Energia solar perde ritmo de crescimento global e acende alerta no setor energético Escrito

Energia solar perde ritmo de crescimento global e acende alerta no setor energético  Escrito
16 de fevereiro de 2026

Por Keila Andrade

Energia solar enfrenta desaceleração no avanço mundial após anos de expansão acelerada, enquanto novos projetos eólicos e solares crescem menos e levantam debates sobre investimentos, políticas públicas e transição energética.

crescimento da energia solar, que por mais de uma década simbolizou a aceleração da transição energética global, entrou em um ritmo mais lento em 2025. Dados recentes mostram que a expansão conjunta da capacidade solar e eólica cresceu apenas 11% no ano, um resultado significativamente inferior aos 22% registrados no ano anterior. O número chama atenção porque interrompe uma trajetória de forte avanço e reacende discussões sobre os limites econômicos, políticos e estruturais do setor.

Esse movimento não indica um retrocesso absoluto. No entanto, sinaliza uma mudança de fase. Após anos de crescimento impulsionado por incentivos governamentais, queda nos custos tecnológicos e pressão climática internacional, a energia solar agora enfrenta obstáculos mais complexos, ligados a financiamento, infraestrutura e instabilidade geopolítica.

Segundo análises setoriais divulgadas em relatórios internacionais do setor energético ao longo de 2025, o cenário global passou por ajustes que impactaram diretamente o ritmo de novos projetos. A desaceleração ocorreu tanto em economias desenvolvidas quanto em mercados emergentes, ainda que por razões distintas.

Energia solar e o histórico recente de crescimento acelerado

Para entender a relevância da desaceleração, é necessário olhar para o contexto histórico da energia solar. Desde o início dos anos 2010, a capacidade instalada global cresceu de forma exponencial. O avanço tecnológico reduziu custos, enquanto políticas públicas estimularam investimentos em larga escala.

Entre 2019 e 2024, o setor viveu um período considerado excepcional. Países ampliaram metas climáticas, fundos verdes ganharam força e a energia solar se consolidou como uma das principais alternativas aos combustíveis fósseis. Em vários momentos, o crescimento anual superou dois dígitos, criando a expectativa de expansão contínua.

Por isso, o resultado de 2025 representa uma quebra de ritmo. Embora a base instalada continue aumentando, o ritmo de novos projetos caiu pela metade em relação ao ano anterior, o que altera projeções de curto e médio prazo feitas por analistas e investidores.

O que explica a desaceleração da energia solar e eólica

Diversos fatores ajudam a explicar o menor crescimento da energia solar e da energia eólica em 2025. Em primeiro lugar, o aumento das taxas de juros globais encareceu o financiamento de grandes projetos de infraestrutura. Como usinas solares dependem de investimento inicial elevado, o custo do crédito impactou diretamente a viabilidade de novos empreendimentos.

Além disso, cadeias globais de suprimento continuaram enfrentando ajustes após anos de instabilidade. Embora os preços dos painéis solares tenham se estabilizado em algumas regiões, custos logísticos e gargalos industriais ainda afetaram cronogramas.

Outro ponto relevante envolve políticas públicas. Em alguns países, incentivos fiscais foram reduzidos ou passaram por revisão. Em outros, mudanças regulatórias geraram incerteza para investidores. A energia solar, altamente sensível a decisões governamentais, sentiu esses efeitos de forma imediata.

Diferenças regionais no avanço da energia solar

Apesar do cenário global, a desaceleração não ocorreu de forma uniforme. Regiões que já possuem alta capacidade instalada enfrentaram maior dificuldade para manter taxas elevadas de crescimento. Nesses mercados, a expansão exige investimentos mais complexos em redes elétricas e sistemas de armazenamento.

Em países em desenvolvimento, o desafio foi diferente. Muitos desses mercados ainda apresentam grande potencial para a energia solar, mas dependem de financiamento internacional e estabilidade econômica. Em 2025, oscilações cambiais e restrições fiscais limitaram novos projetos.

