BESS será crucial para próxima geração de data centers, afirma IEA

BESS será crucial para próxima geração de data centers, afirma IEA
20 de abril de 2026

Inteligência artificial está impulsionando o desenvolvimento de novas tecnologias energéticas, porém gargalos podem atrasar os investimentos

Por Wagner Freire

A crescente necessidade de energia confiável e flexível para atender à demanda dos data centers deve impulsionar investimentos em armazenamento e em fontes firmes, como a energia nuclear.

Segundo novo relatório da IEA (Agência Internacional de Energia, na sigla em inglês), os contratos de fornecimento entre operadores de data centers e projetos de pequenos reatores nucleares saltaram de 25 GW em 2024 para 45 GW em 2025.

O movimento indica que o avanço da inteligência artificial pode acelerar a comercialização de novas tecnologias energéticas.

Diante das limitações de conexão à rede elétrica, desenvolvedores também vêm investindo em usinas a gás natural no próprio local, especialmente nos Estados Unidos, como forma de garantir segurança de suprimento e reduzir riscos operacionais.

Um dos principais desafios dos data centers é lidar com oscilações rápidas de carga. Nesse contexto, o armazenamento de energia no local desponta como tecnologia estratégica para a próxima geração de instalações voltadas à IA.

Com incentivos adequados, a IEA avalia que esses sistemas podem, inclusive, atuar como ativos de flexibilidade para o sistema elétrico.

A demanda por eletricidade de data centers cresceu 17% em 2025, bem acima da expansão global de 3%. Já os investimentos de capital de cinco grandes empresas de tecnologia superaram US$ 400 bilhões no período e devem avançar mais 75% em 2026.

O relatório também aponta que, embora o consumo energético por tarefa de IA esteja caindo rapidamente, a expansão do uso da tecnologia mais do que compensa esse ganho de eficiência. A expectativa é que o consumo total de eletricidade dos data centers dobre até 2030, enquanto aqueles dedicados à IA devem triplicar sua demanda.

Dados da agência indicam que uma busca no Google consome cerca de 0,3 Wh de eletricidade, enquanto uma solicitação ao ChatGPT demanda aproximadamente 2,9 Wh – quase dez vezes mais.

“Agora vemos que, embora a IA ainda consuma energia, ela também está impulsionando soluções inovadoras, como reatores nucleares de nova geração, data centers flexíveis e armazenamento de energia de longa duração”, afirmou Fatih Birol, diretor-executivo da agência.

Gargalos estruturais

A expansão dos data centers impõe desafios relevantes à infraestrutura elétrica, sobretudo pela concentração de grandes cargas e pela velocidade de crescimento desses empreendimentos. Em muitos casos, isso exige novos ativos de geração e reforços na rede.

Além disso, a implantação desses projetos enfrenta gargalos físicos que limitam o ritmo de expansão. Cadeias de suprimento de equipamentos críticos, como turbinas a gás, transformadores, chips avançados e componentes de TI, tornaram-se mais restritas no último ano.

O aumento no número de projetos também pressiona o planejamento das conexões ao sistema elétrico, contribuindo para atrasos e incertezas. Por isso, cresce a estratégia de geração no próprio local (on-site), reduzindo a dependência da rede.

“A IEA foi uma das primeiras a reconhecer que não existe IA sem energia – e que os países que oferecem acesso seguro, acessível e rápido à eletricidade estarão um passo à frente”, afirma Birol.

Fonte: Canal Solar.
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