EDP vê investimentos em renováveis travados no Brasil por até três anos

EDP vê investimentos em renováveis travados no Brasil por até três anos
10 de junho de 2026

CEO da companhia na América do Sul afirma que a sobreoferta de energia e os cortes de geração reduziram a atratividade de novos projetos renováveis; foco da empresa está na expansão dos negócios de transmissão

Por Robson Rodrigues

Os investimentos em geração de energia renovável no Brasil devem permanecer praticamente paralisados no Brasil nos próximos dois ou três anos. O diagnostico foi feito pelo CEO da EDP na América do Sul, João Brito Martins, durante entrevista ao programa Alta Voltagem, da CNN.

Segundo o executivo, a atual conjuntura do mercado brasileiro de excesso de oferta de energia, volatilidade dos preços e cortes de geração impostos pelo ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico), conhecido pelo jargão “curtailment” reduziu a atratividade econômica de novos empreendimentos.

“Não haverá investimentos em renováveis nos próximos dois ou três anos. E, portanto, essa necessidade de reciclar capital é menos necessária, por isso não avançamos na venda dos projetos de Novo Oriente e Pereira Barreto”, afirmou.

A EDP chegou a colocar à venda os complexos solares Pereira Barreto, com capacidade instalada de 252 megawatts (MW), localizado no município de mesmo nome, e Novo Oriente, com 254,6 MW, em Ilha Solteira. O BTG Pactual foi contratado para assessorar a operação. No entanto, o processo não prosperou em razão das dificuldades enfrentadas pelo segmento de geração renovável no país.

De acordo com Martins, as fontes renováveis perderam competitividade nos últimos anos, reduzindo o espaço para novos investimentos. Diante desse cenário, a estratégia da companhia tem se concentrado principalmente no segmento de transmissão de energia, considerado mais previsível e menos exposto às oscilações do mercado.

O executivo confirmou que a empresa deve participar do leilão de transmissão de energia e estuda o certame voltado a sistemas de armazenamento por baterias, ambos previstos para o segundo semestre de 2026.

A avaliação da EDP reflete um movimento mais amplo observado entre empresas do setor elétrico. Nos últimos dois anos, diversas companhias passaram a revisar seus planos de expansão em geração renovável e a redirecionar recursos para negócios considerados mais conservadores, como transmissão e distribuição.

Subsídios

A combinação desses elementos tem dificultado a viabilidade econômica de novos projetos. Além disso, o mercado aponta que a presença de subsídios e a alocação considerada ineficiente de recursos contribuíram para ampliar as distorções do setor, elevando a cautela dos investidores. Em 2025, estes incentivos foram responsáveis por mais de 18% do custo da tarifa. 

Martins destaca os incentivos dados à geração distribuída, que segundo ele “pesam na conta” do consumidor. Dados da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) apontam que em 2025 este segmento recebeu mais R$ 14,4 bilhões em subsídios.

Fonte: CNN Brasil.
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