Segundo avaliações publicadas por instituições internacionais do setor energético, a desaceleração reflete mais um ajuste estrutural do que uma perda de relevância da fonte solar. Ainda assim, o impacto sobre metas climáticas preocupa especialistas.

Energia solar e os desafios da infraestrutura elétrica

Outro fator central para entender o ritmo menor da energia solar está na infraestrutura elétrica. Em vários países, a geração renovável cresceu mais rápido do que a capacidade de transmissão e distribuição. Como resultado, projetos prontos enfrentaram atrasos para conexão à rede.

Esse problema é especialmente visível em regiões com grande concentração de usinas solares. A necessidade de modernizar redes elétricas, investir em armazenamento e aprimorar sistemas de gestão tornou-se urgente. Sem esses avanços, a expansão da energia solar encontra limites técnicos, independentemente do interesse econômico.

Além disso, o armazenamento de energia ainda representa um custo adicional relevante. Embora baterias tenham avançado, sua escala ainda não acompanha o crescimento desejado da geração solar, o que afeta a previsibilidade do sistema elétrico.

Impactos econômicos e mercado de trabalho

A desaceleração também repercute no mercado de trabalho ligado à energia solar. Após anos de forte criação de empregos, o setor começou a registrar crescimento mais moderado em novas contratações. Isso não significa perda massiva de postos, mas indica um período de maior cautela.

Empresas passaram a priorizar eficiência operacional, consolidação de projetos existentes e redução de riscos. Como consequência, o foco deixou de ser expansão acelerada e passou a ser sustentabilidade financeira.

Ainda assim, analistas destacam que a energia solar continua sendo uma das fontes que mais geram empregos no setor energético global. O ajuste atual tende a ser visto como uma transição para um modelo mais maduro.

Energia solar, clima e compromissos internacionais

A desaceleração do crescimento preocupa especialmente no contexto climático. Compromissos assumidos em acordos internacionais dependem diretamente da rápida expansão das energias renováveis. Qualquer redução no ritmo pode dificultar o cumprimento de metas de redução de emissões.

Segundo análises publicadas por organismos internacionais ligados à energia e ao clima, manter a expansão da energia solar é essencial para limitar o aquecimento global. Por isso, especialistas defendem novas políticas de estímulo, especialmente voltadas à modernização da infraestrutura.

Além disso, o debate se amplia para além da geração. Eficiência energética, armazenamento e integração regional passam a ser vistos como peças centrais da transição.

O que esperar da energia solar nos próximos anos

Apesar do ritmo menor em 2025, o consenso entre analistas é que a energia solar não perdeu protagonismo. Pelo contrário, o setor entra em uma fase de consolidação, na qual qualidade, integração e estabilidade ganham mais importância do que crescimento acelerado.

Investimentos devem se concentrar em projetos mais robustos, com melhor planejamento financeiro e tecnológico. Ao mesmo tempo, governos são pressionados a atualizar marcos regulatórios e acelerar investimentos em redes elétricas.

Nesse cenário, a desaceleração funciona como um alerta. A energia solar continua central para a transição energética, mas depende de políticas consistentes, financiamento acessível e infraestrutura adequada para retomar taxas mais altas de crescimento.

Energia solar como termômetro da transição energética

O desempenho da energia solar em 2025 revela mais do que números. Ele reflete os desafios de transformar um sistema energético global construído ao longo de décadas. A transição não ocorre de forma linear e exige ajustes constantes.

Mesmo com crescimento menor, a capacidade solar instalada segue em alta. O desafio agora é garantir que esse crescimento seja sustentável, integrado e alinhado às metas climáticas globais.

Para investidores, governos e consumidores, o recado é claro. A energia solar continua sendo parte essencial do futuro energético, mas seu avanço dependerá de decisões estratégicas tomadas agora. O ritmo pode ter diminuído, mas o papel da fonte solar permanece central no debate sobre desenvolvimento, economia e clima.

Andrade

Fonte: Click Petróleo e Gás.
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