Copel alerta para risco de apagão no país e cobra urgência sobre leilão de reserva de capacidade

Copel alerta para risco de apagão no país e cobra urgência sobre leilão de reserva de capacidade
5 de setembro de 2025

Segundo a companhia, o Brasil já registrou ponta de 106 gigawatts de demanda no sistema; mantido crescimento médio de 2% ao ano, a projeção é que, em 2035, número alcance 130 GW

O vice-presidente de estratégia, novos negócios e transformação digital da Copel, Diogo Mac Cord, fez um alerta sobre os riscos de apagão no país e a necessidade urgente da realização do leilão de reserva de capacidade. Segundo Mac Cord, o Brasil já registrou uma ponta de 106 gigawatts (GW) de demanda no sistema. Mantido um crescimento médio de 2% ao ano, a projeção é que, em 2035, esse número alcance 130 GW.

“O sistema precisa ser dimensionado pelo atendimento da ponta. Neste contexto, temos que pensar na rampa da solar, que hoje é suprida principalmente por usinas hidrelétricas”, disse ele, nesta quinta-feira (4), durante sua participação no evento Minuto Mega Talks, promovido pelo portal MegaWhat.

O termo “rampa da solar” é a queda rápida na geração de energia solar no fim da tarde, quando o sol se põe, mas a demanda de consumo continua alta e precisa ser suprida por outras fontes, como termelétricas, que são mais caras.

Hoje, o sistema precisa de flexibilidade para operar, ou seja, a capacidade de ter usinas que podem ligar e desligar rapidamente para equilibrar o sistema elétrico conforme a demanda varia. Segundo Mac Cord, o Brasil precisa de 10 GW de flexibilidade. “Esta é a urgência para o leilão”, afirmou.

Leilão beneficiaria os negócios da companhia

A realização de um leilão beneficiaria os negócios da companhia. A Copel tem cerca de 2 GW de capacidade que poderia ser acrescentada ao sistema até 2030, prazo considerado adequado por demandar obras de grande porte. Parte desse reforço poderá vir da hidrelétrica Foz do Areia, cuja concessão foi recentemente renovada, e da usina de Segredo.

“As usinas hidráulicas são quem seguram a bronca em períodos secos”, destacou. “Entregamos potência em alguns minutos, enquanto térmicas precisam de sete horas.”

O executivo comparou os custos: “A usina hidráulica mais cara é pelo menos 20% mais barata do que a térmica mais barata. Já a hidrelétrica mais barata chega a custar um terço do valor da termelétrica mais cara”.

 

 

Fonte: Valor Econômico.
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