratégica para os vencedores do leilão.
O Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) considerou insuficientes as informações apresentadas pela Âmbar Energia, braço de energia da J&F, sobre os impactos climáticos da usina a carvão Candiota III Fase C, no Rio Grande do Sul, e determinou que a empresa complemente os estudos com metas de redução de emissões, medidas de neutralização e ações de adaptação às mudanças climáticas.
Candiota é uma planta a carvão de 350 MW que a Eletrobras (hoje Axia Energia) vendeu para a Âmbar em 2024. Em parecer técnico assinado em 31 de agosto, o órgão concluiu que o estudo entregue pela companhia dos irmãos Batista, caracteriza e quantifica adequadamente as emissões de gases de efeito estufa da térmica, mas permanece estruturado predominantemente como um inventário de emissões e não aprofunda os impactos da operação nem sua relação com os compromissos climáticos assumidos pelo Brasil.
Segundo o Ibama, a documentação também não estabelece metas de redução, cenários para a evolução futura das emissões ou uma estratégia estruturada para diminuí-las. (CNN Brasil)
A proposta de desconcentração do mercado de gás natural em debate na Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), conhecida como “gas release”, tornou-se um dos principais pontos de tensão entre a Petrobras e o Ministério de Minas e Energia (MME), a quem a estatal é vinculada, de acordo com reportagem do Valor Econômico.
O tema está em consulta pública na ANP, com previsão de término no dia 28 de setembro. Haverá ainda uma audiência pública em outubro. O MME tem uma política para redução dos preços do gás e a Petrobras afirma publicamente que o mercado de gás não é concentrado. Procurada, a estatal disse que não comentaria o tema.