Por Mariana Lemos
Fornecedora de energia para indústrias de grande porte, como ArcellorMittal e Braskem, a Casa dos Ventos quer diversificar o portfólio de clientes e atender pequenas e médias empresas.
A estratégia “varejista” foi detalhada por Itamar Lessa, diretor de comercialização da Casa dos Ventos, gigante das energias renováveis fundada no Ceará.
“Nós atendemos mais de 1.500 consumidores e estamos estabelecendo essa estratégia com mais capilaridade para chegar a aproximadamente 20 mil clientes em 2030. Essa é a meta” – Itamar Lessadiretor de comercialização da Casa dos Ventos.
Podem ser atendidas empresas com conta de energia elétrica a partir de R$ 10 mil. A título de comparação, o nível de consumo das grandes indústrias atendidas pode chegar a R$ 500 mil por mês.
Para os novos clientes, a empresa foca no mercado livre de energia, ambiente em que as empresas escolhem a fornecedora de energia, com negociação de preço por contrato.
Outro produto ofertado pela Casa dos Ventos é a infraestrutura de baterias, voltada para empresas que precisam de total estabilidade no fornecimento.
Para ampliar a capacidade de atendimento, a empresa investiu na expansão da infraestrutura e da rede de profissionais voltados ao atendimento das empresas. Em 2025, o aporte no segmento foi de R$ 50 milhões.
“Todo o ecossistema de tecnologia é super relevante. O investimento foi feito para acelerar a estratégia. Ano passado adquirimos uma carteira com aproximadamente 800 clientes varejistas e um time inicial, que vem fortalecendo essa estratégia”, explica.
A oportunidade de expansão identificada pela Casa dos Ventos surge com a abertura do mercado livre de energia para todos os consumidores brasileiros.
Inicialmente, o mercado livre englobou estabelecimentos de grande porte, como indústrias. Desde 2024, está disponível para todos os consumidores de alta e média tensão, como empresas e hospitais.
Os consumidores da baixa tensão (residenciais e pequenos estabelecimentos) entrarão no ambiente livre, em que é possível escolher a fornecedora de energia, até novembro de 2028.
Apesar da expansão do público-alvo, o atendimento a consumidores residenciais não está nos horizontes da empresa, comenta Itamar Lessa.
“Entendemos que a geração de valor que a gente pode proporcionar é para os consumidores CNPJ. Para os consumidores finais, vão ser plataformas já presentes no mundo do consumidor, como as empresas de telefonia”, projeta.
A chegada de clientes de menor porte não significa que a Casa dos Ventos deve abandonar as grandes indústrias ou reduzir a geração de energia.
Um dos projetos da empresa é o abastecimento do Data Center do TikTok, em construção no Complexo do Pecém, que será o maior do Brasil. Há também acordos para fornecer energia para projetos de hidrogênio e amônia verdes.
“A Casa dos Ventos hoje é protagonista de 1,7 GW médios, principalmente em clientes corporativos e industriais grandes. Atualmente, essa estratégia varejista toma aproximadamente 6% disso. A maior parte de 1,7 GW é consumida por 27 consumidores de grande porte”, explica Itamar Lessa.
Com um planejamento de expansão ambicioso, a companhia projeta atingir 11 GW em capacidade em energias eólicas e solares. Deve ser a maior geração da América Latina.
Entre 2027 e 2028, entram em operação duas grandes usinas eólicas. No Ceará, o projeto Ibiapaba, voltado para o data center do TikTok. O outro projeto é o complexo Dom Inocêncio, no Piauí.