Por Gabriela Ruddy
NESTA EDIÇÃO. PDE indica que necessidade de maior flexibilidade na operação do setor elétrico abre mais espaço para baterias e usinas reversíveis.
Governo abre crédito extraordinário de R$ 7,52 bilhões para pagar subvenções a combustíveis.
Europa chega ao inverno com estoques de gás abaixo dos níveis históricos, mas calcula que consegue atender a demanda.
Gasmig abre nova chamada pública para contratos de longo prazo de biometano.
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O Brasil pode ter mais de 13 gigawatts (GW) de flexibilidade operativa no setor elétrico até 2036 com o aumento da participação de baterias e usinas reversíveis e do uso do mecanismo de resposta da demanda, indica a consulta pública do Plano Decenal de Expansão de Energia 2036 (PDE 2036), divulgado na quinta-feira (8/10). Veja o documento na íntegra em .pdf.
Desse total, as baterias podem contribuir com 7,2 GW, aumento em relação aos 6,6 GW previstos no documento no ano anterior.
Outra contribuição importante virá da resposta da demanda, modelo pelo qual grandes consumidores são remunerados para deslocar o horário de consumo. A contribuição prevista é de 4 GW, ante 3,2 GW no plano anterior.
São novos mercados que se ampliam num contexto de intensas mudanças no perfil da geração e do consumo no setor elétrico. O aumento da flexibilidade é importante para a operação do sistema elétrico diante do crescimento da demanda e da expansão da geração intermitente, sobretudo no modelo de micro e mini geração distribuída (MMGD).
O PDE prevê que o parque de geração brasileiro alcançará 382 GW em 2036, impulsionado principalmente pelo salto da MMGD para 92 GW.
Os fios soltos do setor elétrico. Armazenamento de energia, compensação pelo curtailment, leilões para contratação de reserva de capacidade e controle dos subsídios que pressionam a CDE podem parecer discussões distintas. Na prática, todas desembocam na mesma pergunta de sempre: quem deve pagar pelos custos necessários para manter o sistema equilibrado? Leia a análise de Gabriel Chiapinni Privatização da Petrobras. O ex-ministro de Minas e Energia Adolfo Sachsida, que integra a coordenação da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República, afirmou que a privatização da Petrobras não está nos planos do candidato.
Subvenções. O governo federal abriu um novo crédito extraordinário de R$ 7,52 bilhões para o Ministério de Minas e Energia (MME) pagar as subvenções que visam evitar a alta nos preços dos combustíveis em meio à crise internacional causada pela guerra no Oriente Médio.
Preço do barril. O Brent era negociado em queda a US$ 103 às 6h30 de sexta-feira (9/10) no horário de Brasília. O petróleo fechou em alta de 4,07%, a US$ 104,28 o barril, na quinta-feira (8), com a intensificação de ataques no Oriente Médio.Gás na Europa. Os estoques de gás na União Europeia estão abaixo dos níveis históricos, mas serão suficientes para atender à demanda no inverno, concluiu o grupo de coordenação para gás do bloco após reunião na quinta (8/10). No Brasil, impulso do biometano. A Gasmig abriu uma nova chamada pública para fechar novos contratos de longo prazo, para aquisição de biometano produzido em Minas Gerais. O objetivo é ampliar o uso do gás renovável na rede de distribuição da companhia.
R$ 50 bi para indústria verde. Os ministérios da Fazenda e do Meio Ambiente homologaram o resultado do quinto leilão do Eco Invest Brasil, com R$ 49,95 bilhões em investimentos previstos para seis cadeias produtivas ligadas à inovação e à transformação ecológica.
Opinião: Mais do que atender a uma agenda ambiental, inventários de carbono tornaram-se instrumentos de governança, gestão e competitividade em uma indústria que opera sob crescente escrutínio de investidores, reguladores e clientes, escreve Thais Nascimento, a gerente de Contratos e Operações da Seagems.