A primeira revisão quadrimestral da carga (PLAN) para o período de 2026 a 2030 mantém a trajetória de crescimento da carga no Sistema Interligado Nacional (SIN), mas traz um ajuste para baixo nas projeções.Ao final do horizonte, a carga deve atingir 98.824 MW médios, com crescimento médio anual de 4%. Ainda assim, o novo cenário representa uma redução média de 283 MW médios frente ao plano anterior, refletindo principalmente ajustes no cenário macroeconômico e a incorporação de novas premissas para o setor.Conforme o documento divulgado nesta quarta-feira, 8 de abril, elaborado pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) e Empresa de Pesquisa Energética (EPE), a revisão foi influenciada por um ambiente econômico mais fraco no curto prazo.
A projeção de crescimento do PIB para 2026 foi reduzida para 2%, com impacto de incertezas externas, especialmente relacionadas ao cenário geopolítico, e efeitos estatísticos sobre a base de comparação.
Para os anos seguintes, no entanto, a trajetória foi mantida. O planejamento considera crescimento entre 2,4% e 2,5% ao ano até o fim da década, sustentado por investimentos em infraestrutura, melhora do ambiente de negócios e possíveis efeitos positivos da reforma tributária.
A micro e minigeração distribuída (MMGD) permanece como um dos principais fatores de transformação da carga, mas teve suas projeções revisadas para baixo na primeira revisão do plano.
A capacidade instalada prevista para 2030 caiu para 67,5 GW, uma redução de 2,8% em relação ao cenário anterior. Ainda assim, o crescimento segue expressivo, com a MMGD atingindo cerca de 10,4 GW médios até o fim do período e expansão média anual próxima de 9,6%.
O estudo destaca que o avanço da fonte passa a conviver com um ambiente mais complexo, marcado por incertezas regulatórias e econômicas. A manutenção de juros elevados, o aumento de encargos, as restrições de acesso à rede e as mudanças tributárias aparecem como fatores que tendem a desacelerar o ritmo de expansão.
Ao mesmo tempo, há vetores que sustentam o crescimento, como o incentivo ao armazenamento, a eletrificação de novos usos, como veículos elétricos, o surgimento de modelos como sistemas “grid zero” e a ainda baixa penetração da tecnologia em nível nacional.
O peso dessa agenda regulatória ainda considera o curtailment, revisão tarifária e abertura do mercado em baixa tensão podendo redefinir o papel da MMGD nos próximos anos.