Após os recentes riscos de apagão no sistema elétrico, como o ocorrido no Dia dos Pais por conta dos impactos do elevado crescimento da Micro e Minigeração Distribuída (MMGD), a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) convocou distribuidoras para discutir ações emergenciais para segurança do suprimento no Sistema Interligado Nacional (SIN).
De acordo com o Valor, reunião está marcada para sexta-feira (19) e contará com representantes da Aneel, do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e das principais distribuidoras, como Enel, CPFL, Equatorial, Energisa, Cemig e Copel, além da Abradee, associação que representa as empresas do setor.
Segundo a agência reguladora, há ações de curtíssimo prazo em andamento que visam maior controle da rede pelas distribuidoras para gestão da carga. Recentemente também a Aneel comunicou ao Ministério de Minas e Energia (MME), Empresa de Pesquisas Energéticas (EPE) e ONS que já está apta a implementar licitações de sistemas de armazenamento, como baterias, na transmissão.
O alerta foi dado no domingo do Dia dos Pais, quando o excesso de geração de energia solar em telhados, somado ao baixo consumo típico da data, deixou o ONS com margem mínima para manter a estabilidade da rede, o que quase levou a um colapso momentâneo do fornecimento de energia.
Neste dia, a geração distribuída (GD) chegou a responder por 37,6% da demanda, obrigando o ONS a reduzir drasticamente a produção de hidrelétricas e termelétricas. O operador ainda cortou 98,5% do potencial das usinas eólica e solar de grande porte disponíveis. Restaram apenas 2 GW de potência flexível sob controle do ONS, um limite considerado arriscado pelos técnicos.
Segundo a Aneel, o ocorrido não foi um caso isolado. A situação vivenciada foi a segunda ocorrência relevante no sistema que exigiu ações emergenciais do ONS, como o corte expressivo de geração renovável de grande porte e de hidrelétricas.
O leilão do governo para contratação de mais potência elétrica é alvo de apelos do setor de biodiesel para a reinclusão da fonte na disputa, em meio a interrupção de projetos e investimentos, enquanto outros agentes do setor elétrico pedem a retirada do carvão ou mudanças em sua forma de contratação, a fim de privilegiar fontes com operação mais flexível e menos poluentes. A matéria é da agência Reuters, republicada pela CNN.
A Petrobras, maior geradora termelétrica do país e grande interessada no leilão, pediu que o carvão seja separado da disputa com as usinas a gás natural conectadas à rede de gasodutos, com a eventual inclusão da fonte na concorrência do gênero planejada para as usinas a óleo combustível.
As mudanças propostas pelos agentes, porém, podem não ocorrer, tendo em vista o prazo apertado para o certame após atrasos que o empurraram para 2026.
Um novo desenho pelo governo poderia postergar ainda mais a contratação, em meio a apelos do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) de “realização tempestiva” devido a riscos crescentes de cortes de geração e apagões no futuro.
O certame é o mais importante em estruturação pelo setor elétrico e visa contratar usinas mais flexíveis e que ajudem o ONS a manejar os diferentes recursos energéticos, principalmente a produção intermitente das fontes solar e eólica.
Nas contribuições feitas em consulta pública que se encerrou na sexta-feira passada (12), o principal apelo veio do setor de biocombustíveis, que pressiona pela reinclusão do biodiesel e outras biomassas na concorrência, em medida que dizem ser compatível com os objetivos de transição energética do país e de agregar confiabilidade à operação elétrica.
A inesperada inclusão do carvão no leilão também foi alvo de contestação de diferentes agentes do setor elétrico, que apontaram que as usinas movidas a combustível fóssil não são flexíveis o suficiente para atender às necessidades apontadas pelo ONS.
A votação da Medida Provisória 1300 deve ocorrer no limite do prazo antes de perder a vigência. A perspectiva é de que o texto seja votado já nesta terça-feira, 16 de setembro, no plenário da Câmara dos Deputados. De lá, segue para o Senado, onde vai ser discutida na tarde da próxima quarta-feira, 17 de setembro, data limite da medida. A matéria é do Canal Energia.
No foco da medida estará apenas a Tarifa Social, ponto que sempre foi bem visto pelos parlamentares e que já passou a ser aplicado pela Aneel. A aprovação da MP foi um dos assuntos tratados nesta segunda-feira, em reunião fora da agenda entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente da Câmara, Hugo Motta (União-PB). Durante o encontro, Lula teria fechado um acordo com Motta para que os destaques referentes aos artigos 3º e 6º do projeto de lei de conversão da MP sejam tratados na MP 1.304, cuja vigência vai até o início de novembro.
