Bahia vira ‘laboratório’ do futuro com combustível sustentável de aviação

Bahia vira ‘laboratório’ do futuro com combustível sustentável de aviação
26 de março de 2026

Especialista explica como o hidrogênio se tornou a nova vedete da energia no iBEM

Por Andrêzza Moura e Bianca Carneiro

O avanço das energias renováveis e a necessidade de reduzir a dependência externa colocam o Brasil diante de uma oportunidade estratégica na transição energética. Especialistas e representantes do setor produtivo presentes no primeiro dia do iBEM 2026 (The International Meeting on Brazil’s Energy Market), na terça-feira, 24, apontam que o país, e especialmente a Bahia, reúnem condições únicas para liderar esse movimento, com destaque para o hidrogênio verde e projetos de biorrefino, além da produtos como o combustível renovável de aviação, o SAF.

Pedro Henrique Kool, da Guofuhee, empresa sino-brasileira em soluções para energia de hidrogênio verde, avalia que o crescimento da energia solar já levanta questionamentos sobre a capacidade do sistema em absorver essa expansão. Segundo ele, a integração de tecnologias é fundamental para garantir autonomia e segurança energética.

“Nós integramos essa cadeia exatamente pra trazer uma autonomia e, principalmente, segurança energética”, disse.

Nesse cenário, o hidrogênio surge como peça-chave para aproveitar melhor a energia gerada. “Quando a gente pensa que as tecnologias de hidrogênio, elas podem ser agentes que vão aproveitar exatamente os elétrons que essa energia renovável está perdendo hoje pelo problema de curtailment e aplicá-los em diversas indústrias”, explicou. “Não só para reeletrificar como forma de geração de energia elétrica, mas também a aplicação em outros setores, como a mobilidade”.

Kool destaca a versatilidade da tecnologia. “Essa é a grande vantagem do hidrogênio. Ela é uma vedete que pode ser aplicada em diversas áreas”, afirmou. Ele também detalha o processo: “A gente utiliza um elétron que é gerado por uma fonte de energia e aí, quando a gente entende que essa fonte de energia é renovável, a gente vai gerar, então, através do processo da eletrólise, uma molécula renovável. E é isso que se chama hoje de hidrogênio de baixo carbono, o hidrogênio verde. É o futuro já”.

Apesar do potencial, o especialista ressalta que ainda há avanços a serem feitos, mas vê o Brasil em posição privilegiada.

“Tem bastante coisa a ser desenvolvida ainda, mas acreditamos que o Brasil está num caminho muito forte, muito positivo, porque, diferente de outros países, não adotou uma política de rota única”, disse. “O que a gente defende também é a diversidade. E esse é o caminho que o Brasil está seguindo, diferente de vários outros países, e que nos coloca em uma posição muito favorável”.

Pedro Henrique Kool, da Guofuhee, avalia como fundamental a integração energética | Foto: José Simões | Ag. A TARDE

O plano prevê expansão para outros produtos renováveis. “Numa segunda etapa, nós queremos produzir diesel renovável, a partir de caroço de algodão e óleo de milho. Vamos produzir também fertilizantes a partir de fontes renováveis, metanol, combustível para navios, e o combustível renovável de aviação, o SAF”, detalhou.

Segundo Carnaúba, o diferencial está na integração entre produção agrícola e energia limpa. “Tudo isso a partir do milho produzido naquela região e usando a energia renovável produzida na Bahia como fonte de energia que vai mover tudo isso”, afirmou.

Ele reforça que o estado reúne condições ideais para produção. “A Bahia é um ambiente propício, tem uma terra para conseguir tudo isso. Extremamente propício. Nós temos aqui a maior geração solar e eólica”, disse.

Atualmente, parte dessa energia ainda não é plenamente aproveitada. “Hoje, essas energias estão sendo produzidas em grande quantidade no Estado. Infelizmente, não conseguimos consumir toda essa energia”, afirmou. A proposta da biorrefinaria é justamente mudar esse cenário. “A Impacto está chegando com esse projeto da biorrefinaria para consumir boa parte dessa energia renovável”.

O objetivo, segundo ele, é avançar para uma matriz totalmente limpa. “No futuro, a nossa fonte de energia será solar e eólica 100%”, concluiu.

 

Fonte: A Tarde.
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