Coalizão de biocombustíveis lança proposta para mapa do caminho

Coalizão de biocombustíveis lança proposta para mapa do caminho
26 de fevereiro de 2026

Agro quer posicionar bioenergia no centro de políticas de transição energética e industrial

Por Nayara Machado

NESTA EDIÇÃO. Proposta recebe contribuições até 3 de março.

Iniciativa do agro quer posicionar bioenergia no eixo das políticas energética e industrial.

Formada no início de fevereiro, a Coalizão pelos Biocombustíveis divulgou nesta quarta (25/2) uma proposta de contribuição para o mapa do caminho brasileiro para a transição dos combustíveis fósseis. Entre as ambições está a “consolidação da bioenergia como eixo central da política energética e industrial brasileira”. A proposta também fala em redução gradual da dependência de importações de combustíveis fósseis e estabelecimento de hubs regionais integrados de biocombustíveis. O grupo é formado por associações dos setores de biodiesel, etanol, biometano e hidrogênio, e frentes parlamentares da Agropecuária (FPA), do Biodiesel (FPBio), do Etanol (FPEtanol) e da Economia Verde. O documento (.pdf) foi lançado nesta tarde durante um seminário na Comissão Especial de Transição Energética da Câmara dos Deputados, presidida pelo deputado Arnaldo Jardim (Cidadania/SP), que também está na liderança da coalizão e foi relator da lei do Combustível do Futuro.  A minuta ficará em consulta pública até 3 de março no site da comissão.

Embora seja focada no contexto nacional, a proposta será entregue, no dia 9 de março, ao embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP30, como contribuições do setor para a proposta brasileira. Vale dizer: Corrêa do Lago está trabalhando em um roteiro internacional, enquanto o governo brasileiro desenha o seu mapa nacional. Segundo o presidente da FPBio, deputado Alceu Moreira (MDB/RS), a intenção é que esse documento seja apresentado às embaixadas para angariar apoio também à iniciativa da COP30 para quadruplicar a oferta de combustíveis sustentáveis até 2030.

Os obstáculos

O Brasil, que já tem uma indústria consolidada de etanol e biodiesel, está enxergando na agenda global de transição energética uma oportunidade para se posicionar como um fornecedor de soluções, aproveitando seu potencial agroenergético.Internamente, a indústria tem conseguido avançar com leis que garantem mercado e incentivos para alavancar a produção, a exemplo da lei do Combustível do Futuro, que expande mandatos para etanol e biodiesel e cria novos para biometanodiesel verde e combustíveis sustentáveis de aviação (SAF, em inglês).A expectativa é que essas políticas ajudem a deslocar o consumo de 1 milhão de barris de derivados de petróleo por dia (bpd), mas ainda assim insuficiente para reduzir a demanda fóssil, observa o diretor da ANP Pietro Mendes.

Citando estudo da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Mendes lembrou que ainda não se enxerga o pico da demanda de petróleo no Brasil e esse deve ser o foco da transição.“Precisamos acelerar a utilização de biocombustíveis porque o cenário hoje é sair de 2,33 milhões de barris de derivados de petróleo por dia para, no melhor cenário, 3 milhões de bpd de derivados em 2050. Ou seja, todo esse esforço ainda não será suficiente para diminuir a demanda”, comentou durante o seminário na Câmara.Mas assim como no cenário internacional há uma série de obstáculos a superar, internamente é preciso vencer também algumas batalhas.

judicialização do RenovaBio é um exemplo. A indefinição em torno dos aumentos da mistura de biodiesel é outro.O setor aguardava o avanço do mandato de adição de biocombustível no diesel para 16% (B16) no início de março de 2026, mas ainda não há qualquer sinalização neste sentido.“O setor está pronto para o B16. O Brasil também. A decisão precisa ser tomada com celeridade. É um passo natural dentro do que já foi estabelecido pela Lei do Combustível do Futuro. Implementar o B16 significa reforçar a produção nacional, assegurar previsibilidade aos investimentos e acelerar a descarbonização no país”, defende o CEO da Binatural, André Lavor.

Curtas

Redata no limbo. Após passar por votação na Câmara dos Deputados na madrugada desta quarta-feira (25/2), o PL do Redata (278/2026) chegou ao Senado, mas a votação prevista para ocorrer ainda hoje foi adiada. A MP que o texto substitui vence hoje.

  • A agência eixos apurou que a relatoria deve ficar com Eduardo Gomes (PL/TO), que também relatou o projeto de regulamentação da inteligência artificial (PL 2338/2023), mas o gabinete do governo não confirmou a indicação.

Agenda para 2026. A Frente Parlamentar de Recursos Naturais e Energia realizou a primeira reunião do ano nesta quarta (25/2), para discutir a agenda prioritária (.pdf) de 2026.

gas week outlook. A CEO da Energisa Gás, Débora Oliver, defende o biometano como parte da solução para resíduos agroindustriais, um tema que pode ganhar peso com a abertura comercial entre Mercosul e União Europeia. Ela participou da gas week outlook 2026, em São Paulo, na terça-feira (24/2).

  • Também no evento, a diretora Comercial da Origem Energia, Flávia Barros, avaliou que o desenho final das regras do Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP) não é “uma solução perfeita”, mas tem o mérito de destravar o certame.

CEOs pessimistas. Quase um quarto dos CEOs dos setores de energia e serviços de utilidade pública brasileiros projetam desaceleração econômica para os próximos 12 meses, apontou pesquisa da PwC. O pessimismo para o Brasil é maior do que a média global. Na pesquisa internacional, 13% dos CEOs responderam que esperam desaceleração econômica este ano.

Fonte: Eixos.com.
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