Curtailment atinge 20% do potencial de geração, com perdas de R$ 6,5 bi

Curtailment atinge 20% do potencial de geração, com perdas de R$ 6,5 bi
26 de janeiro de 2026

Por Thiago Fabbri

O curtailment atingiu cerca de 20% de toda a energia solar e eólica que poderia ter sido gerada no país em 2025, ocasionando perda estimada de 4.021 MW médios, segundo a Volt Robotics. A empresa de consultoria, por meio de seu balanço anual, apresentou que, em termos financeiros, o Brasil perdeu cerca de R$ 6,5 bilhões devido aos cortes no período.

Os meses de agosto, setembro e outubro “entraram para a história” com os maiores cortes já registrados: “Era como assistir a uma Itaipu sendo desligada, não por falta de água, mas por excesso de sol e vento”, diz o relatório da consultoria.

A Volt Robotics salientou que o sistema “ainda carece de uma solução estruturante” para os cortes de energia renovável. Segundo a companhia, além de uma reformulação no sistema, são necessários ainda o engajamento dos consumidores, a partir de um desenho de tarifas horárias “eficientes” e uma comunicação “clara” com a população.

Curtailment

O relatório apresentou que há três modalidades de curtailment no Sistema Interligado Nacional (SIN) de energia elétrica: cortes por razão de confiabilidade (CNF), cortes por razão energética (ENE) e cortes por razão elétrica (REL).

sanção da Lei 15.269, de conversão da Medida Provisória (MP) 1.304, contou com o veto ao dispositivo que garantia um ressarcimento amplo dos cortes de geração eólica e solar.  Com a decisão do Poder Executivo, não entrou na lei o Artigo 1º-A da Lei 10.848, que previa o ressarcimento de cortes de geração independentemente da causa ou modalidade de contratação, exceto em casos de sobreoferta de geração renovável, conforme critérios que seriam estabelecidos pelo MME.

O Artigo 1º-B, no entanto, foi sancionado. O dispositivo restringe o ressarcimento aos casos de indisponibilidade externa (REL) e requisitos de confiabilidade elétrica (CNF).

Só em 2026, conforme levantamento realizado e publicado pela MegaWhatjá chegou a 4,17 GW o montante de empreendimentos com outorgas revogadas publicadas no Diário Oficial da União (DOU). As principais queixas apresentadas pelas empresas são o curtailment, falta de escoamento no Sistema Interligado Nacional (SIN) e avaliações socioeconômicas internas.

Operação próxima do limite

A Volt alegou ainda que, em pelo menos 16 dias de 2025, o sistema elétrico brasileiro operou “perigosamente” próximo do limite inferior de segurança por excesso de oferta. Em 2024 houve apenas um dia crítico.

“Esse salto de uma ocorrência para 16 é sinal de uma transformação estrutural (…) foi esse cenário que levou o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) a estruturar um plano emergencial com apoio institucional da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), prevendo inclusive, em situações extremas, a possibilidade de corte de geração em usinas do Tipo III, que são pequenas usinas conectadas às redes de distribuição”, afirmou a companhia.

Para a empresa, quando o operador do sistema cria um plano extraordinário, fica claro que o risco é “real, concreto e iminente — diferentemente de 2024, agora é recorrente”.

Domingo de manhã é o período de maior fragilidade do sistema, já que é quando o comércio fecha, a indústria desacelera e os escritórios param. Consequentemente, o consumo despenca e ocasiona uma sobra de energia. O período, deste modo, se torna um “teste de estresse” semanal do sistema elétrico brasileiro, de acordo com a Volt.

Solução

Como solução do curtailment e aumento nos repasses aos consumidores, o relatório é favorável à adesão da tarifa branca, em que o valor da energia varia ao longo do dia, com tarifas mais baixas quando há maior oferta de geração. De acordo com a Volt, hoje, o Brasil conta com cerca de 70 milhões de unidades consumidoras residenciais com tarifa comum e, se apenas um quarto delas reduzir a demanda em 5 kW em uma hora, a demanda cairia em média 15 GW, equivalente a uma redução de 15% a 20% nos picos de consumo.

medida também foi defendida por especialistas ouvidos pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) em seu workshop voltado para a adesão da tarifa branca no modelo opt-out (obrigatória) para consumidores da baixa tensão com consumo mensal igual ou superior a 1 MWh, segmento que representa aproximadamente 25% da baixa tensão. Devem acontecer ainda outros dois outros workshops para discussão sobre o tema.

 

Fonte: MegaWhat.
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