Distribuidoras de biogás investem em dutos para ampliar alcance do combustível

Distribuidoras de biogás investem em dutos para ampliar alcance do combustível
20 de abril de 2026

Distribuidoras estão investindo na expansão de dutos e conexões para o fornecimento de biometano, sozinho ou misturado ao gás natural canalizado. Mesmo locais que antes careciam de infraestrutura até mesmo para o combustível fóssil, ou com sistemas menores, estão recebendo redes próprias. O norte do Paraná, por exemplo, ganha duas malhas para biometano até 2029, em um investimento de R$ 100 milhões da Compagas até 2029.

Em 2025 a empresa integrou 4 km de dutos à rede existente entre os municípios de Londrina e Cambé e está implantando outros 20 km em Maringá, com previsão de fornecimento ainda neste semestre. O biometano, produzido em Tamboara (PR) a partir de resíduos de cana-de-açúcar, será enviado de caminhão até as bases da empresa em Londrina e em Maringá, onde será injetado nas redes.

“Os consumidores industriais são o público prioritário na fase inicial da operação”, diz Eudes Furtado Filho, CEO da Compagas. Até 2029, acrescenta ele, a previsão é alcançar cerca de 3 mil unidades consumidoras na região, incluindo comércio, residências, frotas urbanas e veículos pesados. A demanda potencial foi estimada em aproximadamente 30 mil m3/dia em cada rede.

Outros R$ 50 milhões estão reservados pela distribuidora para a conexão, ainda em estudo, de usinas de biometano próximas à região metropolitana de Curitiba à rede que abastece a capital paranaense e arredores.

Em Goiás, onde não há redes de gás natural, um projeto prevê um gasoduto para ligar a usina de biometano da EcoGeo, a ser construída em Guapó (35 km da capital), até a base de abastecimento da frota de transporte público da região metropolitana de Goiânia. A previsão da Goiasgás, responsável pela implantação da rede, é que as obras terminem em 2028, quando Goiás terá adquirido 500 ônibus que poderão circular também com gás natural veicular (GNV).

Segundo o diretor-presidente da Goiasgás, Erik Figueiredo, o biometano é “extremamente competitivo” no Estado em relação ao diesel. “Além disso, há previsibilidade de preço, por não estar sujeito a flutuações do mercado internacional”, afirma.

A Copergás, de Pernambuco, injeta biometano em sua rede há um ano, após aporte de R$ 6,7 milhões para a conectar uma usina em Jaboatão dos Guararapes que utiliza resíduos sólidos urbanos, operada pela Orizon, ao seu sistema de distribuição.

“Esse arranjo cria as bases para que o biometano possa atingir, em 2026, cerca de 8% do volume total distribuído”, diz o diretor técnico-comercial da Copergás, Roberto Zanella.

Outro gasoduto já em operação, desde fevereiro, é o da Sulgás, que investiu R$ 6 milhões em uma linha de 4 km e na adaptação da estação de entrega para ligar o biometano produzido a partir de resíduos da agroindústria e de frigoríficos na unidade da Bioo em Triunfo (RS), no Polo Petroquímico do Sul, à sua rede de distribuição.

O gás renovável possibilita uma lógica descentralizada, o que abre espaço a criação de hubs regionais – a Sulgás deve inaugurar um no Rio Grande do Sul em 2027 -, redes locais e soluções integradas de conexão. “Esse arranjo permite avaliar a viabilidade da expansão da infraestrutura de distribuição em novas regiões, criando condições para o surgimento de mercados até então inexistentes e ampliando o acesso ao gás canalizado de forma sustentável”, afirma Tiago Santovito, diretor-executivo da Associação Brasileira do Biogás (ABiogás).

O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou, no início de abril, a meta de redução de 0,5% nas emissões para produtores e importadores de gás natural por meio da participação do biometano, percentual que pode aumentar no futuro. “Isso dá segurança para [o mercado] investir em novos projetos”, diz. Pedro Maranhão, presidente da Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (Abrema).

Do ponto de vista econômico, o custo associado à inserção do biometano tende a ser internalizado ao longo da cadeia de valor do gás. “E pode refletir, em alguma medida, nas tarifas finais, a depender dos mecanismos regulatórios que venham a ser definidos”, salienta Marcelo Mendonça, diretor executivo da Associação Brasileira de Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado (Abegás).

Fonte: Valor Econômico.
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