A ampliação da presença internacional na ROG.e 2026, marcada pelo retorno de um pavilhão dos Estados Unidos após dez anos de ausência e pela presença de CEOs globais de empresas como Total e Shell, reflete a nova centralidade do Brasil no tabuleiro energético mundial. A avaliação é de Carla Lacerda e Hélder Waiandt, presidente e vice-presidente da Bratecc — Câmara de Comércio Brasil-Texas —, em entrevista ao estúdio eixos durante o evento, no Rio de Janeiro. Confira na íntegra.
Segundo os dirigentes da entidade, que completa 25 anos de atuação, a instabilidade geopolítica internacional e os riscos crescentes em outras regiões produtoras abriram uma “janela absurda de oportunidade” para o país, hoje maior produtor offshore do mundo e detentor de uma matriz energética que combina óleo e gás, biocombustíveis, eólica, solar e potencial nuclear.
“Nós temos hoje uma questão geopolítica mundial […] e isso propiciou ao Brasil uma nova janela absurda de oportunidade”, afirmou Waiandt destacando que a bacia do Atlântico — que inclui a Margem Equatorial, entre Venezuela e o litoral brasileiro — concentra hoje estimativas de mais de 100 bilhões de barris em reservas.
Um dos dados centrais levantados na entrevista é o peso do Texas na relação comercial entre os dois países: o estado americano responde sozinho por 20% de todo o comércio entre Estados Unidos e Brasil — o dobro do volume da Flórida, segundo colocado no ranking. Para Carla Lacerda, a proximidade entre os produtos internos brutos das duas regiões e a consolidação histórica da cadeia de suprimentos ligada à indústria de óleo e gás tornam a conexão “cada vez mais natural”.
A presidente da Bratecc também associa o interesse renovado de investidores ao fato de o Brasil oferecer estabilidade geopolítica e infraestrutura industrial já consolidada, em contraste com outras regiões produtoras que enfrentam entraves estruturais. “Ali no Brasil eu tenho uma região geopolítica estável, eu tenho as fontes, eu tenho a matéria-prima, eu tenho uma capacidade industrial bem instalada”, resumiu Viana.
Ao projetar o futuro da entidade, os dois executivos apontaram a formação de mão de obra qualificada como o principal gargalo do setor — um desafio que, segundo eles, não é exclusivo do Brasil, mas mundial.
Notícias Relacionadas
estúdio eixos na ROG.e
Sindicom leva agenda contra fraudes e sonegação a presidenciáveis
estúdio eixos na ROG.e
Karoon busca parceiros para exploração na Bacia de Santos e prevê decisão sobre Neon em 2027
Carla Lacerda defendeu que atrair jovens para a indústria energética passa por uma comunicação mais eficaz sobre o grau de inovação tecnológica do setor, hoje um dos que mais desenvolve tecnologia no mundo.
Waiandt citou o Texas como exemplo do movimento de integração entre diferentes fontes de energia: além de maior produtor de petróleo dos Estados Unidos, o estado também lidera a produção solar e eólica do país e caminha para se tornar o maior polo de energia nuclear americano — um paralelo direto com a diversificação em curso na matriz brasileira.
A agência eixos entrevista as principais lideranças do setor em um estúdio próprio dentro do evento, que é o maior encontro global da indústria de energia.
O estúdio eixos na ROG.e 2026 tem patrocínio de OceanPact, Prio, United Airlines e Vibra.