Crise da Raízen expõe limites do ciclo de investimentos em etanol

Crise da Raízen expõe limites do ciclo de investimentos em etanol
19 de março de 2026

Crise da Raízen expõe limites do ciclo de investimentos em etanol, com reestruturação de dívida de R$ 65 bilhões e potencial diluição da Cosan

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A Raízen, joint venture entre Shell e Cosan, enfrenta crise de crédito que levou a uma reestruturação da dívida de cerca de R$ 65 bilhões (US$ 12,3 bilhões). O acordo ocorreu na semana anterior, sinalizando mudanças na parceria entre o grupo estrangeiro e o fabricante brasileiro.

A Cosan participou das negociações, mas retirou-se de uma possível injeção de capital. A depender de tratativas, a participação da Cosan na Raízen pode ser diluída, sobretudo por discordâncias sobre o gerenciamento do negócio de distribuição de combustível.

O contexto brasileiro mostra que o etanol enfrenta desafios estruturais. O país é o segundo maior produtor global, atrás dos EUA, e a queda da Raízen evidencia o desaquecimento de grandes investimentos no setor.

Ao mesmo tempo, o setor sofre com a entrada de etanol de milho no Brasil, pressionando preços internos e reduzindo o espaço para o etanol de cana. Exportações não acompanham o ritmo necessário para equalizar a oferta.

Mercados internacionais também influenciam o cenário. Tarifas nos EUA, restrições na União Europeia e mudanças regulatórias reduzem a demanda externa pelo biocombustível brasileiro.

Relatórios apontam que o etanol de milho vem ganhando participação, enquanto a Raízen enfrentava custos elevados. Em 2021, a Louis Dreyfus vendeu a Biosev para a Raízen; três anos depois, a Bunge deixou a joint venture com a BP.

Especialistas observam que grandes petrolíferas mostram menos interesse em ampliar portfólios de energias renováveis. O setor pode manter crescimento, porém em ritmo menor que o observado no passado.

A participação de etanol nas exportações brasileiras nunca ultrapassou 10% da produção na última década, mesmo com esforços de ampliação de mercados externo. O descolamento entre preço de petróleo e combustíveis locais também impacta as vendas.

Panorama recente e próximos passos

A decisão da Vibra Energia de encerrar a parceria com a Copersucar, anunciada no fim do ano passado, reforça a reconfiguração do setor. A Vibra busca maior espaço para biocombustíveis derivados do milho.

Segundo projeções, o etanol de cana e o de milho deverão concorrer de forma mais intensa em 2026. Usinas devem priorizar o milho em algumas regiões, alterando a composição de matéria-prima.

Fonte: Portal Tela.
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