Distribuidoras citam desafios e apontam soluções à transição energética no Brasil

Distribuidoras citam desafios e apontam soluções à transição energética no Brasil
23 de janeiro de 2026

Apesar das dificuldades, as distribuidoras desempenham papel central nesse processo de transformação

Por Simon Nascimento

À medida em que as discussões em torno da transição energética avançam, com foco na ampliação do uso de fontes renováveis como resposta às mudanças climáticas, as distribuidoras de energia elétrica relatam uma série de desafios estruturais e regulatórios que surgem como obstáculos aos planos de sustentabilidade do setor.

Apesar das dificuldades, as distribuidoras desempenham papel central nesse processo de transformação. A avaliação é da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee), que aponta as redes operadas pelas concessionárias como elemento fundamental para levar a energia gerada por fontes renováveis até os consumidores.

A temática, inclusive, estará em pauta no O TEMPO Seminários – Transição Energética, que será realizado no dia 27 de janeiro, em Belo Horizonte. O tema será debatido por representantes do poder público, da iniciativa privada e de entidades de classe. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas por meio da plataforma Sympla.

Um dos participantes do evento será o presidente da Abradee, Marcos Madureira. Em entrevista, ele destacou que o Brasil já conta com uma matriz energética majoritariamente limpa, com cerca de 90% da geração proveniente de fontes renováveis. “E essa energia é oferecida a 99% da população brasileira por meio das redes das distribuidoras”, afirmou.

Segundo Madureira, o principal desafio atual está relacionado ao excesso de geração de energia por fontes como a eólica e a solar. O problema, conforme já mostrou O TEMPO, pode resultar em desperdício de energia que seria suficiente para reduzir o acionamento de usinas termelétricas. “Esse fenômeno tem afetado não apenas o setor de distribuição, mas também o sistema de transmissão e o equilíbrio entre geração e consumo. Hoje, há um volume muito grande de energia, especialmente fotovoltaica, injetado em determinados momentos do dia. Em alguns dias, esse excesso de geração chega a se aproximar do consumo total”, explicou.

O presidente da Abradee reforçou que o excesso de oferta está associado ao que classifica como “excesso de incentivos” às fontes renováveis. Dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) indicam que os subsídios ao setor superaram R$ 54 bilhões em 2025. “Isso provocou um crescimento muito acelerado dessas fontes, sobretudo da solar. Há necessidade de revisar esses subsídios, pois eles acabam gerando desequilíbrio na oferta de energia e custos adicionais para os consumidores. Hoje, por exemplo, isso já representa mais de 5% do valor da tarifa de energia elétrica paga pelo brasileiro”, calculou.

Madureira também defendeu uma mudança no modelo de precificação da conta de luz, com tarifas mais baixas nos horários e locais onde há maior oferta de energia. “Nos momentos em que a oferta for menor, a energia teria um preço mais alto. Esse modelo sinaliza ao consumidor que ele pode obter benefícios ao consumir energia quando o sistema estiver mais barato e, ao mesmo tempo, orienta o comportamento do gerador”, concluiu.

O TEMPO Seminários

Os debates de O TEMPO Seminários serão organizados em painéis. A abertura ficará a cargo do presidente da Cemig, Reynaldo Passanezi, que abordará a liderança da estatal no processo de transição energética. O segundo painel discutirá energia para o futuro e os desafios relacionados à regulação, ao planejamento e ao desenvolvimento regional, com a participação do secretário de Leilões da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Ivo Sechi Nazareno; do presidente da Associação da Indústria da Bioenergia e do Açúcar de Minas Gerais (Siamig Bioenergia), Mário Campos; e do presidente da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee), Marcos Madureira.

A penúltima mesa-redonda será dedicada ao tema da nova indústria verde. Nesse painel, o diretor sênior de Relações Institucionais da Usiminas, André Chaves; o vice-presidente de Assuntos Regulatórios da Stellantis, João Irineu Medeiros; o CFO de Projetos de Investimento e Estratégia da ArcelorMittal Aços Longos LATAM e Mineração Brasil, Fábio Paiva Scárdua; e o diretor de Descarbonização da Vale, João Luiz Turchetti Lara Rezende, apresentarão as iniciativas desenvolvidas pelas empresas na busca por fontes renováveis.

Encerrando a programação, Frederico Amaral e Silva, secretário-adjunto de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais; a superintendente de Planejamento do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), Cinthia Bechelaine; o CEO da H2 Brasil, Pedro Caçorino; e o presidente da Gasmig, Carlos Camargo de Colón, debaterão a trajetória de Minas rumo a uma nova matriz energética.

Serviço

O TEMPO Seminários – Transição energética será realizado no Centro de Convenções da Associação Médica de Minas Gerais (AMMG), na avenida João Pinheiro, 161, no Centro de Belo Horizonte. A participação presencial é gratuita, e os ingressos devem ser retirados pela plataforma Sympla.

Fonte: O Tempo.
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