Brasil pode contar com 13 GW de flexibilidade no setor elétrico com baterias, reversíveis e resposta da demanda

Brasil pode contar com 13 GW de flexibilidade no setor elétrico com baterias, reversíveis e resposta da demanda
9 de outubro de 2026

Por Gabriela Ruddy

NESTA EDIÇÃO. PDE indica que necessidade de maior flexibilidade na operação do setor elétrico abre mais espaço para baterias e usinas reversíveis.

Governo abre crédito extraordinário de R$ 7,52 bilhões para pagar subvenções a combustíveis.

Europa chega ao inverno com estoques de gás abaixo dos níveis históricos, mas calcula que consegue atender a demanda.

Gasmig abre nova chamada pública para contratos de longo prazo de biometano.

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Brasil pode contar com 13 GW de flexibilidade no setor elétrico com baterias, reversíveis e resposta da demanda

O Brasil pode ter mais de 13 gigawatts (GW) de flexibilidade operativa no setor elétrico até 2036 com o aumento da participação de baterias e usinas reversíveis e do uso do mecanismo de resposta da demanda, indica a consulta pública do Plano Decenal de Expansão de Energia 2036 (PDE 2036), divulgado na quinta-feira (8/10). Veja o documento na íntegra em .pdf.

Desse total, as baterias podem contribuir com 7,2 GW, aumento em relação aos 6,6 GW previstos no documento no ano anterior.

  • Os dois primeiros leilões de reserva de capacidade para a contratação de baterias, marcados para dezembro, serão um importante marco para a confirmação do espaço para esses projetos no Sistema Interligado Nacional (SIN). Leia mais sobre isso em:

A reação do mercado às regras para os leilões de baterias

Outra contribuição importante virá da resposta da demanda, modelo pelo qual grandes consumidores são remunerados para deslocar o horário de consumo. A contribuição prevista é de 4 GW, ante 3,2 GW no plano anterior.

  • Já as hidrelétricas reversíveis podem somar mais 2 GW, mas a viabilização desses recursos depende da capacidade dos arranjos de mercado e dos mecanismos de contratação de reconhecer adequadamente os diferentes atributos e serviços que podem ser prestados ao sistema por essas fontes, indica a EPE.

São novos mercados que se ampliam num contexto de intensas mudanças no perfil da geração e do consumo no setor elétrico. O aumento da flexibilidade é importante para a operação do sistema elétrico diante do crescimento da demanda e da expansão da geração intermitente, sobretudo no modelo de micro e mini geração distribuída (MMGD).

Brasil precisa de potência, mas ainda não criou mercado para a flexibilidade

O PDE prevê que o parque de geração brasileiro alcançará 382 GW em 2036, impulsionado principalmente pelo salto da MMGD para 92 GW.

Os fios soltos do setor elétrico. Armazenamento de energia, compensação pelo curtailment, leilões para contratação de reserva de capacidade e controle dos subsídios que pressionam a CDE podem parecer discussões distintas. Na prática, todas desembocam na mesma pergunta de sempre: quem deve pagar pelos custos necessários para manter o sistema equilibrado? Leia a análise de Gabriel Chiapinni Privatização da Petrobras. O ex-ministro de Minas e Energia Adolfo Sachsida, que integra a coordenação da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República, afirmou que a privatização da Petrobras não está nos planos do candidato.

  • “Se você que está ouvindo esse vídeo é do Banco do Brasil, da Caixa Econômica, da Petrobras, saiba de uma coisa: não existirão privatizações de empresas. Nenhuma dessas empresas será tocada”, disse Sachsida em um vídeo publicado na rede social X na quinta-feira (8/10).

Subvenções. O governo federal abriu um novo crédito extraordinário de R$ 7,52 bilhões para o Ministério de Minas e Energia (MME) pagar as subvenções que visam evitar a alta nos preços dos combustíveis em meio à crise internacional causada pela guerra no Oriente Médio.

  • A maior parte do valor será destinada à subvenção para o diesel.

Preço do barril. O Brent era negociado em queda a US$ 103 às 6h30 de sexta-feira (9/10) no horário de Brasília. O petróleo fechou em alta de 4,07%, a US$ 104,28 o barril, na quinta-feira (8), com a intensificação de ataques no Oriente Médio.Gás na Europa. Os estoques de gás na União Europeia estão abaixo dos níveis históricos, mas serão suficientes para atender à demanda no inverno, concluiu o grupo de coordenação para gás do bloco após reunião na quinta (8/10). No Brasil, impulso do biometano. A Gasmig abriu uma nova chamada pública para fechar novos contratos de longo prazo, para aquisição de biometano produzido em Minas Gerais. O objetivo é ampliar o uso do gás renovável na rede de distribuição da companhia.

  • Esta semana, a TransJordano inaugurou o Corredor Verde para ampliar a utilização do biometano no transporte rodoviário de cargas entre o interior paulista e a região do Porto de Santos.
  • A iniciativa terá aproximadamente 450 quilômetros, conectando Ribeirão Preto, Sumaré e Cubatão, com pontos de abastecimento distribuídos ao longo do trajeto.

R$ 50 bi para indústria verde. Os ministérios da Fazenda e do Meio Ambiente homologaram o resultado do quinto leilão do Eco Invest Brasil, com R$ 49,95 bilhões em investimentos previstos para seis cadeias produtivas ligadas à inovação e à transformação ecológica.

  • A disputa recebeu 23 propostas de seis instituições financeiras, com demanda de R$ 181,3 bilhões. Entre os segmentos de energia, o HSBC foi selecionado para estruturar fundos e operações de crédito para combustíveis verdes avançados, biogás e biometano, com R$ 5,2 bilhões.

Opinião: Mais do que atender a uma agenda ambiental, inventários de carbono tornaram-se instrumentos de governança, gestão e competitividade em uma indústria que opera sob crescente escrutínio de investidores, reguladores e clientes, escreve Thais Nascimento, a gerente de Contratos e Operações da Seagems.

Fonte: Eixos.com.
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