Por Gabriela Ruddy
NESTA EDIÇÃO. Em meio à alta nos preços, consumidores no Rio Grande do Sul têm dificuldades no fornecimento de diesel, mas ANP e Petrobras asseguram que não há falta de produto. Os destaques da primeira coletiva de imprensa da Petrobras após o início da guerra no Oriente Médio. CNJ afasta desembargador que beneficiou Refit; MPTCU quer investigar se houve omissão na fiscalização da refinaria.
O Brasil começou a registrar problemas na cadeia de comercialização de diesel devido ao choque de preços no mercado de petróleo causado pela guerra no Oriente Médio. Produtores rurais no Rio Grande do Sul reclamam que não recebem combustível desde quinta-feira (5/3), mas a ANP confirma que não há falta de produto. Em nota, a Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) afirma que os Transportadores Revendedores Retalhistas (TRRs) não entregaram diesel nos últimos dias.
Na prática, não há falta de produto, mas sim problemas na cadeia de comercialização.
O Rio Grande do Sul é abastecido sobretudo pela Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), da Petrobras.
A ANP também confirmou que a produção e a entrega do combustível seguem em ritmo regular pela refinaria. Além disso, a região tem estoques para assegurar o abastecimento.
A ANP trabalha para identificar em qual elo da cadeia estão ocorrendo os problemas.
O setor de petróleo e derivados está sob forte stress, depois de um aumento de quase US$ 20 no preço do barril em uma semana.
Barril acima dos US$90. A cotação do barril de petróleo encerrou a sexta (6/3) em alta. O Brent para maio avançou 8,52% (US$ 7,28), a US$ 92,69 o barril.
Petrobras responde à crise. Os diretores da estatal afirmaram que a companhia está mais bem posicionada do que outras empresas para lidar com o aumento das taxas de frete devido ao fechamento do Estreito de Ormuz.
Mais pressão pelo B17. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) solicitou ao Ministério de Minas e Energia, o aumento urgente da mistura obrigatória de biodiesel ao óleo diesel no país, dos atuais 15% para 17% (B17), diante da escalada recente dos conflitos no Oriente Médio e seus impactos sobre o mercado de petróleo.Enquanto isso, no gás. A escalada da guerra no Oriente Médio também sacudiu os ânimos do mercado global de gás natural liquefeito (GNL) e reacendeu o temor sobre um novo pico de preços, mas o Brasil está hoje menos vulnerável que na crise de 2021-22.
IPO da Compass. A Cosan entrou com pedido de oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) de sua controlada Compass Gás e Energia no Brasil, que reúne os ativos de distribuição de gás canalizado e a Edge, a comercializadora de gás do grupo. (G1)Refit. A Corregedoria Nacional de Justiça (CNJ) determinou, na sexta-feira (6/3), o afastamento cautelar imediato do desembargador Guaraci Vianna, do Tribunal de Justiça do estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ), por proferir decisões manifestamente teratológicas no caso envolvendo a Refinaria de Manguinhos, a Refit.
Foco na eficiência. A indústria brasileira defende que o mapa do caminho deve ser agnóstico em relação à tecnologia e focar na eficiência. Em entrevista à agência eixos, o presidente da SB COP, Ricardo Mussa, critica a ideia de um teto para produção de óleo e gás e avalia que o cenário de guerra pode mudar um pouco as prioridades.
Nova lei do licenciamento. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) e outras 24 federações estaduais solicitaram o ingresso como amici curiae (partes interessadas) nas Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs) que questionam no Supremo Tribunal Federal (STF) a Lei Geral do Licenciamento Ambiental.
Mapas do caminho. Desde a COP30, uma série de iniciativas tenta construir roteiros para a transição dos combustíveis fósseis no Brasil e no mundo. Listamos os principais movimentos para construir — e influenciar — rotas que pretendem levar o mundo a emissões líquidas zero até 2050. Leia na diálogos da transição: Com quantos mapas do caminho se faz uma transição?