Data centers devem receber mais de R$ 60 bilhões em investimentos no Brasil

Data centers devem receber mais de R$ 60 bilhões em investimentos no Brasil
19 de novembro de 2025

Expectativa é atrair grandes players do mercado

Por Bruno Faria

O Brasil começa a se organizar para receber investimentos em data centers, com estimativas de aportes de pelo menos 60 bilhões de reais nos próximos quatro anos, impulsionados pela crescente demanda por infraestrutura digital, informa o Valor Econômico. Em cenários mais otimistas, os investimentos podem chegar a 100 bilhões de reais nesse período. Apesar do número ainda reduzido de empresas atuando no setor, especialistas avaliam que o país tende a atrair grandes operadores internacionais, muitos em busca de novas áreas de expansão.

Os projetos previstos até o final da década somam cerca de 2 gigawatts de capacidade instalada, embora nem todo esse volume seja efetivamente implementado, segundo fontes do setor. A estimativa é que cada gigawatt de capacidade exija investimentos entre 10 bilhões e 12 bilhões de dólares (53 a 63 bilhões de reais). Atualmente, a capacidade instalada no país gira em torno de 800 megawatts.

A expansão do setor no Brasil também enfrenta desafios relacionados ao impacto ambiental, especialmente devido ao elevado consumo de energia. Estima-se que essas estruturas já representem cerca de 2% do consumo global de energia. Por outro lado, o Brasil é visto como um destino atrativo para esses investimentos devido à sua matriz energética predominantemente limpa. Segundo especialistas, a instalação de novos data centers pode contribuir para aproveitar o excedente de geração elétrica ao longo do dia, resultado da ampla presença de usinas eólicas e de sistemas de energia solar no território nacional.

Um estudo da consultoria Oliver Wyman indica que a capacidade operacional de data centers no mundo deve dobrar até 2029, impulsionada principalmente pela crescente demanda por inteligência artificial e pela migração de dados para serviços em nuvem. Atualmente, os serviços em nuvem representam cerca de 30% da capacidade global dos data centers, com projeções apontando para uma participação de até 50% nos próximos anos.

No Brasil, o governo federal tem buscado medidas para facilitar a atração de investimentos no setor. Em setembro, foi anunciada a Medida Provisória ReData, que propõe um regime tributário específico para data centers, incluindo isenções fiscais de determinados tributos. No entanto, o custo da energia elétrica no país ainda é um fator que reduz a competitividade, apesar da ampla disponibilidade de fontes renováveis.

Daniel O’Czerny, diretor de financiamento de infraestrutura do Citi na América Latina, observa que, em mercados internacionais, há uma mudança significativa no perfil dos investimentos em centros de dados. Projetos que anteriormente contavam com capacidade de 200 megawatts agora chegam a 3 gigawatts, refletindo o crescimento acelerado da demanda, especialmente impulsionada pela inteligência artificial.

Na América Latina, a tendência é de expansão semelhante, com a transição de empreendimentos de menor porte para estruturas maiores. No caso do Brasil, a expectativa é de que os data centers se desenvolvam principalmente para atender à demanda por serviços em nuvem. Segundo O’ Czerny, o mercado brasileiro tende a seguir uma trajetória distinta da observada nos Estados Unidos.

De acordo com Vinicius Miloco, da consultoria Oliver Wyman, embora o Brasil tenha vantagens geográficas que o posicionam como um potencial centro regional no setor de data centers, ainda enfrenta desafios relevantes. Entre eles, destaca-se o custo da energia elétrica, que corresponde a entre 40% e 60% das despesas operacionais dessas estruturas. Outro ponto é a carga tributária, que vem sendo abordada por meio do ReData.

Segundo Miloco, os investimentos previstos até 2029 estão, em grande parte, direcionados à demanda interna. Ele ressalta que o mercado brasileiro é atualmente um dos mais dinâmicos em termos de interesse por novos aportes. Há também movimentação de empresas interessadas em adquirir operações já estabelecidas, uma estratégia que acelera a entrada no setor, embora envolva custos mais elevados. Isso se deve aos múltiplos de avaliação praticados, que atualmente superam 20 vezes o valor da empresa com base no Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização).

Fonte: DatacenterDynamics.
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