O artigo 3º trata da formação de preços e operação. E o 6º, do mecanismo competitivo para negociação de dívidas do GSF (que trata do risco hidrológico).
A tendência aponta para a rejeição dos demais destaques, com a manutenção do texto do relator, o deputado Fernando Coelho Filho (União-PE). Com isso, ficaria fora, por exemplo, a proposta para votação em separado que suprime o artigo 1º do projeto de conversão. O dispositivo autoriza a Aneel a aplicar diferentes modalidades tarifárias. Esse assunto foi bastante polêmico e apontado como um dos itens que travou a votação na semana passada. A reunião do colégio de líderes para tratar da pauta de amanhã foi marcada para às 15h. A sessão deliberativa do Plenário para a votação da matéria vai acontecer após o tradicional encontro, o que coloca pressão adicional na votação que poderá ser realizada nesta terça-feira.
A Índia lançou nesta segunda (15/9) uma política nacional para desenvolver a energia geotérmica, como parte da sua estratégia para substituir combustíveis fósseis e alcançar emissões líquidas zero até 2070. A matéria foi publicada na Agência Eixos.
Em julho, o governo indiano anunciou o marco de 50% de capacidade instalada de eletricidade a partir de fontes não fósseis — cinco anos antes da meta estabelecida em suas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) ao Acordo de Paris.
De acordo com o documento (.pdf) publicado pelo Ministério de Energias Renováveis e Novas da Índia, o potencial geotérmico se somará ao mix renovável do país, como energia de base.
“A energia geotérmica oferece vantagens notáveis, incluindo geração de eletricidade 24 horas por dia, 7 dias por semana, fornecimento confiável de carga de base, maior estabilidade da rede, menores emissões de gases de efeito estufa (GEE) ao longo do ciclo de vida e maior segurança energética, especialmente em áreas remotas e inacessíveis”, diz o ministério.
A Índia ainda não incorporou a geotérmica na sua matriz. O desenvolvimento de projetos que transformam o calor do subsolo em energia ainda enfrenta uma série de desafios como altos custos iniciais e riscos de exploração. São justamente essas barreiras que o governo indiano pretende transpor, por meio de subsídios e regulação simplificada para atrair investimentos dos setores público e privado, indica o documento.
Uma startup de energia geotérmica de última geração planeja construir um sistema-piloto em Utah, nos Estados Unidos após levantar US$38 milhões (R$200 milhões) em uma rodada de captação, enquanto dá os primeiros passos para aproveitar o boom energético impulsionado pela inteligência artificial.
A Folha de S. Paulo – a partir de matéria da agência Bloomberg – explica que a Rodatherm Energy desenvolveu um sistema geotérmico de circuito fechado que utiliza líquidos refrigerantes em vez de água, como ocorre nos sistemas tradicionais.
A tecnologia foi otimizada para funcionar em rochas sedimentares quentes, comumente encontradas em bacias do oeste dos EUA e da Costa do Golfo. A rodada de investimento série A foi liderada pela Evok Innovations.
O aporte acontece em meio a uma onda de boas notícias para o setor geotérmico no último ano, impulsionado pela explosão de data centers. “Temos ventos muito favoráveis para a energia geotérmica daqui para frente”, disse o CEO da Rodatherm, Curtis Cook, citando o esforço do governo Trump para acelerar aprovações regulatórias, além da manutenção de créditos fiscais federais.
O jornal O Globo informou que o real voltou a se valorizar frente ao dólar na segunda-feira, tornando-se a segunda dentre as 31 divisas mais líquidas a valorizar na comparação com a moeda americana.
Ao fim do dia, o dólar encerrou em desvalorização de 0,61%, aos R$5,32. É a menor cotação para a moeda desde 6 de junho do ano passado. Na mínima do dia, a moeda chegou a operar aos R$5,309. O maior apetite ao risco diante da já precificada queda da taxa de juro americana favoreceu o desempenho dos ativos brasileiros.
A Folha de S. Paulo explica que os investidores aguardam o primeiro corte de juros deste ano pelo Fed, de 25 pontos na taxa básica americana. Por aqui, o BC deve manter a Selic em 15% ao ano. Os comunicados das decisões serão acompanhados com atenção, na expectativa de sinalização dos próximos passos da política monetária de ambos os países.