Crise no mercado livre traz risco assumido das comercializadoras, diz Copel

Crise no mercado livre traz risco assumido das comercializadoras, diz Copel
11 de maio de 2026

CEO da empresa diz que empresas operaram além da capacidade e minimiza impacto da volatilidade de preços

Por Robson Rodrigues

A crise que atinge as comercializadoras de energia no mercado livre brasileiro é, antes de tudo, uma discussão de liquidez e segurança de mercado, na avaliação do CEO da Copel, Daniel Slaviero. Segundo o executivo, parte relevante das empresas do setor assumiu posições muito acima de sua capacidade financeira, o que ajuda a explicar a onda recente de inadimplência, quebra de contratos e judicializações.

“Várias comercializadoras, que no fundo são grandes intermediários entre geradoras e os clientes finais, assumiram um risco muito maior do que sua capacidade financeira. Com alta alavancagem, transacionando bilhões de reais, qualquer solavanco coloca a empresa que não tenha prudência mais afiada em situação delicada”, afirmou.

O atual colapso no mercado livre não surgiu de forma repentina. O ponto de inflexão foi o rombo deixado por grandes comercializadoras como Gold Energia, 2W, cujas dificuldades financeiras abalaram a confiança entre agentes e levaram a uma retração abrupta do crédito.

A partir daí, o setor passou a registrar uma sequência de defaults e disputas contratuais envolvendo empresas como Máxima, Boven, América Energia, Tradener e Elektra, entre outras, muitas das quais recorreram à Justiça para suspender obrigações e evitar execuções. Esse efeito em cadeia elevou a aversão ao risco, endureceu exigências de garantias e contribuiu diretamente para a queda da liquidez no Ambiente de Contratação Livre (ACL).

Nos bastidores, porém, a interpretação não é consensual. Comercializadoras independentes alegam que a concentração de oferta nas mãos de grandes geradoras e a redução de contratos de longo prazo têm contribuído para a queda da liquidez e dificultado o funcionamento do mercado.

Outro ponto frequentemente apontado como causa da crise — a volatilidade do Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) — também foi relativizado por Slaviero. O executivo destacou que o intervalo de preços no Brasil, entre R$ 57,31/MWh e R$ 785,27/MWh, é inferior ao observado em mercados internacionais, como Colômbia, EUA, Austrália, Inglaterra, entre outros, onde há maior amplitude e até registros de preços negativos.

“Nestes mercados, o preço-teto é muito mais alto e em alguns momentos o preço é negativo. Então falar que tem muita volatilidade no mercado não corresponde com a realidade”, disse.

Ainda assim, agentes do setor apontam que a instabilidade recente na formação de preços, somada a fatores como cortes de geração renovável (curtailment) e mudanças nos modelos de despacho, tem aumentado a imprevisibilidade do mercado.

Para Slaviero, mudanças em discussão nos parâmetros de risco que orientam o nível dos reservatórios podem agravar o cenário. Segundo ele, flexibilizar essas regras pode comprometer a segurança do sistema elétrico, ampliando a exposição a situações críticas no futuro.

Fonte: CNN Brasil.
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