Por Telinha
A Raízen, joint venture entre Shell e Cosan, enfrenta crise de crédito que levou a uma reestruturação da dívida de cerca de R$ 65 bilhões (US$ 12,3 bilhões). O acordo ocorreu na semana anterior, sinalizando mudanças na parceria entre o grupo estrangeiro e o fabricante brasileiro.
A Cosan participou das negociações, mas retirou-se de uma possível injeção de capital. A depender de tratativas, a participação da Cosan na Raízen pode ser diluída, sobretudo por discordâncias sobre o gerenciamento do negócio de distribuição de combustível.
O contexto brasileiro mostra que o etanol enfrenta desafios estruturais. O país é o segundo maior produtor global, atrás dos EUA, e a queda da Raízen evidencia o desaquecimento de grandes investimentos no setor.
Ao mesmo tempo, o setor sofre com a entrada de etanol de milho no Brasil, pressionando preços internos e reduzindo o espaço para o etanol de cana. Exportações não acompanham o ritmo necessário para equalizar a oferta.
Mercados internacionais também influenciam o cenário. Tarifas nos EUA, restrições na União Europeia e mudanças regulatórias reduzem a demanda externa pelo biocombustível brasileiro.
Relatórios apontam que o etanol de milho vem ganhando participação, enquanto a Raízen enfrentava custos elevados. Em 2021, a Louis Dreyfus vendeu a Biosev para a Raízen; três anos depois, a Bunge deixou a joint venture com a BP.
Especialistas observam que grandes petrolíferas mostram menos interesse em ampliar portfólios de energias renováveis. O setor pode manter crescimento, porém em ritmo menor que o observado no passado.
A participação de etanol nas exportações brasileiras nunca ultrapassou 10% da produção na última década, mesmo com esforços de ampliação de mercados externo. O descolamento entre preço de petróleo e combustíveis locais também impacta as vendas.
A decisão da Vibra Energia de encerrar a parceria com a Copersucar, anunciada no fim do ano passado, reforça a reconfiguração do setor. A Vibra busca maior espaço para biocombustíveis derivados do milho.
Segundo projeções, o etanol de cana e o de milho deverão concorrer de forma mais intensa em 2026. Usinas devem priorizar o milho em algumas regiões, alterando a composição de matéria-prima.