Biodiesel: a força propulsora da indústria e da soberania brasileira

Biodiesel: a força propulsora da indústria e da soberania brasileira
11 de agosto de 2026

No Dia Internacional do Biodiesel, o Brasil reafirma seu papel de líder global na transição energética, transformando o campo em um motor de desenvolvimento econômico, escreve Irineu Boff

Neste 10 de agosto, quando o mundo volta os olhos para o biodiesel, celebramos muito mais do que um marco técnico na história dos motores. Celebramos a consolidação de uma trajetória de independência.

Em 2026, o Brasil deixou de ser o eterno “país do futuro” para se tornar a nação que abastece o seu presente com o que brota da sua própria terra. Transformamos soja, gordura animal e óleos residuais em um ciclo virtuoso de riqueza, sustentabilidade e saúde pública.

Essa jornada de sucesso não começou ontem. Desde a criação do Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel (PNPB), em 2005, o Brasil pavimentou um caminho de maturidade que hoje é referência e inspiração para o mundo.

O biodiesel deixou de ser um projeto experimental para se tornar um verdadeiro patrimônio nacional, uma peça-chave da nossa política industrial que agrega valor a cada grão processado em solo brasileiro. Olhar para essa linha do tempo nos dá a certeza de que a agroenergia é a resposta definitiva para a nossa soberania energética.

Em 2026, os frutos dessa persistência são colhidos em números que impressionam. O PIB da nossa cadeia produtiva, segundo projeções, vai saltar para 6,87% este ano, provando que a sustentabilidade é, de fato, o melhor negócio para o Brasil.

Nossa eficiência é única: para cada real investido na produção de biodiesel, geramos um retorno de R$ 4,40 para a economia nacional. Esse impacto pulsa na vidade brasileiros que trabalham na cadeia da soja e do biodiesel, com remunerações que superam a média da agroindústria, fixando talentos e gerando dignidade em todas as regiões do país.

Mas o coração desse setor bate mais forte no campo. O biodiesel consolidou-se como um programa de inclusão produtiva do país, movimentando cerca de R$ 9 bilhões em compras diretas de 300 mil agricultores.

Através do Selo Biocombustível Social, garante-se que o jovem permaneça na terra com acesso à tecnologia e renda, transformando a agricultura familiar no alicerce da nossa segurança energética.

Lei do Combustível do Futuro (lei nº 14.993/2024) foi o divisor de águas que trouxe a previsibilidade necessária para mantermos esse ritmo. Com uma capacidade instalada de 15,6 bilhões de litros por ano, nossas usinas estão prontas para atender ao cronograma de misturas crescentes, avançando para o B16 e mirando percentuais maiores.

Cada ponto percentual que avançamos na mistura é uma barreira contra a importação de diesel fóssil e uma vitória para a saúde pública, reduzindo em cerca de 80% a carga poluidora que ainda ameaça milhares de vidas em nossas cidades.

Celebrar esta data é reconhecer que o Brasil possui uma vocação soberana. O biodiesel é o nosso orgulho; é a energia limpa que nasce do trabalho da nossa gente para mover o país rumo a um destino mais justo, próspero e profundamente brasileiro.

Irineu Boff é presidente do Conselho da Ubrabio.

Fonte: Eixos.com.
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