Excesso de energia leva ONS a exigir pela primeira vez corte de produção até de pequenas usinas

Excesso de energia leva ONS a exigir pela primeira vez corte de produção até de pequenas usinas
8 de junho de 2026

Com demanda em baixa e excedente de produção em painéis solares, operador do sistema elétrico brasileiro adota medidas inéditas neste domingo

Por Manoel Ventura

Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) informou que acionou, pela primeira vez, o plano para gestão de excedentes de energia do sistema nacional, que será aplicado neste domingo.

Isso ocorre por conta da forte produção de energia solar em telhados de residências e empresas e pelo consumo baixo ocasionado pelas temperaturas amenas, pelo fato de ser um domingo, quando há muito menos demanda da indústria e do comércio, e pelo feriado prolongado.

Em dias de forte irradiação solar e temperaturas amenas, quando a carga é reduzida e a contribuição da micro e minigeração distribuída (como é chamada a geração de energia em telhados) alcança patamares elevados, o sistema elétrico pode ser submetido a situações de demanda líquida muito baixa.

Essa demanda mais baixa coincide com uma grande quantidade de geração que o sistema não consegue controlar (como a energia renovável) e com baixa capacidade de inércia, de controle de frequência e de controle de tensão — que são fundamentais para manter a segurança do sistema.

Desse modo, essas situações podem afetar a capacidade de o ONS manter a operação segura. Uma data considerada emblemática desse cenário foi o Dia dos Pais do ano passado, quando o sistema passou perto de um colapso momentâneo. Foi uma situação causada por um excesso de geração de energia por painéis solares e a falta de controle que o operador do sistema tem sobre esses aparelhos.

Para amanhã, o ONS solicitou a redução dos recursos da geração centralizada, que são as grandes usinas e que estão sob sua responsabilidade, como grandes hidrelétricas.

Esgotada essa providência, foi necessário colocar em prática o Plano Emergencial de Gestão de Excedentes de Energia na Rede de Distribuição, aprovado pela Agência Nacional de Energia Elétrica.

O ONS acionou as distribuidoras para que reduzissem a geração sob sua área de concessão, uma vez que o operador não possui controle sobre essas fontes. Com isso, serão cortadas usinas de pequeno porte, conectadas diretamente à rede de distribuição e que não são controladas pelo operador. Em geral, Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs), usinas a biomassa e usinas eólicas e solares de menor porte.

O operador disse em nota que seguirá acompanhando e coordenando ações no sistema, fazendo a gestão dos recursos disponíveis, de acordo com a demanda da sociedade em comunicação direta com os agentes do setor.

“Segue também atento à nova realidade eletroenergética e trabalhando para garantir a segurança e a eficiência do sistema, de acordo com os procedimentos de rede vigentes”.

Também em nota, a Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee) afirmou que as empresas de energia elétrica estão preparadas para executar o plano. As 12 distribuidoras que executarão os cortes são:

  • CPFL Paulista
  • Cemig (Cemig D)
  • Energisa MT
  • Copel (Copel D)
  • Neoenergia Elektro (Elektro)
  • Celesc
  • Equatorial GO
  • Energisa MS
  • Neoenergia Coelba (Coelba)
  • RGE
  • EDP Espírito Santo (EDP ES)
  • Neoenergia Pernambuco (Neoenergia PE)

Esse grupo foi priorizado por concentrar cerca de 80% de toda a potência instalada das usinas pequenas, inseridas o plano.

“Do ponto de vista operacional, a Abradee ressalta a necessidade de maior detalhamento dos procedimentos, permitindo que os eventuais cortes sejam feitos pelos geradores de acordo com critérios claros, robustos e definidos. A ausência desses pontos, na visão da Associação, pode trazer insegurança jurídica para todo o setor elétrico”, afirma a associação.

A entidade diz ainda que o desafio de operar o sistema em momentos de baixo consumo, em especial nos jogos do Brasil na Copa do Mundo e nos demais feriados civis e religiosos do ano, o segmento de distribuição entende que os problemas decorrentes do excesso de geração renovável já são uma realidade, sendo urgente e necessário o aprofundamento de políticas públicas que possam reorganizar o sistema e solucionar os gargalos existentes para evitar apagões.

Fonte: O Globo.
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