EUA e Irã chegam a acordo de paz para reabrir Estreito de Ormuz

EUA e Irã chegam a acordo de paz para reabrir Estreito de Ormuz
15 de junho de 2026

Cerimônia oficial de assinatura do acordo está marcada para sexta-feira, 19 de junho, na Suíça

Por Felipe Moreira e Rodrigo Petry

Os Estados Unidos e o Irã chegaram a um acordo de paz para encerrar a guerra de quase quatro meses e reabrir o Estreito de Ormuz, uma das rotas mais importantes do mundo para o comércio de petróleo e gás natural. O anúncio foi feito neste domingo (14) pelo primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, e confirmado em seguida pelo presidente americano, Donald Trump, e por autoridades iranianas.

O Paquistão atuou como mediador nas negociações entre Washington e Teerã. Segundo Sharif, os dois países concordaram com o fim “imediato e permanente” das operações militares em todas as frentes, incluindo o Líbano.“Após intensas negociações, temos o prazer de anunciar que o Acordo de Paz entre os Estados Unidos da América e a República Islâmica do Irã foi alcançado”, escreveu o primeiro-ministro paquistanês na rede social X.

Following intensive talks, we are pleased to announce that the Peace Deal between the United States of America and Islamic Republic of Iran has been REACHED. Both sides have declared the immediate and permanent termination of military operations on all fronts, including in…

— Shehbaz Sharif (@CMShehbaz) June 14, 2026

A cerimônia oficial de assinatura está marcada para sexta-feira, 19 de junho, na Suíça, segundo Sharif. O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, também confirmou o acordo em entrevista à TV estatal iraniana e afirmou que o texto do memorando de entendimento será divulgado após a assinatura formal.

Trump confirma acordo e autoriza abertura de Ormuz

Trump confirmou o acordo pouco depois do anúncio do primeiro-ministro paquistanês. Em publicação nas redes sociais, o presidente dos EUA afirmou que o entendimento com Teerã “está agora concluído”.

“Autorizo plenamente a abertura sem cobrança do Estreito de Ormuz e, simultaneamente, autorizo a remoção imediata do bloqueio naval dos Estados Unidos”, escreveu Trump.

A mídia estatal iraniana também noticiou o acordo, embora tenha retratado o desfecho como uma capitulação dos EUA. Apesar das declarações públicas de vitória dos dois lados, o texto oficial ainda não foi publicado, e detalhes relevantes permanecem indefinidos.

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O que prevê o acordo

Embora os termos finais ainda não tenham sido divulgados, os contornos gerais do acordo vinham circulando nos últimos dias, segundo Bloomberg e CNBC.

Pelo entendimento preliminar, Estados Unidos e Irã devem encerrar os bloqueios concorrentes no Estreito de Ormuz, interromper ataques mútuos e iniciar uma nova rodada de negociações sobre o programa nuclear iraniano. O acordo também deve prever algum tipo de alívio nas sanções que atingem as exportações de petróleo do Irã.

A mídia estatal iraniana havia informado na sexta-feira que um rascunho de memorando de 14 páginas estava em discussão. O documento incluiria o levantamento de sanções petrolíferas dos EUA e o compromisso iraniano de reabrir o Estreito de Ormuz em até 30 dias.

Também estão em discussão incentivos econômicos a Teerã. Segundo a Bloomberg, um alto funcionário dos EUA afirmou que as partes avaliavam um modelo em que o Irã receberia recompensas econômicas à medida que cumprisse determinadas exigências americanas. Teerã, por sua vez, também busca acesso a bilhões de dólares em recursos congelados no exterior e alívio mais duradouro das sanções.

Rota crucial para petróleo e gás

O Estreito de Ormuz permanece efetivamente fechado desde o início do conflito, no fim de fevereiro. A passagem é considerada uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo, por onde normalmente passa cerca de um quinto do fornecimento global de petróleo e gás natural liquefeito.

O bloqueio da via afetou o fluxo de produtos essenciais, como petróleo, gás natural e fertilizantes, pressionou cadeias de suprimento e contribuiu para a alta dos preços de energia. O choque reacendeu temores de estagflação, cenário marcado por inflação elevada e crescimento econômico fraco.

Os efeitos já aparecem em indicadores de grandes economias. Nos Estados Unidos, a inflação anual chegou a 4,2% em maio, o maior nível em três anos, segundo a CNBC. Na Europa, o Banco Central Europeu elevou os juros pela primeira vez desde 2023, em resposta à persistência das pressões inflacionárias ligadas ao choque energético.

O vice-presidente dos EUA, JD Vance, afirmou à Fox News que o acordo representa “algo grandioso para o povo americano” e disse que a reabertura de Ormuz deve ajudar a reduzir o custo da energia no curto e no longo prazo.

Desconfiança ainda pesa sobre próximos passos

O acordo ocorre após semanas de sinais contraditórios entre Washington e Teerã e em meio a um cessar-fogo frágil. Desde o início de abril, os dois países vinham mantendo negociações indiretas, mas confrontos intermitentes ameaçavam derrubar os esforços diplomáticos.

A situação voltou a ficar tensa neste domingo, depois que Israel e o Hezbollah, grupo apoiado pelo Irã, trocaram ataques no Líbano. Bombardeios israelenses em Beirute provocaram reação de Trump, que pediu moderação e alertou Irã e Hezbollah para não contra-atacarem. Segundo a CNBC, Trump pediu aos lados envolvidos que não “estragassem tudo”.

A posição de Israel segue como uma das principais incertezas para a implementação do acordo. O governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu já havia colocado em risco uma assinatura de última hora ao realizar novos ataques no Líbano.

Nos EUA, Trump também pode enfrentar resistência de setores mais duros em relação ao Irã, que temem que o acordo deixe em segundo plano temas como o programa nuclear iraniano e o desenvolvimento de mísseis balísticos. Esses pontos estiveram no centro das justificativas americanas para o início do conflito.

Ainda assim, o anúncio tende a reduzir, ao menos no curto prazo, o risco de uma retomada imediata da guerra e a aliviar parte da pressão sobre os mercados globais de energia. A dúvida agora é se a assinatura formal do acordo e as negociações seguintes serão suficientes para transformar o cessar-fogo em um arranjo mais duradouro.

(Com Bloomberg, CNBC e Reuters)

Fonte: InfoMoney.
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