CMPC avança no Projeto Natureza e confirma cronograma de nova fábrica de celulose no RS

CMPC avança no Projeto Natureza e confirma cronograma de nova fábrica de celulose no RS
2 de fevereiro de 2026

Empresa assinou concessão de terminal portuário em Rio Grande e prevê início de operação da unidade de Barra do Ribeiro no segundo semestre de 2029

Na última semana, a chilena CMPC avançou mais uma etapa no Projeto Natureza, que prevê a instalação de uma nova fábrica de celulose no Brasil. A companhia assinou o contrato de concessão do terreno e de construção de um Terminal de Uso Privado (TUP) no Porto de Rio Grande (RS), além de firmar contratos para a construção de novas embarcações. Com isso, a empresa reafirmou o cronograma de entrega do projeto para o segundo semestre de 2029.

Essas iniciativas devem consumir cerca de R$ 3 bilhões do total aproximado de R$ 24 bilhões previstos para a construção da unidade industrial em Barra do Ribeiro (RS).

“A estimativa de término das obras [do terminal portuário] é em meados de 2029, com a fábrica entrando em operação dois meses depois, ou seja, tudo está dentro do cronograma”, disse Antonio Lacerda, diretor de celulose da CMPC.

Batizado de Projeto Natureza, o empreendimento terá capacidade de produção de 2,5 milhões de toneladas por ano de celulose de eucalipto. O investimento ainda depende da aprovação do conselho de administração da companhia. “Precisamos ter as licenças ambientais para ir ao conselho. Estamos na fase final de aprovações”, afirmou Lacerda, acrescentando que a decisão deve ocorrer em meados deste ano.

No campo florestal, o executivo destacou que a CMPC já conta com madeira plantada suficiente para abastecer, por cinco anos, as duas fábricas que a empresa mantém no Brasil. Além da nova unidade em Barra do Ribeiro, a companhia já opera uma fábrica de celulose no município de Guaíba (RS), com capacidade anual de 2,4 milhões de toneladas de celulose de eucalipto.

Outro ponto estratégico do projeto é a capacitação de mão de obra, desafio recorrente no setor. Atualmente, a CMPC possui cerca de 6,5 mil colaboradores diretos e indiretos, número que deve ultrapassar 10 mil com a entrada em operação da nova fábrica.

Segundo Lacerda, a empresa já definiu o cronograma de contratação, as competências necessárias e o tempo de formação dos profissionais. “Estamos trabalhando junto com entidades do Rio Grande do Sul para capacitar essas pessoas. É um grande desafio, e a tendência é ficar mais complexo, mas estamos nos preparando para que ele seja um pouco menor”, disse.

Após um ano marcado por oscilações, o mercado global de celulose passa por um período de ajustes. Em 2025, o preço da celulose de fibra curta na China recuou de US$ 540 por tonelada, nos primeiros meses do ano, para US$ 495 em julho. A partir de agosto, houve recuperação, com a cotação encerrando o ano em torno de US$ 560 por tonelada.

Embora o tarifaço imposto pelo governo de Donald Trump tenha gerado instabilidade no comércio internacional, a avaliação do setor é que o aumento da oferta, impulsionado sobretudo pela nova fábrica da Suzano, e o avanço de unidades integradas na China, que produzem a própria celulose, foram determinantes para o cenário de preços observado.

“Ninguém esperava uma oferta de madeira tão grande aos produtores chineses em função da queda da demanda do mercado de construção. Isso alterou a dinâmica do mercado”, observou Lacerda. Para ele, o movimento de integração das empresas chinesas deve continuar, mas a celulose brasileira segue mais competitiva.

Apesar da leve recuperação recente dos preços, o executivo avalia que o patamar atual ainda é desafiador, especialmente para produtores da Europa e dos Estados Unidos, onde as fábricas são mais antigas e menos eficientes. “Temos visto vários fechamentos, e esse movimento deve continuar”, disse. Diante desse contexto, Lacerda afirma manter um “otimismo cauteloso” em relação ao mercado.

Fonte: Portal Celulose.
Voltar